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“Prémio Voluntariado Jovem Montepio é único em Portugal”

Nos próximos dias 18 e 19 de janeiro, o Prémio Voluntariado Jovem Montepio volta a distinguir, promover e divulgar o voluntariado jovem. Conheça todos os detalhes da 8.ª edição do prémio.

A 8.ª edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio tem duas novidades face à edição anterior. Realiza-se num local diferente – em Gondomar, no Porto – e é mais inclusiva – uma das quatro equipas escolhidas é da Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente – AFID.

Em entrevista ao Ei, Joaquim Caetano, do Gabinete de Responsabilidade Social da Associação Mutualista Montepio, explica todos os pormenores da 8.ª edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio.

Está prestes a realizar-se mais uma edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio. O que podemos esperar?

Esta edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio apresenta algumas diferenças face à última. O prémio vai realizar-se noutro local, em Gondomar, e no próximo ano será também noutra localidade. A ideia é a de disseminar o prémio por todo o país, incluindo nas Regiões Autónomas.

Segundo o regulamento do Prémio Voluntariado Jovem Montepio, cabe à instituição vencedora organizar a edição seguinte, o que permite variar anualmente a localidade da realização da iniciativa. A entidade vencedora da última edição foi a Associação de Proteção à Infância Bispo D. António Barroso, localizada no Porto.

Por que razão, então, o prémio não se realizará na cidade do Porto?

Ao longo do ano passado percebemos alguns problemas no território da associação. Com o crescimento abrupto do turismo na zona história do Porto tem-se verificado fenómenos graves de gentrificação* que afetam a população aqui residente. Muitos moradores têm sido obrigados, por questões económicas, a abandonar as suas habitações. Atualmente, o local é ocupado sobretudo por turistas e comunidade migrante. Estas alterações na composição do território significam novos desafios na definição de estratégias de desenvolvimento local.

O centro de acolhimento da associação tem como missão “acolher, proteger, formar e educar crianças/jovens em situação de risco, bem como uma integração pessoal/profissional e familiar que contribua para qualificação da sua autonomia pessoal, social e económica”, não realizando projetos ou ações prolongadas na comunidade envolvente que, como referido, tem assistido à redução do seu número de habitantes.

Em 2019 não haverá, neste território, parceiros com intervenção na comunidade migrante, sendo que o “Escolhas” – atual interlocutor – não se irá recandidatar à nova geração – 2019/2022.

Nesse sentido, convidámos o Centro Social de Soutelo para desenvolver, em conjunto com a Associação de Proteção à Infância Bispo D. António Barroso, um projeto que cumprisse com os critérios do regulamento do Prémio Voluntariado Jovem Montepio. E, desta forma, surgiu a possibilidade de a intervenção ser no Conjunto Habitacional do Mineiro, em São Pedro da Cova, Gondomar.

Esta edição será diferente, também, porque vai contar com uma equipa da AFID, que competirá de igual forma com as restantes três equipas das Instituições convidadas.

Há alguma novidade face à última edição ou vão aplicar o modelo testado no Bairro da Serafina, em Lisboa, com uma vertente mais prática?

O modelo é o mesmo do ano passado. É um modelo que funciona na plenitude e está adequado ao projeto de voluntariado desenvolvido pelo Grupo Montepio, que é o trabalho direto com as comunidades.

Quais são as instituições convidadas e que desafios vão ter de superar?

As entidades convidadas para participar no Prémio Voluntariado Jovem Montepio são

  • Instituto Madre Matilde (Póvoa do Varzim);
  • Casa dos Rapazes (Viana do Castelo);
  • AFID (Lisboa);
  • Cooperativa RUMO (Barreiro).

Estas entidades estão relacionadas diretamente com os jovens e as suas preocupações sociais, inseridas num determinado contexto comunitário.

As organizações devem responder a um problema social ou a uma oportunidade de criação de valor social num determinado território de uma freguesia, neste caso em concreto no território do Conjunto Habitacional do Mineiro, de São Pedro da Cova.

Primeiro dia

No primeiro dia as equipas das organizações selecionadas serão desafiadas a construir um diagnóstico coletivo a partir da observação e análise da realidade do território de intervenção, apoiando-se em ferramentas e metodologias de diagnóstico devidamente compreendidas em contexto de formação.

Segundo dia

O segundo dia será dedicado à construção de projeto, que deverá resultar do trabalho de diagnóstico feito em equipa, responder a um problema/oportunidade claramente identificado e apoiar-se em ferramentas de análise e construção de projeto.

Durante os dois dias de trabalho, as equipas serão acompanhadas por um mentor, que apoiará os jovens na construção do projeto e na sua apresentação.

No final do encontro, as equipas apresentarão os seus projetos perante um júri, que escolherá a proposta vencedora. Esse projeto vencedor poderá ser posteriormente implementado no território com o apoio das organizações locais e do Montepio.

Quais os grandes desafios que o Conjunto Habitacional do Mineiro coloca?

Os grandes desafios têm concretamente a ver com o tipo de comunidade que compõe o Conjunto Habitacional do Mineiro, de São Pedro da Cova, nomeadamente:

  • Apresenta um maior número de jovens com vontade para participar em diferentes iniciativas;
  • Tem um trabalho ongoing já iniciado pelo Projeto Trilhos de Ouro 6G, com grupos de jovens do território;
  • Possui um tecido institucional diversificado e implicado com o bairro.

Que objetivos pretendem atingir com esta edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio?

Pretendemos estimular a criação de projetos inovadores de voluntariado jovem, promover o empreendedorismo em prol do voluntariado, estimular o conhecimento e a formação sobre voluntariado, melhorar a qualidade de vida das comunidades e potenciar o trabalho entre entidade de cariz público, privado e da sociedade civil.

Quais são os prémios para os vencedores e quais os jurados deste ano?

Cada uma das quatro organizações participantes no Prémio Voluntariado Jovem Montepio receberá 1 000 euros, como prémio de participação. A cada jovem é entregue um cartão de 100 euros para os seus gastos pessoais.  A organização vencedora receberá mais 500 euros.

O júri será constituído por:

  • Três representantes do Montepio;
  • Um representante da Fundação Aga Khan;
  • Um representante da Direção da Associação de Proteção à Infância Bispo D. António Barroso;
  • Um representante da Direção do Centro Social do Soutelo;
  • Um representante da Junta de Freguesia de Rio Tinto;
  • Um morador do território de intervenção.

O que representa o Prémio Voluntariado Jovem Montepio para a Fundação Montepio?

Trata-se de um prémio único em Portugal e que de forma singela aproxima os mais jovens da temática do voluntariado. Além disso, permite um novo olhar para as comunidades onde os jovens se inserem.

Que balanço faz destes últimos oito anos?

O balanço é muito positivo. O grande desafio deste prémio é obrigar-nos constantemente a inovar, recriar e reinventar formas e processos de trabalho e a incentivar os jovens a envolverem-se com uma temática tão rica como é o voluntariado.

Já existem planos para a próxima edição?

Estamos a pensar alargar o Prémio Voluntariado Jovem Montepio às Regiões Autónomas. É bem possível que uma das entidades convidadas seja oriunda da Madeira ou dos Açores.

O nosso objetivo é sempre o mesmo, fazer do voluntariado um elo social que una as pessoas, pois o Montepio é uma Instituição de pessoas que trabalha para as pessoas.

 

* Fenómeno de valorização imobiliária em áreas urbanas deterioradas, através da vinda de residentes abastados e saída de residentes com baixos rendimentos

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