“O mundo é o momento”, canta Pedro Abrunhosa na música homónima de 2002. A frase, vista desde sempre como celebração da urgência da vida, tornou-se, duas décadas depois, quase num diagnóstico: tudo é imediato, instantâneo, feito para durar apenas o suficiente para ser partilhado. Vivemos num tempo em que o presente domina, o futuro encolhe e o “fim”, esse território inevitável, tornou-se algo que evitamos encarar.
Mas o fim não é apenas a última página de uma história. É transição, preparação, despedida necessária. O fim de um ciclo profissional. O fim de uma relação. O fim de uma fase de saúde plena. E porque nos habituámos à ideia de que tudo é substituível — os empregos, as carreiras, os ritmos de vida — esquecemo-nos de que há algo que nunca poderá ser trocado: nós próprios.
Na 15.ª edição da Revista Montepio, olhamos para esse território não com fatalismo, mas com lucidez. Há cumplicidades musicais que se desfazem sem ruído, deixando apenas a melodia nas memórias. Há nadadores que penduram o fato de banho porque o corpo é um cronómetro implacável. Há pilotos que fazem do Paris-Dakar a última prova porque o limite, seja ele físico ou emocional, é o mais honesto dos mestres. O que todos estes fins têm em comum? São inevitáveis. E exigem preparação.