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“O mundo empresarial privado deve perceber que se tem de ajudar com eficiência”

O apelo às empresas foi lançado por Fernando Amaro, Diretor de Economia Social do Banco Montepio, na quarta edição da feira Portugal Economia Social, que aconteceu no Centro de Congressos de Lisboa e que debateu o empreendedorismo e a inovação social.

“Ajudar com propósito, com impacto, não é dar um donativo por dar, simplesmente para colocar no nosso relatório de sustentabilidade, para benefícios fiscais ou ficar bem na fotografia junto da comunidade. O mundo empresarial privado deve perceber que se tem de ajudar com eficiência e que cada euro que é investido tem de gerar impacto social”, defendeu Fernando Amaro na sua intervenção no painel de “Financiamento e investimento para a inclusão social”, que se realizou no primeiro dia (10 de dezembro) do certame.

“Como entidade financeira, tentamos ajudar, financiando. Isto porque o financiamento também é um instrumento de investimento responsável, o que significa que estes projetos têm de ter viabilidade financeira. As instituições têm de ter a capacidade de dar esse próprio retorno. Para tal, têm de olhar para os próprios projetos e torná-los sustentáveis, não subsídio-dependentes. Temos de ser mais independentes, autossustentáveis, ter a capacidade de gerir as nossas instituições, de fazer bem, de forma sustentável”, considerou o responsável do Banco Montepio.

Para que os projetos sociais sejam sustentáveis, gerem impacto e sejam replicáveis é essencial haver inovação e empreendedorismo social e ter ainda um ecossistema de apoio. Um caminho que tem sido percorrido por todos os atores da economia social, incluindo o Banco Montepio, e para o qual muito tem contribuído a iniciativa Portugal Inovação Social.

“O Montepio tem este interesse dentro da área da economia social já há muito tempo, tendo em conta a sua natureza de âmbito social, que parte de uma mutualidade”, continuou.

Nesse sentido, explicou Fernando Amaro, o Banco Montepio começou a ajudar naquilo que foram projetos de cocriação, de inovação, antes de chegar às incubadoras. Depois, passou à segunda fase, de “perceber que existem projetos com potencial para ir mais além, de serem postos em prática, de saírem do papel, do Excel, com sustentabilidade não apenas financeira, mas do próprio projeto em si, capazes de gerar aquilo a que chama impacto, fazer a diferença [na vida das pessoas]”. Seguiram-se as aceleradoras (incubadoras mais complexas).

“Este ano [2019], já investimos mais de dois milhões de euros em projetos de microcrédito. Conseguimos gerar mais de 180 empregos e apoiar 177 projetos. Isto também é um processo de inovação e empreendedorismo social”, sublinhou.

Mais recentemente, o Banco Montepio juntou-se à Santa Casa da Misericórdia numa iniciativa que visa promover a dinamização do investimento social, através do financiamento a projetos que representem respostas inovadoras aos desafios societários e permitam combater as várias formas de segregação social e que sejam candidatos aos programas “Parcerias para o Impacto” e “Títulos de Impacto Social”, ambos instrumentos de financiamento da Portugal Inovação Social.

“A Santa Casa lançou-nos este desafio e nós alinhámos sem qualquer tipo de dúvidas”, confessou Fernando Amaro.

A iniciativa “Projetos de Impacto” dispõe de 1,35 milhões de euros, 900 mil euros da Santa Casa e 450 mil euros do Banco Montepio. Uma parceria que torna as duas entidades nas maiores investidoras sociais do país.

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