“Avaliar o impacto social é um exercício de humildade e de democracia”

Em Portugal, há ainda muito a fazer em matéria de avaliação de impacto social. O alerta é de Paula Guimarães, diretora da Fundação Montepio.
Artigo atualizado a 15-12-2020

O que é a Comunidade Impacto Social? A quem se destina?

A Comunidade Impacto Social é uma iniciativa de um conjunto de parceiros (CASES, Fundação Montepio, 4change e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa) que pretende sensibilizar a economia social portuguesa para a importância de medir e demonstrar a mudança efetiva que a sua ação provoca nas comunidades. Destina-se, por isso, às entidades de economia social que desenvolvem projetos sociais.

Em 2017, o mote do Fórum Impacto Social, principal lugar de encontro da Comunidade Impacto Social, é “Impacto e Políticas Públicas”. Porquê este tema?

O objetivo é envolver o setor público nesta cruzada de mudança de atitudes e de mentalidades. Se o poder público que constitui a tutela não se tornar mais exigente e não exigir a avaliação de impacto às organizações, este nunca será um tema prioritário. Por outro lado, é fundamental que esta preocupação de avaliar o impacto também esteja presente no desenho das opções políticas e nas medidas governamentais implementadas.

A necessidade de avaliação de impacto dos projetos sociais tem vindo a crescer nos últimos anos. Porquê?

Porque não chega dizer que se atua em benefício das populações. É fundamental demonstrá-lo, para obter outros financiamentos, para corrigir os percursos e para garantir que estamos, de facto, a satisfazer as necessidades das pessoas.

Quais as vantagens da avaliação de impacto para as organizações sociais?

Principalmente, sabermos se vale a pena, se estamos a investir corretamente e se estamos a atuar da forma adequada para resolver os problemas sociais complexos que nos afetam. Avaliar o impacto social é um exercício de humildade e de democracia, é saber questionar a praxis e envolver nesse processo todas as partes interessadas. Ao avaliar, podemos corrigir estratégias, melhorar processos de gestão, reconhecer competências e fraquezas.

Qual é a situação de Portugal em matéria de avaliação de impacto?

Ainda está muito por fazer e por isso estamos tão focados na continuidade e no engrandecimento deste projeto [Comunidade Impacto Social], único em Portugal. É preciso convencer as instituições, os financiadores, toda a sua cadeia de valor e os próprios clientes para a necessidade de incorporarem a avaliação de impacto nas suas práticas. Sem esta perspetiva corremos o riso de eternizar respostas e processos que estão ultrapassados sem conseguirmos atingir a inovação que tanto desejamos.

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