A vida como bónus e outras possibilidades

A vida como bónus e outras possibilidades
Ilustração de Shutterstock

Em 1977, num país que acabava de sair de uma guerra para entrar noutra, um jovem engenheiro de 27 anos foi colocado perante um pelotão de fuzilamento. Vendado e amarrado, ouvia o mar ao fundo, mas as armas não dispararam e voltaram a levá-lo para a prisão. António Costa e Silva decidiu, a partir daí, que cada dia seria um bónus: a vida já não lhe devia nada.

Quase cinquenta anos depois, quando lhe perguntam o que ficou daqueles três anos de cárcere, responde com uma frase que podia ter saído de um romance: Aquelas memórias dolorosas são uma espécie de ferida de onde sai a luz. É uma recusa, deliberada e sustentada, de se deixar definir pelo pior que aconteceu.

É essa convicção que atravessa esta edição da Revista Montepio. “Ser possível”, que o Montepio Associação Mutualista escolheu como mote para a mais recente campanha de comunicação, é sobre o que se constrói quando nada parece apontar nessa direção. É decidir, a dez segundos da prova, mudar de estratégia para ganhar uma medalha de ouro, como fez o ginasta Vasco Peso; ou bater à porta de uma estrela rock para vender os serviços de luthier, como Andy Manson fez a John Paul Jones, dos Led Zeppelin; ou até simplesmente soprar as velas de mais um aniversário e pedir que a irmã ficasse bem, como Marta Rodrigues. É, sobretudo, não deixar que o que parece impossível tenha a última palavra.

Contra todas as probabilidades

Vivemos tempos que produzem angústia em abundância. A incerteza económica, as pressões sobre o trabalho e a família, um futuro que parece mais difícil de planear do que era para os nossos pais. É fácil ficar pelo que não controlamos. Esta edição é, por isso, uma recusa a fazê-lo. Por convicção de que as histórias de quem encontrou um caminho, mesmo quando não havia caminho à vista, também merecem ser contadas. E de que fazê-lo importa.

O Montepio Associação Mutualista nasceu, em 1840, exatamente dessa convicção: que é possível, juntos, criar condições para que o pior não seja o fim da história. Durante 185 anos, foi esse o compromisso: com quem perde um familiar, com quem perde o emprego, com quem fica doente, com quem envelhece, com quem precisa de recomeçar. A ideia de que o futuro pode ser diferente do presente, desde que haja estrutura para sustentá-lo.

Ser possível é uma escolha que pode começar com uma conversa, um plano, uma rede de proteção construída a tempo. O Montepio Associação Mutualista existe, precisamente, para que essa escolha seja real.

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