Uma família muito moderna

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a família Silva, o kickboxing é mais do que treino e competição. É entreajuda, apoio mútuo e uma forma de encarar a vida que espelha os valores da associação na qual confiam o seu futuro: o Montepio Associação Mutualista.

A ligação de Nilton Silva ao kickboxing nasceu quase por acaso. Na adolescência, era atleta de voleibol quando, durante o aquecimento para um jogo, uma equipa de kickboxing atravessou a sala a caminho do treino. Fã de desportos de combate e artes marciais, ficou curioso. “Não descansei enquanto não experimentei uma aula. A partir desse dia, nunca mais parei.”

Com o tempo, Nilton, Associado Montepio de longa data, percebeu que o kickboxing era mais do que esforço físico e competição: a modalidade ensinou-lhe disciplina, respeito, autocontrolo, humildade e capacidade de superação. No tatami, aprendeu a lidar com a vitória e com a derrota, a definir objetivos e a trabalhar para os alcançar.

“Foi amor à primeira vista. Com alguma pancada à mistura”, diz, entre risos, reconhecendo que esse percurso o moldou, dentro e fora do tatami.

Em 2008, a paixão pelo desporto de combate levou-o a fundar o Arrifes Kickboxing Clube, que hoje é um dos principais núcleos desportivos de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Açores. Mais do que um clube de competição, o Arrifes pretende ser uma ferramenta de educação, inclusão e desenvolvimento. A ideia? Dar aos jovens de hoje as mesmas oportunidades que Nilton teve.

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Um clube que cresceu devagarinho

Nilton Silva admite que, nos primeiros anos, o crescimento do Arrifes foi gradual, assente sobretudo no passa-palavra, no trabalho diário e na proximidade com os jovens e as famílias. Mas à medida que os atletas foram evoluindo, não só no desporto mas também no compromisso, o clube começou a chamar a atenção de mais jovens da freguesia dos Arrifes e de outras zonas de Ponta Delgada. Os resultados em competição ajudaram a dar visibilidade ao projeto. “Mas os valores humanos estiveram sempre acima dos títulos”, reconhece.

Ao longo dos anos, passaram pelo clube algumas centenas de atletas, uns em busca de bem-estar, outros com objetivos competitivos. O crescimento e a reputação foram tais que, atualmente, o clube conta com três núcleos: um na Ribeira Grande, um em Ponta Delgada e o principal nos Arrifes. No total, cerca de 200 atletas treinam diariamente no Arrifes Kickboxing Clube, sendo que muitos deles representam Portugal em competições internacionais, conquistando títulos lá fora.

“Ser associado do Montepio Associação Mutualista é acreditar que, através da união e da cooperação, é possível construir uma sociedade mais justa, solidária e sustentável”

Nilton Silva, presidente e treinador do Arrifes Kickboxing Clube

Uma paixão que se partilha em família

Foi neste ambiente que Nilton percebeu que o seu percurso podia ser partilhado com os filhos. Desde cedo, André, Gonçalo e Rafaela mostraram curiosidade pelo treino, pelo esforço diário e pelo compromisso que o kickboxing exige. Treinar e competir ao lado deles tornou-se, assim, uma forma de estar presente, de criar memórias e de fortalecer laços que vão além do ringue.

“Tenho três filhos que me enchem de orgulho e alegria”, afirma Nilton à Revista Montepio. André, o mais velho, tem 27 anos e trabalha em Lisboa, nas Forças Especiais da Polícia. Destacou-se no kickboxing desde cedo: foi campeão nacional com 7 anos, campeão mundial WKC em Andréa, Itália, com 14, vice-campeão do mundo júnior em Atenas, tetracampeão da Macaronésia e campeão neoprofissional de Portugal, entre outros títulos.

Gonçalo, de 24 anos, trabalha numa exploração agrícola. No kickboxing também brilhou: campeão do mundo iniciado em Andréa, medalha de bronze juvenil em Atenas, medalha de bronze no Mundial da WAKO em Florença, campeão do mundo ISKA na Turquia em 2022 e vice-campeão do mundo em Viena em 2024.

Rafaela, a mais nova, com 18 anos, está a estudar e continua no desporto. Este ano tornou-se a primeira açoriana campeã nacional de ringue e no ano passado conquistou uma medalha de bronze no Mundial WKF em Alicante, Espanha.

“Cada um deles representa um pedaço daquilo que sempre tentei transmitir: esforço, disciplina, paixão pelo que fazem e coragem para enfrentar desafios”, partilha Nilton. “Ver o crescimento e as conquistas deles, tanto na vida como no kickboxing, é uma das maiores recompensas da minha vida.”

Nilton Silva com o filho Gonçalo. Além da paixão pelo kickboxing, Nilton partilha com os filhos a ligação ao Montepio Associação Mutualista

Ser pai e treinador

No kickboxing, ensinar pelo exemplo tornou-se uma prioridade. Através do desporto, Nilton quis transmitir aos filhos que, mais do que competir ou ganhar títulos, o treino e a competição transmitem valores para toda a vida. Um destes é a importância do longo prazo: o esforço diário é mais importante do que o resultado imediato e o caminho faz-se com trabalho, persistência e caráter.

O pai Nilton também quis que aprendessem a lidar com a frustração, a respeitar os adversários e a perceber que todos os desafios trazem aprendizagens. Porque, afinal, o desporto é uma escola onde se aprende a cair e a levantar, a ganhar com dignidade e a perder com respeito. “Ensino-lhes que vencer é importante, mas que o caráter se constrói principalmente nas derrotas, na forma como reagimos, assumimos responsabilidades e continuamos a trabalhar. Quando isso acontece, sinto que estou a cumprir o meu papel, não só como treinador, mas sobretudo como pai.”

Treinar e competir com os filhos trouxe uma nova dinâmica à família. Passar por treinos e preparação reforçou o diálogo, o respeito e a confiança entre todos. “Eles passaram a perceber melhor o que é o compromisso, o esforço e a responsabilidade, e eu, como pai, passei também a conhecer melhor os seus limites, emoções e forma de encarar os desafios.”

Há sempre o cuidado de separar os papéis de pai e de treinador, mas Nilton acredita que essa experiência fortaleceu os laços familiares. Assim, o desporto tornou-se um espaço onde crescem juntos, aprendem uns com os outros e criam memórias para a vida. O kickboxing uniu-os como atletas, mas sobretudo como família.

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Valores que se cruzam

Apesar de o kickboxing ser visto como um desporto individual, no Arrifes Kickboxing Clube é uma experiência de crescimento coletivo. E é neste espírito que Nilton e os filhos André, Gonçalo e Rafaela, que também são associados, vivem a sua ligação ao Montepio Associação Mutualista. “Ser associado é partilhar esses valores e acreditar que, através da união e da cooperação, é possível construir uma sociedade mais justa, solidária e sustentável”, diz Nilton.

Enquanto treinador, dirigente e cidadão, identifica-se com a ideia de um modelo onde cada Associado contribui para o bem comum, criando uma rede de apoio que protege e fortalece as comunidades. “Vejo o Montepio como uma entidade com princípios semelhantes aos que procuramos transmitir no clube: proximidade, ética, compromisso e preocupação com o futuro das pessoas, em especial dos mais jovens.”

Nilton reconhece valores comuns entre o kickboxing e o modelo mutualista. No kickboxing, apesar de ser um desporto individual no combate, ninguém cresce sozinho. A evolução de um atleta depende do apoio da equipa, do treinador e do ambiente que o rodeia, tal como no mutualismo, onde todos contribuem para o bem comum.

Por isso, acredita que o desporto, como o mutualismo, é uma ferramenta de coesão social e de construção de comunidades. “Vivemos isso todos os dias no clube. O desporto ensina respeito, disciplina, solidariedade e espírito de entreajuda, criando laços entre pessoas de diferentes idades, origens e realidades.”

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Um clube e uma família de futuro

Apesar de a família numerosa já ser maior de idade, um pai é para sempre. Por isso, Nilton quer continuar a transmitir aos filhos os valores de sempre. “Quero que entendam que o esforço, a persistência e o trabalho honesto são fundamentais para alcançar qualquer objetivo, dentro ou fora do tatami.” Procura também transmitir a importância da solidariedade, da empatia e da entreajuda, valores que fazem parte da essência do desporto e do trabalho no clube. “Mais do que formar atletas, é essencial formar pessoas conscientes, com caráter e capazes de contribuir para a sociedade.”

Os planos para o futuro do clube passam por um crescimento sustentado, sempre com componente social, educativa e desportiva. Um dos objetivos é a construção de uma nova sede, um espaço que ofereça melhores condições aos atletas, em particular às crianças e aos jovens da comunidade.

Este espaço não será apenas um local para treinar, mas um ponto de encontro comunitário onde o desporto, a educação e os valores caminham lado a lado. A nova sede permitirá alargar a intervenção social, desenvolver projetos de inclusão, apoiar jovens em situação de vulnerabilidade e criar parcerias com escolas, associações e entidades locais. “Queremos que o clube seja uma referência não só pelos resultados desportivos, mas também pelo impacto que tem na vida das pessoas.”

No futuro, Nilton vê um clube consolidado, reconhecido a nível regional e nacional, tanto pela formação de atletas como pelo papel social. Um clube fiel às suas origens, que forma campeões dentro e fora do ringue e que contribui para uma comunidade mais unida, saudável e com oportunidades para todos.

Porque no desporto, tal como no mutualismo, é nos valores partilhados que se constrói um futuro mais justo, solidário e humano.

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