O minuto a seguir à má notícia

O minuto a seguir à má notícia
14 minutos de leitura
Ilustração: Maria Lourenço
14 minutos de leitura
N

inguém está preparado para a notícia que muda tudo. O coração acelera, o cérebro entra em modo de emergência e o tempo parece parar. O que a ciência, e quem já passou por isso, nos ensinam sobre o minuto a seguir à má notícia?

Corria o ano de 2007 quando João Máximo foi levado para o hospital após sofrer uma paragem cardiorrespiratória. Estava a jogar futebol com os amigos, tinha acabado de marcar um golo e, de repente, caiu inanimado. Tinha apenas 29 anos.

“Minutos depois da chegada da ambulância, estava na sala de espera quando chamaram pela acompanhante de João Máximo. Levaram-me para outra sala, onde uma médica me aguardava. Perguntei se o meu irmão já tinha acordado e se o podia ver. Ela pediu-me para me sentar e deu-me a notícia de que ele tinha morrido. Lembro-me de o meu cérebro não conseguir processar aquelas palavras. Perguntei: ‘Como assim?’ E voltei a perguntar se ele já tinha acordado”, afirma a irmã, Ana Máximo.

Existe sempre um antes. Um antes daquela mensagem. Um antes de a porta se abrir. Um antes de alguém dizer “precisamos de falar”. Pode ser uma chamada recebida a meio da tarde, uma reunião inesperada num gabinete de recursos humanos, um carro parado à beira da estrada. As más notícias chegam sempre de forma abrupta, mesmo quando são previsíveis. Nunca estamos preparados para um diagnóstico, uma morte, um despedimento ou uma traição.

E depois acontece algo estranho: o mundo continua exatamente igual, mas já não é o mesmo. Os relógios continuam a tiquetaquear. O café permanece quente. As pessoas riem-se, discutem trivialidades ou seguem as suas rotinas, alheias ao colapso silencioso que acontece dentro de nós.

Nos primeiros segundos após receber uma má notícia, o corpo reage antes da mente. O coração acelera e o estômago contrai-se num nó. Há quem chore imediatamente. Há quem não consiga reagir. Há quem entre num estado de paralisia quase automática, como se observasse a própria vida à distância.

Muitas pessoas descrevem esse momento da mesma forma: “Parecia que não era real. Que aquela não era a minha vida.” Durante esses instantes, o cérebro tenta proteger-nos daquilo que ainda não conseguimos compreender, aceitar ou suportar.

EXCLUSIVO PARA ASSOCIADOS

Ter um plano de saúde gratuito. É possível

Saber mais

A chamada que ninguém quer atender

Há um entendimento quase universal de que a vida pode mudar de um momento para o outro. No entanto, só quando essa mudança se abate sobre nós é que nos apercebemos do peso real desta ideia.

Maria Teixeira tinha 14 anos quando recebeu uma notícia que, à escala da sua vida, lhe pareceu devastadora. Patinadora de alta competição, dividia os seus dias entre a escola, os treinos e as competições. A patinagem artística ocupava-lhe quase todo o tempo livre e, de certa forma, moldava-lhe a identidade, os objetivos e a ideia de futuro. Até que, um dia, caiu durante um treino.

“No início, achei que não era nada”, recorda. “Foi uma queda controlada. Pensei que, na pior das hipóteses, punha gelo e continuava. Era o treino da tarde e acreditava que ainda ia conseguir voltar a treinar à noite.” Mas a dor persistia e o braço deixou de esticar normalmente. A treinadora insistiu que devia ir ao hospital fazer uma radiografia. “A ideia que tenho desse momento é que o médico ficou uma eternidade a olhar para o raio X, em silêncio. Depois disse-me que tinha fraturado o cotovelo e que ia ficar seis semanas sem poder treinar.”

O diagnóstico revelou-se muito mais doloroso do que a lesão. Faltavam poucas semanas para duas competições importantes, um open nacional individual e um campeonato nacional de quartetos, que poderiam garantir o apuramento para o Campeonato da Europa. Em poucos segundos, meses de esforço evaporaram. “Senti que o mundo ia acabar e que tudo para o que tinha trabalhado se resumia a zero”, confessa.

Há notícias que parecem, de fora, menores. Uma fratura. Uma lesão desportiva. Acontece a toda a gente. Mas quando se perde uma ideia de futuro, a recuperação torna-se muito mais difícil. Há fraturas emocionais que demoram muito mais tempo a consolidar do que qualquer osso partido.

REVISTA MONTEPIO

4 cenários que podem mudar a vida da sua família

Ler artigo

O corpo reage antes da mente

A ciência sabe que a reação a uma má notícia é, antes de tudo, uma reação de sobrevivência. O cérebro não se preocupa em analisar ou racionalizar aquilo que aconteceu. Numa primeira fase, entra em modo de emergência.

Tânia Oliveira, psicóloga clínica na Psike, parceira do Montepio Associação Mutualista, explica que há um conjunto de sistemas cerebrais, “em particular a amígdala cerebral”, que assumem o controlo quando a situação é percebida como uma ameaça. “Existe uma ativação da resposta de stress.”

É nesse instante que o corpo reage antes da mente: aumentam os níveis de adrenalina e cortisol, o coração acelera, a respiração altera-se e o organismo prepara-se para lidar com o perigo, mesmo quando a ameaça não é física, mas emocional.

Talvez seja por isso que tantas pessoas descrevem sensações físicas intensas nos primeiros segundos após receberem uma má notícia: tremores, falta de ar, suores, náuseas, taquicardia, uma sensação de vazio ou até dormência emocional. “É importante perceber que isso faz parte do processamento inicial”, explica a psicóloga.

Ana Máximo recorda que, nos instantes após receber a notícia de que o irmão não tinha sobrevivido, sentiu dores no peito e no estômago. “Não sei onde fui buscar forças para tudo o que aconteceu a seguir. Pensei que, se gritasse, talvez aquilo tudo parasse. Olhando para trás, acho que entrei em modo de sobrevivência, em piloto automático, porque tinha de ter forças pelos meus pais.”

Perante o choque, o corpo preocupa-se em manter as funções básicas a funcionar. A atenção estreita-se. O cérebro deixa de priorizar o raciocínio complexo e concentra-se apenas naquilo que considera uma ameaça. Na prática, isto significa que muitas pessoas deixam literalmente de conseguir ouvir o que lhes estão a dizer. “Se calhar era por isso que insistia em perguntar quando o meu irmão ia acordar”, recorda Ana Máximo.

Tânia Oliveira explica que a memória depende, de forma significativa, da integração entre a amígdala cerebral, o hipocampo e o córtex pré-frontal. “Neste tipo de situações, a amígdala prioriza a gravação de fragmentos emocionais em vez de uma narrativa contínua e coerente”, revela. Também o hipocampo passa a funcionar de modo menos eficiente, devido ao cortisol libertado, e a memória fragmentada, sem sequência temporal. “É mais frequente as pessoas relatarem esses pedaços de imagens, sensações, sons isolados do que uma narrativa com princípio, meio e fim.”

Surge também, muitas vezes, a sensação de que o tempo abranda ou se distorce. A descarga de adrenalina lança o cérebro num estado de hiperativação que distorce a perceção do tempo. Há um freeze — uma resposta de congelamento — que corresponde a uma reação automática do sistema nervoso perante uma ameaça extrema. Nem sempre reagimos a um perigo fugindo ou lutando. Em algumas circunstâncias, o corpo imobiliza-se como mecanismo de proteção.

“Cada caso é um caso. A mesma má notícia pode gerar reações diferentes: choque, agitação, paralisia ou aparente frieza”

Tânia Oliveira, psicóloga clínica

“Porquê eu e porquê agora?”

Depois do choque inicial, o cérebro começa a tentar processar o que se passou. E, inevitavelmente, instala-se uma pergunta que se repete em loop: “Porquê?”

Maria lembra-se que foi assim com ela. “Só me perguntava: ‘Porquê eu?’ e ‘Porquê agora?’. Nunca tinha partido nada. Tinha tido quedas muito piores e não me tinha acontecido nada. E aquela era a pior altura possível para acontecer uma lesão daquele tipo.”

Nos dias seguintes, recusou aceitar a realidade. Convencia-se de que podia ter havido um erro de avaliação, de que surgiria uma recuperação inesperada ou até uma segunda opinião com um diagnóstico mais favorável. “Mantinha a esperança de que ainda conseguiria participar naquelas provas, mesmo que não o confessasse a ninguém. Afinal, tinha abdicado de tanto…”

A negação é uma das respostas psicológicas mais comuns perante uma perda abrupta. O cérebro precisa de tempo para integrar aquilo que, naquele momento, é emocionalmente insuportável. Segundo Tânia Oliveira, surgem mecanismos automáticos e primitivos: a negação, a dissociação, a intelectualização, o embotamento emocional. Formas rápidas de proteção psíquica. “É frequente a pessoa sentir que aquilo não está a acontecer realmente, ou que está a observar a situação de fora”, explica.

Algumas pessoas choram compulsivamente. Outras entram em silêncio absoluto. Há quem fique surpreendentemente funcional: trata de documentos, resolve burocracias, faz telefonemas, organiza funerais, acompanha familiares.

“Os dias seguintes foram difíceis, mas assumi o encargo de tratar de tudo para poupar os meus pais a mais sofrimento. Falei com a funerária, escolhi a roupa para o meu irmão, a madeira do caixão. Dormia pouco e acordava em sobressalto. Tinha uma tia que me obrigava a comer, porque fisicamente tinha dificuldade em fazê-lo”, confessa Ana Máximo.

Mais tarde, muitas dessas pessoas ouvem comentários como: “És muito forte.” Mas essa força aparente não significa ausência de sofrimento. Muitas vezes, o cérebro simplesmente adiou a emoção para poder sobreviver ao imediato.

BLOG DO MONTEPIO ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA

Reforma por invalidez: quem tem direito, quanto se recebe e como pedir?

Ler artigo

As cinco fases do luto

No final da década de 1960, a psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross cunhou a teoria das cinco fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Décadas depois, sabe-se que o sofrimento raramente segue uma sequência linear ou organizada. Há dias em que se aceita a realidade, seguidos de quedas depressivas profundas. Há momentos de aparente tranquilidade interrompidos por uma memória banal que reabre feridas e devolve a pessoa a lugares mais sombrios. Há quem nunca sinta raiva. E há quem permaneça preso a ela durante anos.

“Nos primeiros tempos, sentia uma revolta grande. Não conseguia aceitar o porquê de o meu irmão nos ter deixado. Acredito que, hoje, já o deixei partir. Prefiro lembrar-me das coisas boas que fizemos, como as viagens, as bandas de música de que ele gostava”, explica Ana Máximo.

“Cada caso é um caso”, diz Tânia Oliveira. “A mesma má notícia pode gerar reações diferentes: choque, agitação, paralisia ou aparente frieza.” O contexto importa, assim como a personalidade e a história de vida de cada pessoa, que moldam a maneira como se reage. Também o ambiente familiar e cultural conta. Em algumas famílias, chorar é incentivado. Noutras, existe uma pressão silenciosa para ser forte. Em certos contextos profissionais, o sofrimento é quase incompatível com a ideia de produtividade.

“No meu caso foi o Diogo [o seu companheiro] quem me ajudou. Estava presente, mesmo no silêncio. Abraçava-me, ajudou-me a tratar da papelada burocrática, fazia perguntas quando eu já não conseguia pensar. Foi muito importante para me manter à tona”, refere Ana Máximo.

A poucas semanas de duas competições importantes, Maria Teixeira, de 14 anos, fraturou o cotovelo. “Porquê eu e porquê agora”, perguntou-se

Quando a vida não volta ao que era

Existe uma frase que surge quase invariavelmente nos dias seguintes a um acontecimento traumático: “Vai ficar tudo bem.” É dita com boa intenção, mas não corresponde à realidade de quem está a sofrer.

Há acontecimentos que não se resolvem. São integrados na vida, ainda que a custo e, muitas vezes, com dor. Maria Teixeira percebeu isso quando começou a assistir aos treinos das suas colegas: “No início foi muito difícil aceitar a realidade. A esperança a que me agarrava — quando mudasse o gesso já ia estar boa, que uma segunda opinião médica ia alterar o diagnóstico inicial — não se concretizou. O quarteto tinha uma substituta e ela começou a treinar a contrarrelógio para poder participar no campeonato. Foi nesse momento que entendi que já não era a minha vez. Que estava mesmo de fora.”

A realidade instala-se devagar. Primeiro, combate-se a notícia. Depois, pouco a pouco, aprende-se a aceitá-la. Nem sempre fica tudo bem. Uma morte não desaparece ao fim de alguns meses. Um trauma não se dissolve porque o calendário avançou. Em muitos casos, a dor não termina. Transforma-se. Uma mudança subtil, mas decisiva.

O cérebro adapta-se

O cérebro humano tem uma capacidade notável de se reconstruir. “É a chamada neuroplasticidade: o corpo guarda as marcas e é possível reorganizar-se após o trauma”, explica Tânia Oliveira. Em vez de apagar o sofrimento, aprendemos a conviver com ele.

A recuperação de um evento traumático não acontece como nos filmes. Não há um momento épico de superação. É uma sucessão de pequenas adaptações impercetíveis: voltar a dormir uma noite inteira, rir sem sentimento de culpa ou conseguir regressar a um lugar que antes causava ansiedade. É o cérebro a criar novas ligações e novos hábitos emocionais.

A ciência já identificou alguns fatores determinantes nesta capacidade de recuperação. Tânia Oliveira enumera os mais evidentes: a qualidade do sono, o apoio social e familiar, a estabilidade emocional e, em alguns casos, a psicoterapia. Mas a ciência continua sem explicar por que razão algumas pessoas desenvolvem perturbações duradouras enquanto outras integram experiências igualmente duras sem colapso.

MONTEPIO PROTEÇÃO VIDA

Assegurar o bem-estar dos filhos no futuro? É possível

Saber mais

A solidão depois da notícia

Perder o emprego pode provocar um sentimento de vergonha. O divórcio pode ser vivido como um falhanço pessoal. Um diagnóstico pode alterar a relação com o próprio corpo e uma incapacidade física pode destruir a imagem que alguém construiu de si. Em comum, todas partilham uma forte sensação de isolamento. Mesmo rodeada de gente, a pessoa pode sentir-se profundamente só.

Depois dos primeiros telefonemas, mensagens e visitas, instala-se um silêncio gradual. As outras pessoas regressam às suas vidas e quem sofre continua preso numa realidade que mais ninguém partilha. Há uma pressão implícita para recuperar rapidamente, como se houvesse um prazo para voltar ao normal. Mas há lutos que persistem, mesmo anos depois, reativados por aniversários, músicas, cheiros ou fotografias que devolvem, de forma súbita, a memória da perda.

A rutura como ponto de partida

Em 1985, Steve Jobs foi despedido da Apple, a empresa que tinha cofundado. Este afastamento, que à época pareceu um ponto de rutura, acabaria por se revelar decisivo na trajetória da empresa e na própria visão de futuro do empreendedor.

Após a saída, criou a NeXT, orientada para computadores no mercado educativo e profissional, e investiu na Pixar, que viria a revolucionar o cinema de animação. Pouco mais de uma década depois, a Apple adquiriu a NeXT e Steve Jobs regressou, tendo mais tarde lançado produtos icónicos como o iMac, o iPod, o iPhone e o iPad.

Muitas pessoas que vivenciam experiências difíceis acabam por alterar a forma como olham para a vida. O sofrimento nunca é desejável, mas a disrupção pode impor uma reorganização interior, por vezes inesperadamente transformadora.

Maria Teixeira concorda. “Houve muita coisa que me ajudou, como as mensagens e a presença de amigos e família. Mas ser obrigada a parar foi fundamental, porque mudou a maneira como via a minha vida.”

Pela primeira vez em muito tempo, estava fora da rotina intensa entre escola e competição. “Tinha uma vida demasiado cheia. Sou muito feliz na patinagem, mas também sou feliz a fazer outras coisas. Sem passar por isto, se calhar não o tinha descoberto.”

É uma ideia incómoda, mas importante: sobreviver a uma má notícia não significa voltar a ser quem éramos. O sofrimento pode alterar prioridades, relações e ambições. As experiências traumáticas tendem a tornar as pessoas mais conscientes do seu tempo, mais seletivas nas relações, mais disponíveis emocionalmente. A psicologia reconhece este fenómeno como crescimento pós-traumático. Não acontece sempre e não invalida a dor, mas mostra que o ser humano possui uma capacidade extraordinária para se reconstruir e adaptar.

REVISTA MONTEPIO

8 conselhos para lidar com a ansiedade financeira

Saber mais

Continuar não é esquecer

Quem vivencia uma perda significativa não regressa ao normal. Cria um novo normal. E talvez seja essa uma das características mais impressionantes do ser humano: a capacidade de continuar mesmo quando não se sabe bem como. Persistir não significa esquecer ou minimizar. “A coisa mais inesperada que descobri sobre o luto é que nunca estamos preparados para ele, para deixar ir quem amamos. Por um lado, dói saber que não vou voltar a ver o meu irmão. Mas já não choro por revolta. Se choro, é por saudades, pelo que ficou por viver. Por outro lado, não quero esquecer-me dele. E tenho medo, quase pânico, de o esquecer. Recuso isso”, diz Ana Máximo.

Raras vezes o sofrimento se torna uma lição inspiradora. Na maioria dos casos, o que existe é apenas a tentativa de voltar a viver, dia após dia.

A fratura do cotovelo de Maria Teixeira não desapareceu. O osso consolidou, mas a marca permanece, visível apenas para o olhar atento dos exames médicos. Tal como a memória do que viveu. “Fica sempre uma lembrança, até porque é uma parte importante da minha vida. É verdade que não deixei nada por fazer: fui a opens, provas internacionais, fiz show e nacionais. Nesse sentido, talvez seja mais fácil de aceitar porque não fiquei com o amargo do ‘faltou-me fazer isto’. Mas foi como dar um passo atrás e reorganizar as prioridades. Eu achava que a minha vida tinha de ser assim e não podia ser de outra maneira. Partir o braço fez-me procurar ter mais tempo para mim, para os meus amigos e perceber que isso também é correto. Não era um falhanço. Era uma escolha.”

Talvez seja assim com quase todas as más notícias. No primeiro momento, parecem impossíveis de suportar. Mas depois, aprendemos a viver com elas até se tornarem parte de nós.

Má notícia: o que ajuda nas primeiras horas

Receber uma má notícia deixa-nos, muitas vezes, sem saber o que fazer, nem a nós, nem a quem está ao nosso lado. A psicóloga Tânia Oliveira sublinha que a “qualidade da presença” é, nesses momentos, uma das coisas mais determinantes. “Muitas vezes, a pessoa que sofre não se vai lembrar exatamente do que lhe disseram, mas lembra-se de como foi tratada e o que sentiu. Comunicar uma má notícia não é apenas transmitir informação. É cuidar da pessoa no momento em que a sua perceção de segurança e futuro pode ficar profundamente abalada.”

Estes são alguns dos conselhos para quem recebe a má notícia e para quem quer ajudar.

Para quem recebe a má notícia:

  • Respirar devagar antes de tomar qualquer decisão importante;
  • Não se exigir uma reação “certa”: não existe;
  • Aceitar ajuda prática de pessoas próximas;
  • Evitar o isolamento absoluto nas primeiras horas ou dias;
  • Tentar dormir e comer, mesmo sem vontade;
  • Adiar as decisões irreversíveis sempre que possível;
  • Procurar apoio profissional se os sintomas piorarem ou se prolongarem.

Para quem quer ajudar alguém:

  • Estar presente sem pressionar;
  • Evitar frases como “vai ficar tudo bem” ou “tens de ser forte”;
  • Falar de forma calma e clara;
  • Respeitar silêncios;
  • Ajudar em tarefas práticas concretas;
  • Não comparar sofrimentos;
  • Continuar presente depois dos primeiros dias, quando quase todos desaparecem.

Também pode interessar-lhe

Está prestes a terminar a leitura deste artigo, mas não perca outros conteúdos da sua Revista Montepio.