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Girl Move: Como as mulheres vão mudar o rumo de Moçambique

Conheça a Girl Move Academy, um projeto que quer inverter o ciclo de pobreza entre as mulheres moçambicanas.

girl move

Nampula, norte de Moçambique. Nesta cidade, que é a terceira mais importante do país, fica o centro das operações do Girl Move, uma iniciativa que tem como objetivo principal quebrar o ciclo de pobreza e de reduzidos níveis de escolaridade entre a população feminina. “Acreditamos que uma mulher com educação é uma mulher com poder para mudar um país!”, explica ao Ei Beatriz Dias, responsável pelo departamento de comunicação do Girl Move.

O objetivo não é fácil de concretizar. Em Moçambique, apenas 10% das raparigas termina o ensino secundário e, destas, só 1% ingressa no ensino superior. Na prática, quase 50% das raparigas casa ou tem o primeiro filho antes dos 18 anos. “Esta equação é a base de um ciclo de pobreza que é urgente mudar para quebrar o ciclo que perpetua a ausência da mulher na escola, nas empresas e nos lugares de decisão em Moçambique”, prossegue a responsável.

Foi com este objetivo em mente que há cinco anos Luís Amaral (CEO da Euro-cash) e Alexandra Machado (até então country manager da Nike em Portugal), decidiram criar a Girl Move Academy.

O que é a Girl Move Academy?

É uma Academia de Líderes no feminino, que aposta na formação de uma nova geração de mulheres, capaz de se assumirem como parte da solução nos eixos mais estratégicos de Moçambique. A Girl Move Academy tem como base a mentoria e desdobra-se em três projetos:

  • CHANGE – Programa de Liderança e Empreendedodorismo Social para mulheres moçambicanas entre os 20 e os 30 anos, licenciadas e com uma visão de futuro no seu país;
  • LEAD – Programa de Liderança Universitária para jovens universitárias, residentes em Nampula com perfil de liderança e capacidade de serem modelos de referência para as meninas mais novas, as Mwarusi;
  • BELIEVE, Mwaursi – Programa para meninas entre os 12 e os 15 anos, as Mwarusis, a frequentar a 7ª classe e residentes em Bairros vulneráveis de Nampula.

De acordo com a responsável de comunicação, o Girl Move pretende “mudar o curso da história” em Moçambique e dar o primeiro passo para “um mundo onde todas as raparigas têm acesso a oportunidades para serem líderes de referência no desenvolvimento das suas comunidades”.

Mentoria em cascata

“Acreditamos no efeito multiplicador da rapariga: uma rapariga com educação é capaz de mudar a sua família, a sua comunidade e o seu país”, diz Beatriz Dias. Assim, cada Girl Mover – nome atribuído às jovens inseridas no projeto – tem o seu próprio mentor de carreira e é responsável por três líderes universitárias que, por sua vez, são mentoras de uma turma de 30 mwarusis.

As jovens “encontram-se duas vezes por semana no Espaço Seguro e criam entre si uma relação de confiança e cumplicidade. As mwarusis encontram nas ‘manas’ mais velhas um exemplo a seguir e é através dessa inspiração que percebem que também elas podem ter um futuro melhor”, exemplifica Beatriz Dias.

Girl Move em números

Os números não mentem. O projeto ainda só tem cinco anos, mas, segundo Beatriz Dias, já é possível medir o impacto que estas intervenções têm junto da comunidade feminina de Nampula. Assim:

  • Três edições do Change chegaram a 64 jovens licenciadas;
  • Em 2017, houve 700 candidaturas para a terceira turma de Girl Movers. Este ano, já ultrapassaram as 1000;
  • A taxa de empregabilidade de carreiras com impacto é de 80%;
  • 40% das Girl Movers graduadas estão em projetos que respondem a problemas sociais de Moçambique.

Mas é entre as mwarusis (em Nampula, significa donzela), do projeto Believe, que as transformações são mais significativas. Nesta intervenção, que abrange 2 400 meninas entre os 12 e os 15 anos, há dois importantes números a salientar:

  • A taxa de maternidade infantil desceu dos 40% para os 0,4%;
  • A taxa de transição escolar atingiu os 80% (a taxa nacional é de apenas 24%).

Conheça a história de Lindocas Bila, uma jovem moçambicana que está a estagiar na Associação Mutualista Montepio, na última fase do projeto Change.

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