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ProVOCA: "Queremos jovens mais resilientes, autónomos e felizes"

Lembra-se da Kairós, uma instituição social dos Açores que, com o seu projeto ProVOCA, foi uma das vencedoras da edição de 2018 do programa FACES? Este ano, a instituição voltou a candidatar-se e a vencer. Fomos descobrir o que já conseguiram implementar e quais os seus objetivos.

O ProVOCA, da Kairós, nasceu com o objetivo de ajudar os jovens que estão em rutura com o sistema educativo e apresentam comportamentos antissociais e desviantes. A iniciativa traduz-se na implementação de oficinas de artes e ofício, direcionadas a jovens vulneráveis, em situação de abandono ou absentismo escolar.

Como Artur Martins, presidente da Kairós, já tinha explicado ao Ei no ano passado, as oficinas são focadas na experimentação e têm forte componente cultural e artística. E existem seis opções para os jovens: Áudio e Sonoplastia; Imagem (Cinema/Vídeo/Fotografia); Artes Performativas; Cerâmica e Madeiras; Artes Gráficas e Literatura e Poesia.

Primeiras oficinas em funcionamento

No primeiro ano de implementação do projeto, a Kairós conseguiu instalar a Oficina de Som, Sonoplastia e Rádio, integrando um estúdio de rádio e outro de produção. Operacional desde abril de 2019, esta oficina já realizou pequenas ações de formação técnica junto de 80 jovens.  “Neste momento, 14 destes jovens querem prosseguir a sua experiência, com a elaboração de conteúdos e programas na oficina de Rádio e Som”, explica o presidente da Kairós.

Em fase de arranque encontra-se, por outro lado, a oficina de Imagem. “Num ano atingimos quase totalmente os objetivos do projeto, faltando ainda pouco para que a oficina de imagem possa estar no seu curso normal de funcionamento”, continua Artur Martins.

A resposta a este projeto tem sido bastante positiva. “Nos corredores ouvimos recorrentemente a pergunta ‘Professor, hoje podemos ir para a rádio?’” conta o responsável, acrescentando: “Hoje já lhes podemos pedir uma simulação de um programa da manhã na rádio ou, por iniciativa própria, agarram num jornal diário, leem e transformam as notícias para rádio e televisão interna, para ser transmitida aos outros. [Trabalham] com motivação e responsabilidade”

Agora, faltam as restantes

Depois de as primeiras oficinas estarem em fase adiantada de implementação, a Kairós candidatou-se novamente ao FACES para completar a restante rede: Artes Gráficas, Cerâmica e Madeiras e Artes Performativas.  Desta forma, a instituição espera “dar resposta a um maior leque de jovens, indo ao encontro da diversidade das suas aspirações, aptidões e vocações”.

Embora as oficinas que implicam material mais dispendioso já estejam instaladas, as restantes também requerem investimento em “material técnico especializado”, que Artur Martins pretende que “seja de qualidade”. O responsável explica que a Kairós ainda não tem capacidade financeira para adquirir este material, pelo que uma segunda candidatura ao programa FACES foi inevitável.

“Queremos jovens com melhor autoestima e autoconceito”

Para a realização deste projeto, o financiamento da Fundação Montepio, através do programa FACES, iniciativa que tem o objetivo de combater a exclusão social, revela-se imprescindível. “Sem ele nada do que tem estado a acontecer seria possível”, resume o presidente da Kairós.

O objetivo é que, dentro de um ano, a rede de oficinas de inclusão pela cultura da Perkusos – CDIJ esteja praticamente completa. “Queremos jovens com melhor autoestima e autoconceito, com mais e melhores competências académicas e sociais, com mais capacidade criativa e pensamento crítico, mas, acima de tudo, queremos jovens mais resilientes, autónomos e felizes”, conclui.

 

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