Proteger o rendimento da família: de quanto precisa?
Proteger o rendimento da família significa garantir que as despesas continuam a ser pagas, mesmo que por morte ou invalidez se perca uma parte relevante do rendimento familiar. Não existe um valor único: o capital de proteção necessário depende do rendimento que se perderia, dos anos a cobrir e da poupança que já tem. A calculadora deste artigo prevê agregados com um ou dois rendimentos e estima o capital em falta a partir dos seus próprios números.
Saiba como proteger o rendimento da sua família e use a nossa calculadora para estimar o capital em falta, para que ninguém fique exposto se faltar um rendimento.
O salário entra todos os meses e raramente paramos para pensar nisso. Paga a renda ou a prestação da casa, o supermercado, a escola, a luz, as telecomunicações, …. Em muitas casas, há mais do que um rendimento a sustentar este equilíbrio.
Ninguém gosta de pensar no que aconteceria se uma parte relevante do rendimento familiar se perdesse, por morte ou invalidez. Ou em quanto tempo aguentava a família. E de quanto precisaria para não ficar exposta.
Proteger o rendimento da família é responder a essa pergunta com um número. Neste artigo, mostramos como encontrar esse número, com uma calculadora que prevê agregados com um ou dois rendimentos e em que pode usar apenas os seus dados. No fim, fica a saber qual é o capital de proteção que faz falta na sua situação.
O que significa proteger o rendimento da família
Proteger o rendimento da família é assegurar que a casa mantém capacidade para suportar as despesas essenciais mesmo quando quem traz uma parte relevante do rendimento deixa de o poder fazer. Acontece sobretudo em dois cenários permanentes: em caso de morte ou de invalidez que impeça de trabalhar.
Há um detalhe importante: muitos agregados têm mais do que um rendimento. Nesses casos, o imprevisto costuma ser perder um dos rendimentos, não todos ao mesmo tempo. O outro rendimento pode manter-se e continuar a pagar as contas. Por isso, o que é preciso proteger é a parte que se perderia, não o rendimento global.
Numa família com um só rendimento, a conta é mais simples, mas o princípio é o mesmo. Em qualquer dos casos, o primeiro passo é deixar de tratar isto como um receio vago e transformá-lo num número concreto. É isso que vamos fazer a seguir.
Quanto tempo aguenta a poupança? O ponto de partida
Antes de pensar em capital, convém saber quanto tempo a poupança que já tem conseguiria segurar as despesas. É a almofada de curto prazo, o chamado fundo de emergência.
Se quiser começar por aí, temos uma ferramenta dedicada a essa conta: o simulador de quanto tempo consegue viver com o seu fundo de emergência. Em poucos passos, mostra quantos meses a sua poupança aguentaria.
Em muitas famílias, a poupança cobre apenas alguns meses de despesas. E é exatamente essa a diferença que importa perceber. Um fundo de emergência resolve uma quebra curta de rendimento. A perda permanente do rendimento principal exige algo de outra dimensão, que tem de medir-se em anos.
Do tempo ao capital: quanto faria falta de verdade
Se a poupança dura meses e a necessidade potencialmente dura anos, fica uma pergunta: que montante substituiria o rendimento perdido durante o tempo em que a família precisa de ser protegida?
Há várias formas de estimar este valor, e não existe um método único. Uma das mais simples e transparentes é o método de substituição de rendimento. A lógica é direta:
Capital em falta = (rendimento mensal a substituir × 12 × anos) − poupança − proteção existente
O rendimento a substituir é o da pessoa que deixaria de gerar rendimento, não o rendimento global da casa. Esta distinção é importante num agregado com dois rendimentos.
Vamos olhar para um exemplo
Imagine uma família com dois rendimentos, de 1 200 euros e de 1 000 euros, num total de 2 200 euros por mês.
Imagine que falta o rendimento de 1 200 euros, mantendo-se o de 1 000 euros. O capital para substituir o que se perdeu, durante dez anos, seria 1 200 × 12 × 10, ou seja, 144 000 euros. [Cálculo: 1 200 × 12 = 14 400 por ano; 14 400 × 10 = 144 000 euros.]
A esse valor tem de se subtrair o que eventualmente já tenha reservado para o efeito. Com 8 000 euros de poupança e 20 000 euros de proteção já contratada, sobram 116 000 euros. [Cálculo: 144 000 − 8 000 − 20 000 = 116 000 euros.] Esse é o capital em falta, o número que interessa.
Este cálculo é uma estimativa simplificada e não substitui uma análise financeira ou atuarial completa. Não inclui a inflação nem o rendimento de eventuais investimentos, que tendem a puxar em sentidos opostos. Serve como ponto de partida.
Calcular o capital de proteção em falta
A calculadora a seguir faz esta conta por si. Indique os rendimentos da casa, um ou dois, os anos que quer proteger, a poupança que tem hoje e o capital de proteção que já tenha.
Calcule o capital de proteção em falta
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Rendimentos do agregado
Rendimento mensal de quem traz o maior rendimento, ou o único, se for esse o caso.
Deixe em branco numa família com um só rendimento. Se for variável, use uma média.
Poupança disponível
Inclui o fundo de emergência e outras poupanças que possam ser usadas.
Proteção que já tem
Seguro de vida, modalidades de proteção já contratadas, entre outros.
Período a proteger
Por exemplo, até os filhos ficarem independentes ou pagar um crédito.
Se faltar o rendimento principal
Se faltar o rendimento secundário
Esta é uma estimativa pelo método de substituição de rendimento, uma entre várias formas possíveis de fazer esta conta. Calcula o capital para substituir, durante os anos indicados, o rendimento que se perderia se uma das pessoas deixasse de o poder gerar. O outro rendimento do agregado continua e, por isso, não é descontado. Usa valores constantes. Não considera a inflação nem o rendimento de investimentos. Não inclui apoios do Estado, como a pensão de sobrevivência ou de invalidez, que, quando aplicáveis, podem reduzir a necessidade de proteção adicional. Serve como ponto de partida para uma decisão informada.
Para cada rendimento, a calculadora mostra o capital que faria falta se essa pessoa deixasse de o poder gerar. Os pressupostos ficam escritos na própria ferramenta, por transparência: substitui apenas o rendimento que se perderia, mantém o outro, usa valores constantes, e não conta com apoios do Estado. Quando aplicáveis, estes apoios podem reduzir a necessidade de proteção adicional, como veremos a seguir.
O que já joga a seu favor
Pode haver recursos que reduzem o capital em falta antes de pensar em qualquer proteção adicional.
O primeiro é a poupança que possa ter, incluindo o fundo de emergência. O segundo são os apoios da Segurança Social. Em caso de morte, a família pode ter direito à pensão de sobrevivência e, em caso de invalidez, pode ter direito à pensão de invalidez.
Há um ponto a sublinhar: estes apoios existem, mas costumam ficar bastante abaixo do rendimento anterior, e nem todas as famílias têm direito aos mesmos valores. Essa informação tem de ser confirmada junto da Segurança Social. Por isso, faz sentido medir a lacuna: é a diferença entre o que já está coberto e o que a família precisaria mesmo.
Quando a poupança não chega: a rede coletiva
Chega-se aqui a uma constatação simples. A poupança individual, por maior que seja, tem um limite: é finita. Quando o capital em falta é significativo, cobri-lo apenas com poupança própria torna-se um esforço solitário e, muitas vezes, impossível.
É aqui que entra outra forma de pensar a proteção. Em vez de cada família tentar acumular sozinha todo o capital de que precisaria, várias pessoas juntam-se para partilhar o risco. É o princípio do mutualismo: uma rede de proteção coletiva, em que o esforço de muitos garante a segurança de cada um.
No Montepio Associação Mutualista, este princípio toma forma em modalidades como a Montepio Proteção Vida, que assegura, sem prazo, o pagamento de um capital aos beneficiários em caso de morte do Associado. Para uma cobertura mais alargada existe o plano Montepio Proteção Outros Encargos, que garante o pagamento de um capital em caso de morte ou invalidez, durante um prazo determinado.
A ideia não é substituir a poupança, é complementá-la. A poupança segura os primeiros meses. A proteção coletiva protege-o das contingências da vida.
Como proteger o rendimento da família
Reunindo tudo, há um caminho simples para proteger o rendimento da família, em três passos.
1.º Saber o número.
Use a calculadora deste artigo para perceber o capital que faria falta em cada cenário. Sem esse valor, qualquer decisão é um palpite.
2.º Contabilizar o que já tem.
Some a poupança, verifique se tem direito a apoios da Segurança Social e confirme as coberturas que já tenha contratado. Tudo isso reduz o capital em falta.
3.º Cubra a diferença que ficar.
É aqui que entra a proteção, seja através de soluções individuais, seja através da rede coletiva do mutualismo, que partilha o risco entre muitos. O objetivo é que a parte que a poupança não alcança não fique a descoberto.
Perguntas frequentes
O que é o capital de proteção da família? É o montante que substituiria o rendimento principal durante o tempo em que a família precisa de ser protegida, caso esse rendimento desaparecesse por morte ou invalidez. Não tem um valor fixo: depende do rendimento, dos anos a cobrir e da poupança já existente.
Como calcular quanto precisa para proteger o rendimento da sua família? Uma forma simples é multiplicar o rendimento que se perderia por 12 e pelos anos que quer proteger. Ao total, subtraia a poupança e o capital de proteção que já tenha. O que falta é o capital de proteção em falta. A calculadora deste artigo faz esta conta.
E se a família tiver dois rendimentos? Nesse caso, a perda costuma ser de apenas um dos rendimentos, e o outro mantém-se. Por isso, protege-se a parte que se perderia, não o rendimento global. A calculadora deste artigo prevê os dois rendimentos e mostra um cenário para cada um, para perceber o impacto de faltar qualquer deles.
A pensão de sobrevivência da Segurança Social chega? Costuma ajudar, mas raramente substitui o rendimento anterior por completo. Os valores e as condições variam de caso para caso e devem ser confirmados no portal da Segurança Social. Convém medir a diferença entre o que esse apoio cobre e o que a família precisaria.
Proteger o rendimento por morte é o mesmo que por invalidez? São cenários diferentes. A morte é coberta por modalidades como a Montepio Proteção Vida. A invalidez, que também faz perder o rendimento, pode ser coberta por soluções como o Montepio Proteção Outros Encargos. Vale a pena verificar se a sua proteção cobre os dois riscos.
Um fundo de emergência substitui esta proteção? São complementares. O fundo de emergência cobre imprevistos de curto prazo, na ordem dos meses. A proteção do rendimento responde a uma perda permanente, que se mede em anos. Um não dispensa o outro.
Em resumo
- Na maioria das famílias, a poupança cobre meses; as necessidades de proteção podem prolongar-se durante anos
- Não há um valor único: depende do rendimento que se perderia, dos anos a proteger e da poupança que já tem
- Num agregado com dois rendimentos, protege-se a parte que se perderia, não o rendimento global
- Os apoios do Estado ajudam, mas raramente substituem o rendimento anterior por inteiro
- Proteger o rendimento da família não tem de ser um esforço solitário
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