inteligência artificial está a transformar o modo como tomamos decisões financeiras. E pode ser um recurso valioso para comparar modalidades do Montepio Associação Mutualista, personalizar soluções e apoiar escolhas mais informadas. Sempre em complemento ao aconselhamento humano e à proximidade mutualista.
Em março de 2023, Bryan Kaplan, professor de Economia na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, testou a versão 3.5 do ChatGPT com um exame da sua disciplina. A nota obtida foi um dececionante: 31%. No entanto, apenas três meses depois, ao repetir a experiência com a versão 4.0 desta inteligência artificial (IA) generativa, a avaliação subiu para 73%. A lição foi clara: este sistema de conversação, ao contrário de alguns dos seus alunos, estudou e aprendeu. Afinal, além de escrever histórias e responder a questões triviais, também revela capacidade de aprender regras complexas, incluindo as que regem o sistema financeiro, os mercados e os processos de tomada de decisão.
De facto, ferramentas inteligentes como o ChatGPT, o Gemini (da Google) ou o Copilot (da Microsoft) estão a mudar a nossa rotina, poupando-nos tempo e assumindo tarefas que podem facilmente ser automatizadas. “Confesso que subscrevo certos produtos financeiros ou [modalidades] mutualistas porque confio muito no meu gestor. Nem sempre vou analisar ao pormenor as suas condições ou cláusulas. Seja por falta de tempo ou de vontade”, partilha Fátima Carvalho, Associada do Montepio Associação Mutualista. É neste aspeto que estas ferramentas inteligentes podem ser valiosas, ajudando associados e gestores a identificar opções mais ajustadas e personalizadas para proteger a sua vida e o futuro das suas famílias. No entanto, é essencial adotar boas práticas nesta procura para que as respostas encontradas sejam fiáveis e relevantes.
Neste artigo, convidamos a embarcar connosco numa viagem em que a inteligência artificial serve de bússola para descobrir as modalidades do Montepio Associação Mutualista que melhor respondem às suas necessidades – ou, em alternativa, para preparar as perguntas certas a colocar ao seu gestor mutualista.
MY MONTEPIO APP
Poupar é agora mais simples e mais rápido. Conheça a app que vai aproximá-lo da sua Associação.
Um oráculo em forma de bit
A inteligência artificial desperta o fascínio. Na Grécia antiga, quem desejava conhecer o futuro deslocava-se até Delfos – o “umbigo do mundo”, aos pés do monte Parnaso, a cerca de 180 quilómetros de Atenas – para consultar a Pítia, a sacerdotisa suprema. Hoje, basta uma ligação à internet e conseguimos ter acesso imediato a um oráculo digital feito de algoritmos e bits. Tudo sem sair do sofá.
Mas, tal como em Delfos, as respostas destes novos oráculos também podem gerar ilusões e equívocos. Um dos exemplos mais conhecidos remonta ao século VI a. C., quando Creso, rei da Lídia, pediu conselho ao Oráculo de Delfos antes de enfrentar a Pérsia. A resposta da suprema sacerdotisa não tardou: “Se atravessares o rio Hális, destruirás um grande império.” Convencido da sua superioridade, Creso atravessou mesmo o Hális, entrando na atual Turquia e atacando os persas, apenas para ser derrotado e ver Ciro conquistar Sardes, capital da Lídia, e anexar o seu reino ao Império Persa. Afinal, o grande império que iria ser destruído era o seu.
O oráculo não mentiu, apenas respondeu de forma ambígua a uma pergunta mal colocada. Com a inteligência artificial é igual. “As respostas ou análises têm limitações: seja falta de contexto, deficiência de informação disponível ou perguntas (as prompts, como veremos adiante) mal formuladas”, explica Ivo Bernardo, fundador e data scientist da DareData. Além disso, como estes sistemas aprendem com a interação, inicialmente podem não ter soluções claras para certas questões. Sobre modalidades ou procedimentos mutualistas, por exemplo. Mas vão evoluindo com uma utilização frequente.
É por isso que, quando falamos de decisões financeiras ou de escolhas que influenciam cuidados de saúde futuros, a prudência deve ser redobrada. Antes de aceitarmos as sugestões destes novos oráculos digitais, precisamos de garantir a fiabilidade da informação. Caso contrário, há o risco de vermos ruir o nosso próprio “império”.
“Nas ofertas ou os contextos mutualistas, [os desafios para a inteligência artificial são significativos]. É fundamental aplicar um método e ter boas práticas para que estas ferramentas se tornem recursos realmente úteis e fiáveis.”
Ter a tecnologia ao serviço das pessoas
A história do Montepio Associação Mutualista sempre caminhou lado a lado com a tecnologia. Sem essa aposta contínua, não teria sido possível escrever 185 anos de percurso e continuar a servir os mais 600 mil associados com o mesmo dinamismo do primeiro dia. O My Montepio é um bom exemplo dessa inovação tecnológica: uma área reservada online que funciona como um balcão virtual seguro, disponível a qualquer hora e em qualquer lugar, onde é possível consultar informações sobre as modalidades subscritas e gerir os benefícios de forma simples e prática.
Fátima Carvalho já não dispensa esta plataforma: “Consigo ter acesso à informação de que preciso sem estar em filas de espera.” Ainda assim, valoriza a proximidade e o aconselhamento que os gestores mutualistas cultivam. “Se assim não fosse, quem me podia aconselhar?” Recorda, a propósito, o episódio do nascimento de um neto. Recebeu a sugestão de subscrever o Montepio Proteção 18-30. “Hoje, tantos anos depois, sei que este produto vai ser usado para ajudar o meu neto a ir para a faculdade. Isso deixa-me muito feliz.” É esse o papel do Montepio Associação Mutualista: apoiar cada um, caso a caso, olhos nos olhos. Mas, além disso, contribuir para cimentar uma sociedade mais solidária, na qual todos têm oportunidades.
No entanto, se Fátima não tivesse partilhado com o seu gestor mutualista a feliz notícia do nascimento do neto, dificilmente teria recebido esse aconselhamento. O mesmo acontece com a inteligência artificial. Para obter respostas úteis e ajustadas às nossas necessidades, são precisas duas coisas: em primeiro lugar, disponibilizar informação relevante; em segundo, formular bem as perguntas. Caso contrário, corremos o risco de obter respostas vagas, incorretas ou demasiado generalistas.
“Na verdade, não conheço todas as modalidades mutualistas que existem. Sem ajuda, posso deixar passar oportunidades que não devia perder”, admite Fátima Carvalho, que já recorreu ao ChatGPT para várias tarefas do dia a dia — incluindo pedir sugestões de poupança.
Nas próximas linhas, vamos partilhar conselhos práticos para treinar a inteligência artificial a responder a questões ligadas à oferta mutualista. Assim, tal como nos velhos oráculos, saberemos sempre de forma clara qual o “exército” que sairá vitorioso de cada batalha.
EI – EDUCAÇÃO E INFORMAÇÃO FINANCEIRA
10 factos e mitos sobre as modalidades mutualistas
As melhores estratégias
Ivo Bernardo reconhece que, “em áreas específicas como as ofertas ou os contextos mutualistas”, os desafios para a inteligência artificial são significativos. Por padrão, estes sistemas não conhecem ao pormenor as modalidades do Montepio Associação Mutualista, nem conseguem distinguir com clareza esta oferta. Esta limitação resulta do modo como os modelos de IA são treinados: recorrem a grandes volumes de informação pública disponíveis até determinada data, sem acesso a bases de dados internas, regulamentos ou documentação exclusiva. Por isso, sublinha, “é fundamental aplicar um método e ter boas práticas para que estas ferramentas se tornem recursos realmente úteis e fiáveis”.
Estas são as melhores estratégias de pesquisa no ChatGPT para apoiar as suas decisões financeiras, poupando tempo e evitando erros frequentes.
1. A pesquisa na internet
Esta é a funcionalidade mais utilizada no ChatGPT para encontrar informação. O processo é simples: através do prompt (o prompt é a pergunta que fazemos ao modelo no campo “Pergunte qualquer coisa”) podemos direcioná-lo para páginas específicas que contêm os dados pretendidos e obtemos uma resposta imediata.
Esta capacidade permite à inteligência artificial recorrer a fontes concretas e atualizadas, o que é muito útil para confirmar informações sobre taxas, benefícios ou outras matérias sujeitas a alterações frequentes. Além disso, garante a integração de alterações legislativas que não constem na base de treino original do modelo. Por isso, este método é particularmente eficaz quando lidamos com temas financeiros e altamente regulados, em constante evolução. Vamos verificar quais as soluções de poupança para reforma mais adequadas para uma pessoa de 40 anos.
Passo 1: Fazer a pergunta (ou gerar o prompt)
Tenho 40 anos. Quais são as soluções de poupança para a reforma do Montepio Associação Mutualista, com base no website montepio.org?
Passo 2: Organizar a informação
Como vimos, a resposta é exaustiva e com muitas variáveis. Então, pedimos ao ChatGPT que nos forneça um resumo organizado.
Passo 3: Personalizar a pesquisa
Por fim, a pergunta de um milhão de dólares: qual é a melhor solução para o caso apresentado?
2. Fornecer documentos específicos
Neste método, optamos por carregar diretamente os documentos com a informação que queremos analisar. O ChatGPT utiliza esse conteúdo para gerar respostas muito mais rigorosas e ajustadas às nossas necessidades, mas limitando-se aos dados que fornecemos.
O uso do Regulamentos dos Benefícios ou das Fichas Técnicas das modalidades revela-se muito útil neste processo, e até podemos solicitar informação complementar, com o uso de tabelas comparativas e demonstrações passo a passo, que ajudam a perceber como realizar uma subscrição.
Para ilustrar este método, vamos recorrer a um exemplo prático: uma pessoa de 33 anos que procura comparar as vantagens entre subscrever o Montepio Poupança Reforma ou o Montepio Poupança Complementar.
Passo 1: Carregar no botão “+” e clicar na opção “Adicionar fotos e ficheiros”.
Passo 2: Na janela do computador, selecionar os ficheiros que queremos dar como contexto à ferramenta. No site do Montepio Associação Mutualista é possível fazer o download das Fichas Técnicas e Regulamentos de Benefícios destas duas modalidades. Os ficheiros aparecerão dentro da janela do ChatGPT como anexo.
Passo 3: Como já oferecemos à ferramenta a informação que queremos ver analisada, precisamos de colocar a questão que queremos ver respondida. E também podemos pedir uma tabela comparativa para analisar os prós e os contras de cada solução. Por fim, pedimos uma resposta telegráfica: sim ou não.
3. Investigar a fundo
Esta é, talvez, a estratégia de utilização do ChatGPT menos conhecida, mas uma das mais eficazes. Através dela, é possível introduzir um número alargado de variáveis na análise, o que aumenta a qualidade e a precisão das respostas obtidas.
Passo 1: Começamos por “ligar” esta funcionalidade no botão “+”.
Passo 2: Formulamos a pergunta que desejamos ver respondida. Em seguida, o ChatGPT apresenta-nos as questões que considera mais relevantes para chegar à melhor resposta possível.
Passo 3: Fornecemos as respostas pedidas, acrescentando o contexto necessário à ferramenta de pesquisa. Este procedimento ativa o modo de pesquisa profunda, que percorre diversos websites e fontes disponíveis na internet.
O processo pode demorar alguns minutos. Neste exemplo, cerca de quatro, durante os quais foram realizadas 21 pesquisas diferentes e consultadas 25 fontes de informação.
Por fim, recebemos um relatório extenso com a informação compilada, bem como uma tabela comparativa sobre as várias soluções à nossa disposição.
REVISTA MONTEPIO
A Inteligência Artificial vai valorizar a sensibilidade humana?
h2>O segredo: fazer prompts eficazes
Os lídios, liderados por Creso, aprenderam da pior maneira o risco de falar com um oráculo quando as perguntas são vagas ou mal formuladas. O mesmo se aplica às inteligências artificiais de conversação: a qualidade da resposta depende de como fazemos a pergunta.
Na verdade, perguntas genéricas dão origem a respostas genéricas ou até incorretas. Imagine-se alguém a perguntar: “Qual o melhor seguro de saúde Montepio para mim?” O ChatGPT tenderá a recomendar o Seguro Montepio Saúde. Contudo, se essa pessoa tiver mais 66 anos, não conseguirá aderir a este seguro pois a idade de adesão é limitada até aos 65. Como esta informação não foi fornecida, a IA gerou uma informação errada e ignorou uma alternativa viável.
Se, pelo contrário, a mesma pessoa escrever: “Tenho 66 anos. Qual o melhor seguro de saúde Montepio para mim?”, a resposta será muito mais precisa. O ChatGPT explicará por que motivo o Seguro Montepio Saúde não está disponível e indicará, muito provavelmente, como alternativa, o Plano Montepio Saúde, adequado para este perfil (ainda que não seja um seguro de saúde, mas um plano).
Segundo Ivo Bernardo existem cinco regras de ouro para criar prompts eficazes e tirar o máximo partido de uma IA de conversação:
1. Clareza e especificidade. É preferível perguntar pela “morada de um gestor mutualista em Leiria” do que pelo “contacto da Associação Mutualista”.
2. Dar contexto. Inclua o máximo de informação disponível: qual o objetivo da resposta, qual o público-alvo ou caraterísticas das pessoas a que ela se destina.
3. Definir tom e formato.A resposta deve vir numa tabela, num texto, numa infografia? O utilizador é que escolhe. Além disso, a resposta deve ser exaustiva ou um mero resumo? Deve ter um tom formal ou descontraído? Tudo é possível, mas deve ser pedido com antecedência.
4. Dividir um pedido complexo em pedidos mais simples. Perguntas extensas e abrangentes podem ser divididas em questões mais simples e diretas. A compreensão será mais fácil e as respostas mais afinadas.
5. Rever e ajustar. É normal que a primeira resposta obtida não seja perfeita. Vale a pena reformular o prompt adicionando pormenores, limites de palavras ou algum exemplo até chegar ao resultado desejado.
Vejamos um exemplo prático. A mesma pessoa, com o mesmo perfil, pode pedir a mesma informação de duas maneiras diferentes:
Prompt para simulação
“Com base neste meu perfil [45 anos, filhos pequenos, sou conservador no risco], elabora uma simulação com os critérios mais importantes que devo considerar para escolher entre as modalidades do Montepio Associação Mutualista de maneira a garantir uma proteção familiar e algum rendimento futuro.”
Prompt para diagnóstico
“Quero identificar o melhor plano do Montepio Associação Mutualista. Tenho 45 anos, filhos pequenos, sou conservador no risco e quero garantir uma proteção familiar e algum rendimento futuro. Com base nisso, que perguntas devo fazer a um gestor mutualista?”
Ambos os prompts são claros, fornecem contexto e podem ser ajustados caso necessário. Este tipo de interação aumenta significativamente a relevância e a utilidade da resposta obtida.
A inteligência artificial já faz parte do nosso presente. Quando bem usada, transforma-se num apoio simples, acessível e útil para todos os associados Montepio. Ao analisar grandes quantidades de informação em segundos e indicar caminhos personalizados, ajuda a encontrar as modalidades que melhor respondem aos objetivos e necessidades de cada um. É, no fundo, uma ferramenta de proximidade que reforça a confiança de associados e gestores mutualistas na assertividade das suas decisões.
Claro que, para tirar partido deste potencial, é preciso alimentar a IA com os dados certos, explorar as suas funcionalidades e, sobretudo, fazer as perguntas adequadas. Só assim a tecnologia se torna um aliado estratégico, capaz de complementar a experiência humana e de acrescentar profundidade às análises.
Ainda assim, importa sublinhar: a tecnologia nunca substitui as pessoas. O mutualismo assenta em valores humanos e a inteligência artificial deve ser entendida como uma ajuda ao processo de decisão, não como uma decisão. O seu verdadeiro valor consiste no equilíbrio entre a precisão da máquina e a sensibilidade de quem conhece a vida, os sonhos e as prioridades de cada Associado. Como resume Fátima Carvalho: “Usar a inteligência artificial no dia a dia é como usar um GPS no carro – mostra o caminho, mas somos nós que decidimos para onde queremos ir.”