10 perguntas-chave para a sua vida financeira

10 perguntas-chave para a sua vida financeira
11 minutos de leitura
Ilustração de Rita Grou
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omar decisões financeiras importantes, desde comprar casa até transferir créditos ou começar a poupar para o futuro, exige uma reflexão cuidada e informação precisa. Estas 10 perguntas ajudam-no a avaliar as opções e a ponderar os riscos e oportunidades com mais confiança.

Durante a pandemia, Marta [prefere não revelar o apelido] ficou viciada em compras online. “Foi para preencher um vazio”, confessou-nos em 2024. Desde óculos de sol de 790 euros à renovação total do guarda-roupa por valores “na ordem dos quatro dígitos”, a gestão das finanças pessoais de Marta ficava quase sempre prejudicada em prol dos chamados “gastos térmita”: despesas não essenciais, como subscrições de serviços de streaming, deslocações diárias, almoços fora ou encomendas para o jantar.

Marta não é um caso isolado. Se também sente que não consegue poupar ou gerir os seus gastos, se fica ansioso com a perspetiva de o dinheiro acabar, estas 10 perguntas podem ajudar  a recuperar o controlo, reduzir os riscos e planear o futuro financeiro com mais confiança.

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1. Sei quanto consigo poupar todos os meses?

Saber exatamente quanto ganha e quanto gasta é o primeiro passo para uma vida financeira saudável. Se ainda não o fez, pegue num lápis (ou num Excel, para quem prefere o mundo digital) e escreva todas as receitas (salário, rendimentos extras, apoios) e todas as despesas (renda, contas, alimentação, transportes, lazer).

“Para as famílias, o investimento que gera maior poupança é apontar todas as despesas. Apenas assim conseguem perceber onde podem cortar”, explica David Almas, analista financeiro.

Calcule a diferença entre o que entra e o que sai e veja quanto pode realmente poupar sem comprometer o seu dia a dia. Um orçamento claro permite definir metas realistas, planear investimentos e evitar gastos desnecessários. E uma coisa garantimos: vai sentir menos tentação de fazer compras por impulso.

2. Se surgir um imprevisto, tenho dinheiro suficiente para enfrentar a situação?

Há uma razão pela qual todos os analistas e especialistas colocam a obrigatoriedade de ter um fundo de emergência no topo das boas práticas financeiras. É que imprevistos como o desemprego, problemas de saúde ou reparações urgentes em casa ou no carro estão ao virar da esquina e, por isso, ter uma reserva para 3 a 6 meses permite-lhe dormir descansado e enfrentar essas despesas sem stress.

Este valor, ao qual os nossos avós chamavam “pé de meia”, pode ser aplicado num produto financeiro ou modalidades mutualistas com resgate fácil. Desta forma, ganha robustez para combater a inflação (ver pergunta n.º 9) e confiança para ir buscar o capital disponível quando precisar.

Tenha cuidado, por isso, para não deixar o dinheiro na conta à ordem ou até inventar “falsos imprevistos” para o levantar. Despesas como o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) estão programadas e não devem ser consideradas emergências.

Ao longo da vida, podemos tropeçar em várias armadilhas financeiras. Ter um pé de meia robusto ajuda a ultrapassá-las

3. Sei o que quero alcançar financeiramente a curto, médio e longo prazo?

Os objetivos ajudam a dar sentido às suas escolhas financeiras. E, por consequência, também à sua vida. Damos-lhe um exemplo: se começar hoje a poupar para dar entrada numa casa nova, é improvável que consiga alcançar esse valor dentro de dois anos. A não ser que tenha rendimentos muito elevados.

Se não for o seu caso, deve começar por escolher três prazos para a sua poupança, cada um para objetivos diferentes.

Curto prazo (até 3 anos): se quiser comprar um gadget ou computador, fazer uma viagem ou realizar pequenas obras em casa;

Médio prazo (3 a 5 anos): se quiser comprar um automóvel, financiar estudos superiores ou amortizar um crédito à habitação;

Longo prazo (10 a 30 anos): se quiser comprar casa própria, poupar para os filhos ou para uma reforma tranquila.

Há quem diga que o longo prazo é o atalho para a felicidade. Esta é, certamente, também uma máxima financeira e que tem um impacto positivo na saúde mental e física. “Através da poupança de longo prazo os associados [Montepio] podem preparar o futuro, estando mais aptos a dar resposta a necessidades que ocorrem noutras fases do ciclo de vida, mas também a fazer face a imprevisibilidades”, adiantou Ana Souto, responsável pela Direção de Oferta Mutualista do Montepio Associação Mutualista, neste artigo recente.

Hoje, mais de 600 mil portugueses subscrevem modalidades mutualistas de poupança e de proteção e têm acesso a diversas vantagens por pertencerem ao Montepio Associação Mutualista: um plano de saúde sem idade limite nem qualquer tipo de exclusão, descontos em mais de 1 700 parceiros e condições mais vantajosas nas empresas do Grupo Montepio.

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4. Sei quanto devo e quanto cada dívida me está a custar?

Ter consciência das suas dívidas é essencial. Analise juros, prazos, comissões e condições de pagamento. Se tiver crédito à habitação, esteja atento à subida da Euribor, que pode levar a prestação mensal para números fora do alcance das suas possibilidades.

Créditos com juros altos, como cartões de crédito ou crédito pessoal, devem ser uma prioridade para amortização. Se tiver vários, pode considerar a consolidação ou a transferência de créditos, mas sempre avaliando cuidadosamente taxas e condições, para não agravar a situação.

Saber exatamente quanto deve e quanto paga por isso é o primeiro passo para deixar de ser refém das dívidas e começar a ter maior estabilidade financeira.

5. Estou a poupar o suficiente para garantir uma reforma confortável?

Ah, a pergunta do milhão de euros. Não só porque é difícil de responder, mas também porque é este o valor que precisará para viver se, por exemplo, quiser reformar-se com a idade legal e viver 20 anos confortáveis (a esperança média de vida para quem chegou aos 65 anos entre 2022 e 2024 foi de 20,02 anos, de acordo com a estimativa do Instituto Nacional de Estatística, INE).

Isto quer dizer que, para acompanhar a inflação durante 20 anos e começar com um valor de 3 200 euros por mês, gastará 1 milhão de euros nos 20 anos seguintes. Parece muito dinheiro, mas com a esperança média de vida a aumentar em Portugal (com exceção dos anos 2021 e 2022, devido à pandemia da Covid-19), é provável que viva bem mais do que esses 20 anos após a reforma. (E ainda bem.)

Mesmo quem tem rendimentos irregulares ou carreiras instáveis deve pensar cedo na reforma. Contribuições regulares, mesmo pequenas, podem aumentar significativamente ao longo do tempo através de juros compostos. Avalie opções como modalidades mutualistas: o Montepio Poupança Reforma tem um regime fiscal equiparável aos PPR. Quanto mais cedo começar, maior segurança terá no futuro, mesmo que a carreira ou os rendimentos sejam instáveis.

6. Tenho proteção financeira suficiente caso algo inesperado aconteça comigo ou com a minha família?

Sabia que a génese do Montepio Associação Mutualista está no apoio e proteção social, incluindo a cobertura em caso de morte através do pagamento de pensões aos familiares dos associados?

Em 1840, como deve calcular, não havia uma instituição com a força do Montepio a fazer o mesmo. Passados 185 anos, a sociedade está diferente, mas há algo que continua igual: os imprevistos. Para se proteger a si e à sua família, avalie se tem cobertura suficiente em saúde, vida, habitação, acidentes ou carro. Um imprevisto pode colocar anos de poupança em risco e criar dificuldades financeiras graves. Escolher a proteção adequada permite prevenir perdas e garantir estabilidade. Estes são 4 dos principais cenários que podem mudar a vida da sua família.

1. Acidente incapacitante ou doença prolongada. Uma situação destas pode afetar a sua saúde física e emocional. Basta pensar em todas as despesas mensais, como prestações de créditos, contas fixas ou a mensalidade da escola dos filhos, que dependem do seu salário.

2. Desemprego de longa duração. Além de representar um abalo emocional, perder o emprego tem impacto direto nas finanças pessoais.

3. Ausência ou perda de rendimentos mensais. Para as famílias que não têm uma almofada financeira à qual recorrer em momentos de emergência, esta situação pode ser bastante disruptiva.

4. Morte. A sua ausência pode comprometer a segurança financeira de quem fica, em particular se tem crianças em idade escolar.

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7. Tenho um plano para as grandes despesas?

Além de um fundo de emergência para imprevistos, é fundamental planear as despesas previsíveis mas de maior dimensão, como obras em casa, a compra ou substituição do automóvel, despesas de saúde mais elevadas ou o apoio à educação dos filhos.

Ter um plano para estas situações permite antecipar os custos e começar a poupar com antecedência, evitando recorrer a crédito de curto prazo — geralmente com juros elevados — ou comprometer as poupanças destinadas a outros fins.

Uma boa prática é definir objetivos concretos e prazos realistas: quanto vai precisar, em quanto tempo e de que forma pode lá chegar. Assim, quando a despesa surgir, terá recursos próprios disponíveis, preservando a estabilidade financeira e evitando o stress de endividamento.

Planear o previsível é a melhor forma de estar preparado para o inesperado.

8. Conheço as minhas oportunidades fiscais?

A lei portuguesa prevê benefícios fiscais para alguns produtos de poupança de longo prazo. Nos planos de poupança reforma (PPR) e em modalidades como o Montepio Poupança Reforma, é possível aumentar a poupança e, simultaneamente, obter uma dedução à coleta em sede de IRS quando se fazem reforços.

O valor da dedução depende da sua faixa etária. Por exemplo, se ainda não chegou aos 35 anos, a subscrição ou reforço da modalidade Montepio Poupança Reforma pode deduzir 400 euros no IRS do ano seguinte. Se tiver entre 35 e 50 anos, a mesma subscrição ou reforço a partir de 1 750 euros dá-lhe até 350 euros. Para os maiores de 50 anos, subscrições ou reforços de 1 500 euros permitem 300 euros de dedução no IRS.

Além de aumentar o reembolso do IRS para quem recebe, ou reduzir o imposto para quem paga, subscrever uma modalidade como o Montepio Poupança Reforma permite aumentar o capital acumulado para a reforma e também o efeito da capitalização ao longo do tempo. Deste modo, fica mais tranquilo com o seu futuro e não precisa de adiar a entrada na reforma.

A chave para uma vida financeira desafogada está no planeamento e no longo prazo. Quanto mais cedo começar, melhor viverá

9. Estou a preparar-me para a inflação e para o aumento dos custos?

O dia 1 de janeiro de 2002 foi um dos mais estranhos de sempre em Portugal. À meia-noite, o escudo deixou de circular e o euro passou a fazer parte das nossas vidas. De um segundo para o outro, o café passou de 50 escudos (25 cêntimos de euro) para 50 cêntimos, mas a procissão ainda estava no adro.

Nos últimos 23 anos, muitas foram as alterações nos preços dos produtos. De 2002 para 2025, o litro de gasolina passou de 86 cêntimos para 1,80 euros, um bilhete de cinema era 3,5 euros e agora 7 euros, e um bilhete no Metro de Lisboa passou de 50 cêntimos para 1,4 euros.

Mesmo uma poupança segura pode perder valor ao longo do tempo se não tiver em conta a inflação. Os preços sobem, o custo de vida aumenta e o poder de compra do seu dinheiro pode diminuir sem que o perceba. É essencial avaliar regularmente como os seus investimentos e poupanças estão a proteger o seu futuro financeiro e se é necessário ajustar estratégias para manter o seu estilo de vida.

Existem soluções que ajudam a proteger o seu capital e a acompanhar a inflação, como o Montepio Poupança Prazo 5.1, ideal para projetos de médio prazo com rendimento previsível, ou o Montepio Expresso Net, com rendimento competitivo. Avalie se estas modalidades se adequam às suas necessidades e considere reforçar a sua poupança ou diversificar produtos para garantir que o seu dinheiro não perde valor real.

10. Analiso regularmente a minha situação financeira para perceber se estou no caminho certo?

Acompanhar de forma sistemática receitas, despesas, investimentos e metas é essencial para manter o controlo sobre o seu dinheiro e evitar surpresas desagradáveis. Pergunte-se: estou a gastar mais do que planeei? Há dívidas a acumular ou oportunidades de investimento que estou a perder?

Fazer esta análise permite identificar padrões, como gastos supérfluos que podem ser cortados, investimentos que não estão a render o esperado ou poupanças que podem ser otimizadas. Também ajuda a adaptar planos para mudanças na vida, seja um aumento ou redução de rendimento, mudanças familiares, inflação ou alterações nos custos do dia a dia.

Além disso, esta revisão periódica ajuda a reforçar hábitos financeiros saudáveis, como manter um fundo de emergência, cumprir objetivos de poupança ou rever seguros e proteção financeira. Uma boa prática é definir momentos fixos para avaliar a situação — mensalmente, trimestralmente ou pelo menos semestralmente — e anotar conclusões e decisões, transformando o acompanhamento num processo ativo e consciente.

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