Vacina da gripe em 2021-2022: quem precisa, quando tomar e quanto custa

Se tem receio de ser “apanhado” pela gripe, então este é o artigo certo para si. Elaborámos um guia com o essencial sobre a vacina da gripe: a melhor forma de escapar aos efeitos do vírus Influenza.
Artigo atualizado a 12-10-2021

A gripe é uma doença respiratória aguda e contagiosa, causada pelo vírus Influenza, que, habitualmente, evolui de forma espontânea para a cura. Mas, quando contraída por grupos de risco, pode causar complicações graves (pneumonia ou agravamento de alguma doença já existente, por exemplo). Em alguns casos, o vírus Influenza pode mesmo ser fatal.

A vacinação é a melhor forma de prevenir o desenvolvimento da gripe e as suas consequências mais graves. Desta forma, são desenvolvidas, anualmente, campanhas de vacinação dirigidas aos grupos de risco.

Campanha de 2021-2022

A campanha de vacinação contra a gripe de 2021-2022 arrancou no dia 27 de setembro, mais cedo do que o habitual devido à pandemia da Covid-19.

A primeira fase da vacinação gratuita inclui residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados, profissionais do SNS e grávidas. A segunda fase integra os outros grupos-alvo abrangidos pela vacinação gratuita, incluindo os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos.

À semelhança dos últimos anos, as vacinas disponibilizadas são tetravalentes inativadas. Isto é, contêm quatro vírus da gripe: dois do tipo A e dois do tipo B. No Serviço Nacional de Saúde (SNS), são administradas as vacinas Fluarix Tetra e Vaxigrip Tetra. Já nas farmácias comunitárias está disponível a vacina Influvac Tetra.

A vacina da gripe é para mim?

A vacina da gripe deve ser tomada pelos grupos de risco, ou seja, por pessoas que tenham as defesas naturais fragilizadas, seja devido à sua situação clínica ou idade mais avançada. Assim, segundo uma norma publicada pela Direção-Geral da Saúde (DGS), devem ser vacinados:

  • Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos;
  • Doentes crónicos e imunodeprimidos, com seis ou mais meses de idade. Incluem-se aqui, a título de exemplo, pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crónica, hepatite crónica, diabetes, trissomia 21 e transplantadas;
  • Grávidas;
  • Profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, mesmo sendo saudáveis;
  • Pessoas com contextos específicos definidos pela DGS. São os casos de residentes em lares, reclusos em estabelecimentos prisionais, bombeiros e pessoas sob quimioterapia, por exemplo.

A vacinação contra a gripe é, ainda, fortemente aconselhada entre os 60 e os 64 anos.

Consulte a lista de todos os grupos alvo prioritários para os quais se recomenda a vacinação contra a gripe.

Enquadra-se em alguns destes grupos? Se sim, não hesite e vacine-se.

Em que situações não devo vacinar-me?

A vacina da gripe não deve ser administrada a crianças com menos de seis meses de idade. No entanto, a vacina quadrivalente que está a ser administrada esta época gripal em Portugal permite a proteção passiva de bebés desde o nascimento até aos seis meses.

A vacinação contra a gripe está ainda contraindicada para pessoas com alergia grave ao ovo ou que tenham tido uma reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina contra a gripe.

Em caso de antecedentes de Síndroma de Guillain-Barré nas seis semanas seguintes à administração de uma dose da vacina, a decisão de vacinar deve ser ponderada caso a caso.

A vacinação deve também ser adiada em caso de doença febril, moderada ou grave ou doença aguda.

Posso tomar a vacina em qualquer altura?

Em Portugal, a vacina da gripe deve ser tomada durante o outono e inverno, preferencialmente até ao fim do ano. Mas quanto mais cedo melhor, para produzir efeitos antes do pico da atividade gripal, que tipicamente ocorre entre dezembro e fevereiro.

Tenho mesmo de vacinar-me todos os anos?

Sim, a vacinação contra a gripe deve ser feita anualmente. E por dois motivos: os vírus da gripe estão em constante alteração e a imunidade provocada pela vacina não é duradoura.

Assim, a cada ano, são produzidas novas vacinas contra os vírus que se prevê que venham a ser dominantes na próxima época gripal. Esse estudo é feito para o hemisfério norte (onde se encontra Portugal) e para o hemisfério sul.

Se fizer a vacina, não fico com gripe?

Não, mesmo tomando a vacina é possível adoecer com gripe. A eficácia da vacina depende essencialmente de dois fatores: características da pessoa vacinada (por exemplo, o seu estado de saúde e a sua idade) e semelhança ou correspondência entre os vírus da gripe contra os quais a vacina foi desenhada para proteger e os vírus da gripe que estão em circulação na comunidade. De acordo com o Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC na sigla em inglês), nas épocas gripais em que os vírus das vacinas coincidiram com as estirpes virais em circulação, a vacinação reduziu o risco de ir ao médico por motivo de gripe em 40% a 60%.

Ainda que a vacina não confira proteção total, existem muitos (e bons) motivos para a fazer, a saber:

  • Reduz o risco de hospitalização;
  • Previne qualquer problema grave de saúde associado a certas doenças crónicas;
  • Protege as mulheres durante e depois da gravidez;
  • Diminui de forma significativa o risco de morte por gripe em crianças;
  • Reduz a gravidade da doença em pessoas vacinadas, mas que, ainda assim, contraem gripe;
  • Protege indiretamente quem contacta com as pessoas vacinadas.

Tenho direito a vacinação gratuita?

A vacina é gratuita no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para as pessoas nos contextos e com as patologias crónicas ou condições seguintes:

Sem necessidade de declaração médica:

  • Idade igual ou superior a 65 anos
  • Residentes em instituições ou pessoas internadas em unidades do SNS
  • Profissionais do SNS
  • Bombeiros com contacto direto com pessoas consideradas com alto risco de desenvolver complicações pós-infeção gripal;
  • Guardas prisionais e reclusos
  • Diabetes Mellitus
  • Terapêutica de substituição renal crónica (diálise)
  • Trissomia 21
  • Submetidas a transplante de células precursoras hematopoiéticas ou de órgãos sólidos

Com declaração médica:

  • A aguardar transplante de células precursoras hematopoiéticas ou de órgãos sólidos
  • Sob quimioterapia
  • Fibrose quística
  • Défice de alfa-1 antitripsina sob terapêutica de substituição
  • Patologia do interstício pulmonar sob terapêutica imunossupressora
  • Doença crónica com comprometimento da função respiratória, da eliminação de secreções ou com risco aumentado de aspiração de secreções
  • Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

E se tiver de pagar, qual é o preço?

As pessoas que não estejam abrangidas pela vacinação gratuita podem adquirir a vacina nas farmácias comunitárias. Se entregarem uma prescrição médica, beneficiam de uma comparticipação de 37%. Na campanha de vacinação 2021-2022, o custo é de 8,88 euros, para utentes do regime geral (37% de comparticipação), ou 6,77 euros, no caso do regime especial para pensionistas.

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