Associados Montepio: agora também em cartaz

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á quem vá ao cinema para ver um filme. Em junho, um grupo de associados Montepio foi ao Porto para fazer parte de um. Entre a Ribeira, a Rua das Flores e os Clérigos, alguns associados entraram num plateau ao lado de Miguel Falabella e perceberam, ao vivo, que a diferença entre ver um filme e estar dentro dele é muito menor do que parece.

Um dia, somos convidados para a antestreia de um filme, através das Experiências Montepio. Noutro, estamos a caminhar ao lado de Miguel Falabella na tela gigante do cinema, com a possibilidade de ver o nosso nome a passar nos créditos finais. Para alguns associados Montepio, foi esta a experiência vivida num dia quente de julho de 2026. Tudo começou, como sempre começa, nas plataformas digitais da Associação. “Sou Associado Montepio e tenho a aplicação das Experiências Montepio”, conta Paulo Lima, um dos associados que se inscreveu. “Ando sempre a pesquisar atividades, e vou participando principalmente no cinema. Foi assim que vi este convite e me inscrevi.”

Filmado na cidade do Porto, o filme O Pecado Mora em Cima acompanha dois casais em momentos muito diferentes do casamento. Miguel Falabella e Marisa Orth interpretam o casal mais conservador da história, enquanto Pedro Carvalho e Inês Aires Pereira dão rosto ao casal mais aberto, que mora por cima. “É um terramoto naquela vida pacata dos dois”, revela Miguel Falabella à Revista Montepio. Mas será uma comédia ou um drama? “Eu acho que é uma dramédia”, resume o ator. “É um filme que fala muito aos corações e saímos da sala de cinema a pensar naquilo”, diz.

Grande parte da ação passa-se dentro do apartamento das duas personagens principais, mas, para situar o espectador na cidade, a produção gravou também exteriores em Vila Nova de Gaia, com vista para a Ribeira, e colocou Miguel Falabella a caminhar pela Rua das Flores e pela zona dos Clérigos, no Porto. Foi precisamente numa dessas cenas de rua que entrou o grupo de associados Montepio, chamados a fazer de figurantes.

“Tínhamos um coordenador de figuração, foram dadas todas as diretrizes, e os vossos figurantes portaram-se muitíssimo bem”, explicou o ator brasileiro. “Para mim, pareceram todos profissionais.”

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Do outro lado da câmara

A inscrição de Paulo Lima foi simples, feita diretamente através da aplicação, e a resposta chegou pouco depois a confirmar a participação. Associado Montepio há mais de três décadas, o instrutor de condução tornou-se mutualista por via prática, como complemento à aquisição da sua casa, tendo a relação associativa sido consolidada pouco depois, com a subscrição de uma modalidade de poupança para a reforma. “Achei piada fazer parte de um filme, deve ser das poucas coisas que me faltava fazer na vida”, conta.

A cena em que participou não ficou fechada à primeira. “Repetimos várias vezes. Ou porque passava um autocarro, ou porque depois surgia uma mota ou porque havia sempre alguém que se metia no meio. E ficámos ali, a andar de um lado para o outro”, recorda. Mesmo sem nunca ter representado antes, garante que o momento de ouvir “ação!” não trouxe grande nervosismo. “Simplesmente deixei-me levar. Não fiquei admirado com nada, mas também já vimos muitas vezes séries e documentários sobre bastidores, por isso não estava completamente a zero.”

Sobre o dia, Paulo Lima destaca o convívio que antecedeu o momento em que as câmaras começaram a trabalhar. “Estivemos numa esplanada a conversar com pessoas que não conhecíamos de lado nenhum. E parecia que já nos conhecíamos há muito tempo.” Esta é, talvez, a imagem mais próxima do espírito mutualista que o dia produziu. Durante algumas horas, um grupo que não se conhecia partilhou vivências, histórias e preparou-se para a estreia nos grandes ecrãs.

No final das gravações, Paulo Lima teve ainda a oportunidade de trocar algumas palavras com Miguel Falabella e tirar uma fotografia com ele. “Há gestos que dizem tudo. Só o facto de ele ter tirado a fotografia comigo, de me ter abraçado, isso diz tudo. Não é uma pessoa que está ali só por estar.”

Além do cinema, Paulo Lima é utilizador regular de outras Experiências Montepio. Já participou em iniciativas com o cantor João Pedro Pais, entre outras. O critério com que as avalia é sempre o mesmo: “São pessoas que se nota que vivem o momento com gosto.”

Quando O Pecado Mora em Cima estrear, Paulo Lima sabe que o seu momento no ecrã será breve. “A verdade é que eu só vou aparecer de costas”, admite, entre risos, antes de confessar uma pequena travessura no dia da rodagem. “Já que estava de costas, fui-me desviando um bocadinho para, pelo menos, me cruzar com o Falabella. Penso que se aparecer, pelo menos apareço a cruzar-me.” E ainda por cima, segundo lhe garantiram, numa das primeiras cenas do filme.

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A magia vista de perto

Se Paulo Lima viveu a experiência pelo lado do convívio, Dário Cruz viveu-a pelo lado da descoberta. Associado Montepio há seis anos, Dário viajou do Montijo até ao Porto por curiosidade pura. “Nunca tinha feito nada assim, nem imaginava como seria. Foi isso que me despertou a curiosidade”, conta. Aproveitou ainda para passar um fim de semana na cidade, juntando, como diz, “um tempo útil a outro agradável”.

Apaixonado pelo cinema, Dário nunca tinha estado do lado de dentro de uma rodagem, e admite que este dia mudou por completo a forma como olha agora para o ecrã. “O que mais me surpreendeu foi a quantidade de pessoas que é preciso coordenar em todas as áreas. Desde quem avaliava o dress code, até ao facto de terem cortado uma rua inteira do Porto”, descreve. Havia até regras sobre o que os figurantes podiam vestir: riscas, padrões e cores muito vivas estavam fora de questão, por interferirem com a imagem captada pela câmara.

Uma das cenas em que participou juntou cerca de 40 figurantes junto à Universidade do Porto, um número que, para quem nunca tinha estado numa rodagem, revela uma escala insuspeita a partir do resultado final no ecrã. “Não tinha noção do tempo que leva a filmar os mesmos planos em diferentes ângulos. É preciso repetir tudo sempre da mesma forma, e isso pesa no resultado final”, explica. Ao todo, foram três a quatro horas de filmagens, distribuídas por duas localizações: uma junto a uma livraria, outra na zona da Universidade.

O contacto com Miguel Falabella foi mais indireto do que o de Paulo Lima, mas não menos marcante. “Não cheguei a interagir diretamente, mas várias pessoas falaram com ele, e até pessoas de fora paravam para tirar fotografias. É uma pessoa superacessível”, refere.

Mais do que o dia em si, o que fica é a forma como a experiência mudou o seu olhar sobre cinema. “Vou reparar mais nos figurantes, nas personagens mais técnicas. Vou perceber que, às vezes, aquilo que parece uma cena completamente normal tem todo um enquadramento por trás.” Compara o momento a assistir a um truque de magia depois de saber como é feito. “Sabemos que é um truque, mas continuamos a gostar de o ver.”

“Vamos ver ou vamos participar?”

Para Miguel Falabella, este não é um encontro isolado com o público português. “Há 25 anos que venho regularmente a Portugal. Já fiz teatro em todas as terras, tenho essa intimidade com o público português, e um ADN de comédia que acho que conecta com todo o mundo”, diz o ator, recordando uma das primeiras vezes que veio ao país, ainda antes de gravar em solo português: uma entrevista no Porto e um passeio até Alcobaça, guiado por Manuel Luís Goucha. “Foi de uma grande educação comigo. É uma lembrança que não se apaga.”

Ainda assim, O Pecado Mora em Cima é o seu primeiro filme em solo português, depois de décadas de televisão e teatro no país. E é, também, mais uma etapa da parceria de décadas que mantém com Marisa Orth, com quem contracena desde o histórico Sai de Baixo. “Acho maravilhoso [trabalhar há tanto tempo com a Marisa]. São poucas as pessoas que têm essa oportunidade e, a certa altura, entendemos até a respiração do colega”, afirma, comparando-se à dupla Judi Dench e Ian McKellen, “que trabalharam juntos a vida inteira”.

Quando o filme estrear, a 15 de outubro de 2026, Paulo Lima e Dário Cruz vão sentar-se na sala como qualquer outro espectador. Só que, desta vez, sabem exatamente o que está por trás de cada plano que passa no ecrã. “Espero que a Associação me convide para a antestreia”, brinca Paulo. O Associado sabe que, da próxima vez que alguém disser “vamos ao cinema?”, talvez a sua resposta seja: vamos ver ou vamos participar?

Quem é Miguel Falabella?

A primeira vez que Miguel Falabella terá entrado nas televisões portuguesas foi como Renato, um snob preconceituoso que contrastava com os valores humanistas da sua família na telenovela Amor com Amor se Paga (1984). Logo ali ficou visível que Falabella era ator para outros voos, o que se confirmou dois anos depois, quando interpretou outro personagem marginal, Miro, em Selva de Pedra.

Participou ainda em referências de grande sucesso em Portugal, como Tieta (1989), mas foi no papel de Caco Antibes, na série Sai de Baixo, que conquistou o coração dos portugueses. E é essa fama que atravessa gerações: “Há uns tempos, estava no shopping português e havia um grupo de meninos de 12 anos que estavam a olhar para mim, e o pai dizia: ‘é ele, sim, é ele’”, explicou à Revista Montepio. A internet, garante Falabella, teve um papel importante nisso: “Manteve-nos vivos, manteve-nos atuantes.”

Em Portugal, lembra-se de ter sido entrevistado por Manuel Luís Goucha e por Herman José. “Fui ao talk show dele.” Depois, fez tournées de teatro “por todas as terras”, voltando agora, prestes a cumprir 70 anos, para se estrear na Sétima Arte em solo nacional.

No filme O Pecado Mora em Cima interpreta um professor de literatura portuguesa, e é essa personagem que explica porque é que a rodagem saiu do apartamento e foi parar às ruas do Porto. “É a abertura para a localização da vida desse homem”, explica Falabella. “Para localizar o mundo dele, gravámos desde Gaia, com uma vista para a Ribeira, até à Rua das Flores, no Porto.”

Sobre a história do filme, o ator resume-a assim: “É uma comédia muito interessante sobre a dificuldade de se estar junto e a dificuldade de se estar sozinho.” Dia 15 de outubro de 2026, conheceremos melhor a história escrita pelo também brasileiro, mas há muito radicado em Portugal, Edson Athayde.

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