Serviços partilhados: Como poupar numa associação

A Clip é a prova que hábitos de partilha e cooperação entre associações dão bons frutos. Conheça o seu trabalho e como têm contribuído para o desenvolvimento desta comunidade.

Num pequeno espaço na zona da Alta de Lisboa, uma entidade mostra, no terreno, as vantagens da cooperação, da participação e da partilha. Chama-se CLIP, funciona como um agregador de várias entidades e ajuda a poupar numa associação. Tal como um clip que une papéis, a organização junta várias associações – da Alta de Lisboa e não só – e representa um verdadeiro trampolim de resiliência para estas entidades.

“O CLIP nasceu como uma plataforma de recursos para ser um apoio às associações”, começa por explicar Irene Pinto, uma das vice-presidentes da entidade. Mas, mais do que isso, a iniciativa é pioneira em termos de modelo de funcionamento e dos recursos à disposição dos seus 72 associados (que podem ser associações, associados individuais, entidades privadas e entidades públicas – como a câmara municipal de Lisboa ou a GERBALIS).

Principio da cooperação para poupar numa associação

Para começar, o CLIP “assenta numa lógica de governança partilhada, em que todos os intervenientes têm iguais direitos, iguais deveres, iguais opiniões”, reforça a presidente da direção, Bárbara Oliveira. E, a partir deste princípio, nasce um ambiente de participação e cooperação no cerne da entidade. Além das reuniões de direção alargada (com todos os associados), mobilizam-se grupos de trabalho e ouve-se a experiência do conselho consultivo, no qual participam entidades como a Universidade Católica, o GRACE ou a Fundação Aga Khan. Todos dão um pouco do seu tempo “para fortalecer cada uma das organizações” participantes, resume Bárbara Oliveira.

As verdadeiras poupanças surgem, no entanto, nos recursos partilhados entre todos. Num modelo de sustentabilidade, esta partilha ajuda cada uma das associações do CLIP a sobreviver num contexto económico difícil. A começar pelo próprio espaço onde funciona a entidade e que pode ser usado pelos vários associados. “É, sobretudo, para entidades que ainda não têm estrutura ou para as quais não faz parte dos planos ter uma sede física”, adianta a presidente da direção. Além disso, a sede do CLIP inclui um cybercafé, salas de reunião e até cacifos, também ao dispor dos associados.

Partilhar em vez de comprar

Além do acesso ao espaço físico, o CLIP providencia ferramentas na área da formação e capacitação dos seus associados. A entidade dinamiza, periodicamente, um Consultório Fiscal, um Consultório de Imagem e um Consultório de Marketing Digital, para evitar que as várias associações tenham que arcar com estes custos de forma isolada. “Muitas destas organizações não têm possibilidade de ter um contabilista mensalmente e, assim, podem ir tirar dúvidas e aprender a organizar a própria contabilidade”, exemplifica Bárbara Oliveira.

Em paralelo, existem cursos e workshops a decorrer frequentemente, uma newsletter sobre financiamento e o apoio à elaboração de candidaturas a financiamento. A lógica é, muitas vezes, circular: são os próprios associados que dão formação, na sua área de competências, a outros associados, para fortalecer quem trabalha com a comunidade.

A dimensão da partilha é mais visível, no entanto, na plataforma de recursos que o CLIP gere. Entre mais de 100 recursos disponíveis, há um pouco de tudo para o dia-a-dia das associações.

A título de exemplo, é possível requisitar:

  • Uma panela de grandes dimensões para uma festa comunitária;
  • Um sistema de som;
  • kits de pinturas faciais;
  • Uma máquina de fazer crachás ou um projetor.

“Vale a pena cada uma das associações ter um projetor? Não faz qualquer sentido, e nem é só por uma questão financeira”, argumenta a presidente da direção.

Clip: a “moeda” de troca

Para agilizar tudo isto, o CLIP instituiu também uma moeda social entre os seus associados: os clips. O aluguer dos recursos da plataforma é feito mediante estes clips. “Numa lógica de partilha, de dar ao CLIP para poder usufruir da plataforma de partilha de recursos”, conta Bárbara Oliveira. Os associados recebem clips em função dos contributos dados à comunidade. Por exemplo, uma associação da Alta de Lisboa integrada no CLIP pode dar uma formação voluntária aos outros associados. Em troca recebe clips na sua conta. Com essa “moeda” poderá requisitar um sistema de som na plataforma de recursos para um evento que esteja a planear.

A importância de dar o exemplo

“Há entidades que vêm de Sintra, de Cascais ou de Oeiras para pedir emprestado materiais ou equipamentos. Isso mostra que o que fazemos corresponde, de facto, a uma necessidade”, sublinha Inês Bastos, associada individual do CLIP e técnica de desenvolvimento comunitário do programa K’Cidade, na fundação Aga Khan.

O trabalho em conjunto tem também outros benefícios, além dos financeiros: uma voz mais forte. Como explica Inês Bastos, “o CLIP acaba por estar representado nalgumas estruturas mais intermédias, como o Grupo Comunitário da Alta de Lisboa, o que permite dar força a estas associações e entidades, ilustrando a importância deste tipo de estruturas para as organizações de menor dimensão”.

O valor do CLIP no setor da economia social é tal que “já surgiram réplicas, depois de terem vindo aqui beber desta experiência”. É a prova que a partilha e cooperação entre organizações funciona e tem resultados concretos: novas competências e menores custos. Por ano, cada associado paga 25 euros. Um custo que se transforma num ganho sem precedentes, sobretudo para associações mais pequenas. É, portanto, um exemplo a replicar… e a partilhar.

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