odos os dias, muitos pais partilham fotos dos seus filhos nas redes sociais. Mas há perguntas que raramente fazem parte dessa decisão: quem vê estas imagens? O que fica delas daqui a 10 anos? E o que pensa a criança que um dia vai crescer e encontrar a sua infância arquivada online sem nunca ter sido consultada?
É sábado de manhã e um casal chega ao parque com o filho. A criança não tem mais de três anos e corre de imediato para o escorrega. Tropeça, tal é a excitação, levanta-se a rir e vira-se para os pais com um sorriso enorme, daqueles que desaparecem em segundos mas parecem durar para sempre. O telemóvel do pai já estava na mão. Click. No mesmo dia, a imagem seguia para as redes sociais, acompanhada por uma legenda simples: “O melhor da vida.”
A publicação, tal como o sorriso, foi feita em segundos. Mas também pode durar para sempre. Para muitos pais, as redes sociais tornaram-se uma extensão natural do álbum de família, onde as memórias se organizam por datas, viagens, aniversários e conquistas. Publicar passou a ser parte da forma como se conta a história de uma família. De facto, um estudo de junho de 2026 da Comissão de Proteção de Dados da Irlanda, elaborado em parceria com a sua congénere francesa, a CNIL, indica que três em cada quatro pais partilharam conteúdos online sobre os seus filhos no último ano.
Mas existe uma diferença fundamental entre os álbuns que enchiam as estantes dos nossos avós e os arquivos digitais que se constroem hoje. Antigamente, as fotografias eram folheadas em casa, partilhadas com familiares e amigos. Agora, vivem num espaço aberto e permanente e são replicadas, descarregadas e permanecem acessíveis muito depois de o momento que retratam ter passado.
Por isso, muitas crianças chegam ao primeiro dia de escola com uma presença online que começou antes de nascerem. Primeiro, a ecografia. Depois, a fotografia da maternidade. Seguem-se os primeiros passos, as festas de aniversário, o espetáculo da escola, as férias em família. Quase sem dar por isso, uma infância inteira pode ficar documentada nas redes sociais antes de a própria criança ter idade para compreender o que significa estar ali.
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A fotografia e o vídeo são formas de preservar a memória. As redes sociais acrescentaram-lhes uma nova dimensão: a partilha instantânea.
Hoje fotografamos mais, filmamos mais e mostramos mais do que qualquer geração anterior. Em 1999, segundo a empresa de imagem Kodak, foram tiradas cerca de 80 mil milhões de fotografias em todo o mundo, então um número recorde. Em 2025, esse número deverá ter chegado aos 2,1 biliões de fotografias, segundo o site Photutorial. Em apenas 25 anos, o número de fotografias tiradas anualmente multiplicou-se por mais de 26 mil.
João Simas, que há mais de uma década trabalha no desenvolvimento de jornadas do utilizador para plataformas digitais, considera que esta transformação também acompanha o modo como consumimos informação. “O crescimento do Instagram e Tiktok mostra que as pessoas preferem imagens e vídeos, com um consumo cada vez mais rápido e instantâneo. O Facebook, apesar de tudo, pode ser mais reflexivo porque admite a publicação de textos”, explica.
O telemóvel está sempre à mão e basta um toque para transformar um momento privado numa recordação acessível a dezenas, centenas ou até milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, as redes sociais aproximaram famílias separadas pela distância. Os avós acompanham o crescimento dos netos através das fotografias que recebem diariamente. Os amigos assistem, quase em tempo real, aos momentos importantes da vida uns dos outros. Para muitas pessoas, esta é precisamente uma das grandes vantagens da tecnologia: encurtar distâncias e manter ou reforçar laços que, de outro modo, poderiam enfraquecer. Mas a que preço?
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Sharenting: o que é e como pode afetar os seus filhos
Uma infância escrita pelos adultos
Há um conceito relativamente recente que ajuda a compreender esta realidade: sharenting. A palavra resulta da junção dos termos ingleses share (partilhar) e parenting (parentalidade) e descreve o hábito de publicar, de forma frequente, fotografias, vídeos e informações sobre os filhos. Mais do que uma tendência passageira, é um reflexo de como a parentalidade se transformou na era digital.
Ana Sofia Vera tem 48 anos e é mãe de dois filhos adolescentes, um rapaz e uma rapariga. Sempre publicou fotografias dos filhos, mas estabeleceu alguns limites: “As minhas contas estão abertas apenas para os meus ‘amigos’ digitais. Além disso, limito-me a partilhar fotografias nos aniversários, férias, Natal ou nalgum momento que considero especial. E os momentos mais descontraídos ficam guardados para nós, enquanto família.”
João Simas, também com 48 anos, tomou uma decisão diferente: “Decidi que não iria fazer publicações com os meus filhos logo no momento do nascimento da minha primeira filha. Assisti com espanto à forma como as pessoas colaboraram com as redes, abrindo a sua vida privada: os filhos, a sua casa, para onde vão.” Hoje tem três filhos, com 16, 14 e 10 anos, e mantém a sua decisão.
Ser pai ou mãe sempre implicou contar histórias sobre os filhos. A novidade é que essas histórias deixaram de ser contadas em reuniões de amigos, numa conversa ao telefone ou durante um almoço de família. Os pais escolhem as fotografias, escrevem as legendas, decidem quais os momentos que merecem ser mostrados e os que ficam fora do enquadramento. Registam viagens, brincadeiras, medos, vergonhas e episódios que, para eles, podem parecer apenas pequenas histórias de família.
Mas, ao fazê-lo, podem estar também a construir aquilo que será a primeira versão pública da identidade digital dos filhos, antes de estes terem idade ou capacidade para decidir o que querem que o mundo saiba sobre eles.
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O que acontece na Internet, fica na Internet
Quando se publica uma fotografia, pensa-se no presente. Se há uma criança envolvida, porém, raramente se pensa como ela olhará para esse conteúdo daqui a 10, 20 ou 30 anos. Sentirá orgulho por encontrar um registo tão completo da sua infância? Ou desejará que alguns momentos tivessem permanecido mais resguardados?
João Simas chama a atenção para uma das dimensões do problema: a pressão social para mostrar. “Parecia que estava fora do comportamento normal por não ter conteúdos relacionados com os meus filhos nas minhas redes. Alguma coisa se alterou no estatuto da vida social com estas transformações. Comparamo-nos constantemente com os influencers e as figuras públicas e com as outras pessoas que conhecemos. E esta comparação acaba por ditar a bitola do que pode, ou deve, ser partilhado. É demais? É de menos? Em vez de fazermos a única pergunta que interessa: ‘Por que vou publicar isto?’”
Há uma ideia que continua a acompanhar muitas das nossas decisões no mundo digital: a de que as publicações são efémeras. Afinal, o fluxo das redes sociais é tão rápido que uma fotografia de hoje será rapidamente substituída por outra amanhã.
“Nunca apaguei uma fotografia que tenha publicado. Acho que tive essa sorte. É verdade que costumo ponderar antes de o fazer e, olhando para trás, isso fez com que não tenha partilhado nada de que me viesse a arrepender”, recorda Ana Sofia Veran, que também é Associada Montepio.
Na verdade, aquilo que desaparece do ecrã nem sempre desaparece da Internet. Uma fotografia pode ficar armazenada nos servidores das plataformas durante muito tempo. Mesmo quando um conteúdo é apagado, é difícil garantir que deixou verdadeiramente de existir. “Uma conta privada não torna a partilha totalmente segura, porque quem recebe o conteúdo pode guardá-lo ou voltar a partilhá-lo”, adverte o Centro Nacional de Cibersegurança, coordenador do Consórcio para a Internet Segura. A proteção da conta dos pais faz, por isso, parte da proteção dos filhos: “Definir palavras-passe únicas, ter a autenticação de dois fatores ativada e não usar contas de redes sociais como forma de acesso a outros serviços são boas práticas. Uma conta comprometida pode expor uma parte significativa do arquivo de imagens da família”, explica o organismo à Revista Montepio.
Durante anos, a preocupação com as redes sociais esteve sobretudo relacionada com a privacidade. Hoje ganhou uma nova dimensão, a da perpetuidade.
“Tudo é um livro aberto, mesmo quando não o desejamos. No passado, cheguei a publicar fotos dos meus filhos com a farda da escola. Hoje não o faria, por questões de segurança”, confessa Ana Sofia Veran. E acrescenta: “Sempre tive muito cuidado na praia, por exemplo. Não sou adepta dos miúdos andarem muito despidos, mesmo em pequenos. Eu não colocaria fotografias nas redes nessas circunstâncias, mas não sei se alguém, ao lado, não se aproveita desse facto.”
Na verdade, a fotografia pode revelar mais do que aquilo que o autor da publicação pretendia mostrar. “Convém analisar se uniformes e logótipos escolares, números de porta, moradas ou locais habitualmente frequentados são visíveis. As fotografias transportam ainda metadados que podem incluir coordenadas geográficas, pelo que se recomenda desativar a geolocalização na câmara e a marcação de local nas publicações”, explica o Centro Nacional de Cibersegurança.
Deve ainda evitar-se divulgar nomes de escolas, horários, atividades extracurriculares ou a localização em tempo real. “A conjugação de informações dispersas permite traçar um retrato bastante completo do quotidiano de uma criança”, alerta o Centro.
“No passado, cheguei a publicar fotos dos meus filhos com a farda da escola. Hoje não o faria, por questões de segurança”
A IA entra na equação
Como em várias áreas da nossa vida, também na questão da privacidade e partilha de conteúdos a inteligência artificial (IA) tem cartas para dar. As imagens publicadas podem ser manipuladas de formas que, há poucos anos, seriam difíceis de imaginar. “Um dos riscos mais graves é a manipulação de imagens com fins sexuais. A UNICEF refere o uso crescente de deepfakes e nudification para produzir conteúdos sexualizados envolvendo crianças. A mesma tecnologia tornou-se acessível a adolescentes e o recurso a deepfakes como instrumento de cyberbullying entre pares é uma realidade crescente em contexto escolar. A Internet Watch Foundation identificou 3 443 vídeos de abuso sexual infantil gerados por IA só no ano de 2025”, adverte o Centro Nacional de Cibersegurança.
Para João Simas, esta transformação deve levar-nos a questionar a própria lógica das plataformas: “Se as redes sociais são proibidas a menores de 13 anos, por alguma razão há de ser. Os pais, por vezes, ultrapassam essa regra pela direita. O valor comercial da informação comportamental em tempo real é imenso. Nenhuma empresa ou instituição vai abdicar disso. As pessoas estão nesta máquina para serem consumidas.”
Há 15 anos, uma fotografia era apenas uma fotografia. Hoje, pode ser também um conjunto de dados, uma peça num perfil digital e, potencialmente, matéria-prima para tecnologias que ainda estamos a aprender a compreender.
Existe outra mudança silenciosa que este debate trouxe para o centro das atenções. As crianças são cada vez mais reconhecidas como cidadãos, com direitos próprios desde o dia em que nascem. Entre esses direitos estão a proteção da imagem, da privacidade e do desenvolvimento da sua personalidade. Na prática, isto significa reconhecer que uma criança, além de ser protagonista das memórias da família, é a futura autora da sua própria história.
Um bebé não pode decidir se quer aparecer num vídeo do seu primeiro banho de mar. “Enquanto pais, tomamos inúmeras decisões em nome dos filhos: o que comem, que desporto praticam, que crenças terão, as horas de sono de que precisam, que escola vão frequentar. Condicionamos a vida que nasce e está a crescer”, assume João Simas. “E também poderão deparar-se com imagens, vídeos, sons e vivências gravadas e públicas para sempre porque os pais assim o decidiram. Podem achar que determinadas publicações são intrusivas”, acrescenta.
A forma como os adultos expõem os filhos pode contribuir para moldar a perceção que os outros têm deles e, mais tarde, a própria relação que terão com a sua identidade digital. Por isso, à medida que crescem e adquirem capacidade para compreender as consequências das escolhas, o consentimento pode ser introduzido progressivamente na educação.
“Há anos que pergunto aos meus filhos se posso postar uma fotografia antes de o fazer. Eles já têm idade para decidir e dar-me essa autorização”, explica Ana Sofia Veran. Mas esta prática ainda não está generalizada. Um estudo da Comissão de Proteção de Dados da Irlanda revela que 40% dos inquiridos nunca, ou apenas raramente, pediam o consentimento da criança antes de publicarem conteúdos sobre ela. Perguntar “Posso publicar esta fotografia?” é um gesto pequeno, mas transmite uma ideia importante: as decisões que nos afetam também devem contar com a nossa opinião.
Envolver os filhos nas decisões sobre o que deve, ou não, ser partilhado tem uma outra vantagem: a educação. Ana Sofia Veran dá o exemplo dos próprios filhos: “A minha filha mais velha, já com 19 anos, tem Instagram. Mas como sempre a envolvemos nestas tomadas de decisão, ela tem consciência de que, ‘uma vez na rede, para sempre na rede’, como se costuma dizer.” O filho, de 14 anos, “ainda não se interessou em ter redes sociais”. A idade também conta, mas, pelo sim, pelo não, continuam a envolvê-lo nas decisões sobre o que deve ser publicado.
É por isso que o arquivo digital de uma criança não deve ser encarado como algo definitivo. “É recomendável rever regularmente as publicações já partilhadas e eliminar fotografias, vídeos ou informações sobre a criança que o adulto ou a própria criança já não se sintam confortáveis em manter online”, recomenda o Centro Nacional de Cibersegurança. Porque aquilo que hoje parece uma recordação inofensiva pode, daqui a alguns anos, significar algo completamente diferente para quem aparece na fotografia.
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Uma infância que também lhes pertence
A quem pertence uma infância? À família, certamente. As recordações, as histórias e as fotografias ajudam a construir uma memória comum. São parte daquilo que une pais, filhos, avós e irmãos. Mas essa infância pertence também, e sobretudo à medida que cresce, à criança que um dia será adulta.
Cada fotografia publicada é uma pequena decisão tomada em nome dessa pessoa futura. Deixar espaço para que cada criança possa construir, mais tarde, a sua própria narrativa é um sinal de respeito pela individualidade e os seus direitos. As gerações anteriores tiveram, sem o saber, o privilégio de guardar muitas dessas memórias dentro do contexto familiar. Hoje, muitas dessas recordações podem escapar desse espaço quase no instante em que são criadas.
Os nossos pais preocuparam-se em ensinar-nos a atravessar a estrada, a não falar com estranhos ou a andar de bicicleta em segurança. A geração de hoje tem uma tarefa adicional: ensinar os filhos a viverem num mundo onde a identidade digital começa a construir-se muito antes de terem idade para decidir acerca dela.
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Visibilidade, mas até onde?
Se partilhar a fotografia de uma criança exige responsabilidade, essa torna-se maior quando a imagem é publicada por uma instituição. Afinal, uma coisa é um pai decidir mostrar um momento da vida do filho. Outra é uma organização escolher tornar essa imagem visível perante um público mais alargado. Onde começa, então, o dever de proteção? E como se encontra o equilíbrio entre dar visibilidade e preservar a privacidade?
“Sempre que está prevista a recolha e utilização de imagem ou voz de crianças ou jovens, para fins de comunicação, é solicitada autorização prévia dos respetivos representantes legais através de documentos de consentimento adequados a cada iniciativa”, explica Maria Ângela Gomes, gestora de comunicação do Montepio Associação Mutualista. Depois da autorização, vem a escolha. “Somos muito criteriosos na seleção das imagens, limitando a exposição individual das crianças.”
O critério não muda consoante o contexto, muda apenas o grau de exigência. “Relativamente a uma iniciativa como o passatempo #MyStage, a exigência é significativamente maior porque implica a divulgação das atuações dos participantes, dos cinco finalistas apurados e do vencedor.” O critério, esse, é sempre o mesmo. “O bem-estar e o superior interesse das crianças e jovens, o que se reflete no conteúdo, na seleção dos canais, nos formatos e nas formas de interação”, assegura Maria Ângela Gomes.
A comunicadora admite que existe uma tensão real entre mostrar e proteger, entre a vontade legítima de valorizar o talento e a experiência positiva dos participantes e a responsabilidade de os proteger. Mas recusa que sejam objetivos opostos. “Uma comunicação responsável não é a que maximiza a exposição; é, antes, a que promove valor sem comprometer a segurança, a privacidade ou o bem-estar dos participantes.” E, sempre que a dúvida se coloca, a decisão já está tomada de antemão: “O superior interesse da criança ou do jovem prevalece.”
Para uma associação mutualista cuja missão sempre foi proteger as famílias, este cuidado é a continuação de um compromisso antigo. “Proteger a imagem e os dados das crianças e jovens é uma extensão natural da missão histórica do Montepio Associação Mutualista, de promover o bem-estar e a segurança das famílias ao longo dos seus ciclos de vida.”
Por isso, mesmo quando comunica sobre crianças e jovens, o Montepio Associação Mutualista dirige-se sempre a quem decide por eles, sejam os pais, os educadores ou os representantes legais. E essa responsabilidade, aliás, não se limita ao que a lei exige. “O bom senso é essencial, mas não é suficiente”, afirma Maria Ângela Gomes, enquanto acrescenta que comunicar de forma responsável, hoje, “implica contribuir para a literacia digital de crianças e jovens e para a das respetivas famílias, promovendo uma maior consciência sobre privacidade, utilização de dados pessoais e exposição online”.
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Cuidar também é saber esperar
Há uma palavra que nem sempre está associada à tecnologia, mas que urge resgatar: a prudência. “Mais do que proibir, importa promover uma utilização consciente, informada e responsável das redes sociais, colocando sempre a segurança e o bem-estar dos menores em primeiro lugar”, defende o Centro Nacional de Cibersegurança. Algumas memórias ganham valor precisamente porque permanecem dentro de casa. Os filhos não são apenas protagonistas das histórias que os pais contam. São também os autores das suas próprias histórias.
“Se daqui a 10 ou 20 anos os meus filhos olharem para aquilo que publiquei deles, gostaria que tivessem um mini-álbum de recordações de viagens, dos momentos felizes entre amigos e família, da sua evolução e crescimento. Lidamos com coisas tristes todos os dias. Isso não precisa de ficar registado. Prefiro que tenham um catálogo de bons momentos e boas memórias”, afirma Ana Sofia Veran.
No futuro, continuarão a existir vídeos e fotografias. O que dificilmente mudará será a necessidade de proteger aquilo que cada criança tem de mais precioso: a possibilidade de decidir como quer ser vista pelos outros.
3 pergunta antes de postar fotos dos filhos
Antes de publicar um conteúdo do seu filho na Internet, faça a si próprio estas três perguntas, recomenda o Centro Nacional de Cibersegurança.
1. É mesmo necessário publicar?
Questione sempre se a publicação é realmente necessária e quais as consequências que poderá ter para a criança, agora e no futuro. O que é colocado online pode permanecer disponível durante muitos anos. Em caso de dúvida ou de incidente, as famílias podem recorrer à Linha Internet Segura (800 210 090). Esta linha dispõe de apoio técnico especializado, de um mecanismo de denúncia anónima de conteúdo ilegal online e de um chatbot confidencial, com respostas fundamentadas na lei portuguesa e nas orientações de apoio à vítima da APAV.
2. O que revela essa imagem?
Veja tudo o que uma fotografia revela: rosto, nome, escola, casa, localização, horários e rotinas podem transformar uma fotografia aparentemente inocente num conjunto de informações identificáveis. Verifique também a sua geolocalização, o público e as definições de privacidade. Evite divulgar esses dados e utilize definições de privacidade restritivas, revendo-as regularmente.
3. A criança vai sentir-se confortável com isto?
Pergunte-se se aquele conteúdo respeita a dignidade, segurança e privacidade da criança. Sempre que possível, especialmente no caso de crianças mais velhas, envolva-as na decisão de partilhar, ou não, a sua imagem.