“Gostava que os jovens recuperassem o hábito de leitura”

Um novo modelo de candidaturas, agora aberto a todos os jovens interessados, uma faixa etária de participantes mais abrangente mas a exigência e pertinência de sempre. O Prémio Voluntariado Jovem Montepio está de regresso para a 10.ª edição e promove novidades que, segundo Joaquim Caetano, continuarão a fazer a diferença na vida das pessoas e das comunidades.
Artigo atualizado a 09-10-2020

De 12 de outubro a 20 de novembro, todos os jovens entre os 14 e os 21 anos podem candidatar-se, em equipa de três e um professor ou tutor, à 10ª. edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio. Em ano de pandemia, o reputado prémio reinventou-se para se ajustar ao novo normal.

Conheça, nesta entrevista do técnico do Gabinete de Responsabilidade Social da Associação Mutualista Montepio, Joaquim Caetano, todas as novidades da 10.ª edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio. E saiba como se inscrever na página do projeto.

Vivemos tempos de exceção. De que forma a pandemia da Covid-19 irá impactar a 10.ª edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio?

Sabemos que o modelo presencial não vai ser possível, mas não queríamos deixar de fazer esta edição, por isso vamos evoluir para um modelo online. O que não é uma novidade total: dentro do voluntariado de competências, estávamos já a sondar escolas que pudessem estar interessadas em trabalhar numa componente formativa online. Com a pandemia, optámos por transformar a componente presencial em online. Aliás, não é 100% online, acaba por ser misto.

Pode explicar melhor o conceito de modelo misto?

As equipas continuam juntas. Os três membros da equipa e o professor vão falar com a comunidade, com o senhor da padaria ou do café. Não cortámos de todo com o presencial, mas é mais controlado. Queremos manter esta relação.

Quais as principais diferenças da 10.ª edição do Prémio Voluntariado Jovem em relação à edição passada?

Até agora, a organização convidava as entidades e os territórios a participarem. Normalmente, a ação decorria no território da entidade vencedora do ano anterior. Mas percebemos que não era possível fazê-lo neste contexto, por isso decidimos abrir o prémio a um conjunto de entidades que queiram participar. Olhámos para a sociedade para perceber onde podiam ser criados projetos interessantes e descobrimos miúdos do 9.º ano que fazem projetos comunitários fabulosos e dos quais ninguém tem conhecimento. Pensámos também nas escolas técnico-profissionais e nos projetos PAP – muitos são exequíveis de serem implementados. Por fim, sabemos que há alunos das licenciatura com projetos finais muito interessantes. Assim, abrimos a outros atores a possibilidade de se candidatarem ao prémio.

A participação das equipas será por convite, como nas edições anteriores?

Essa é outra das novidades. Nesta edição, todos os interessados podem candidatar-se. Queremos as associações de jovens a candidatarem-se, mas também as escolas. Tudo isto é pensado e natural. Há uma relação muito próxima com as escolas e universidades.

Nesta edição, os jovens entre os 14 e os 21 anos podem participar. Por que razão decidiram aumentar o espectro etário do projeto?

O conhecimento prático que temos da sociedade fez-nos evoluir o modelo. Na sua génese, o modelo tem a mesma estrutura da equipa: três jovens e o tutor ou professor. Isto mantém-se. Mas pensámos em ir buscar, para esta edição, os jovens do 9.º ano, muitos deles com projetos interessantes apresentados nas escolas. Assim, baixámos a idade dos 16 para os 14 anos. É uma experiência. Se funcionar, vamos melhorar. Mas também corremos riscos. Aprendemos sempre a corrigir, a alterar ou a deixar cair. É neste ambiente de aprendizagem que gostamos de trabalhar e evoluir.

Com este modelo, poderão ter dezenas de candidaturas. Como vão fazer esta triagem?

Existe uma grelha de critérios rigorosos, e com médias ponderadas, que nos ajudará a selecionar as candidaturas. A metodologia será a mesma, mas é uma grelha distinta das últimas edições, porque o júri vivia muito da situação real e da partilha do projeto numa determinada comunidade.

 A entrega do prémio será presencial?

Sim, para as três equipas vencedoras. Gostaríamos de contar com a presença de um dos administradores da Associação Mutualista Montepio num dos locais, para visitar o espaço que será beneficiado pela candidatura vencedora, além de envolver também os órgãos centrais. Será uma entrega simbólica, mas direta e presencial.

Quando é que esperam entregar os prémios?

A listagem dos prémios deverá ser feita na segunda semana de dezembro, pelo que durante o mês de janeiro ocorrerá a entrega simbólica do prémio às três equipas vencedoras.

Na 9.ª edição, a equipa vencedora propôs-se a criar um canal no YouTube que partilhasse as histórias e vivências da comunidade piscatória da Lapa, Póvoa do Varzim. O projeto foi realizado ou sofreu, ele próprio, com o impacto da Covid-19?

Os primeiros testemunhos foram recolhidos em fevereiro, no sentido de serem editados três filmes. E aqui há que agradecer à Fernanda Ramos e ao Rui Aquino pelo seu empenho neste projeto. A nossa ideia era publicar o primeiro vídeo em maio, no Mês do Voluntariado Montepio, e os restantes na cerimónia de lançamento da 10.ª edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio. A pandemia e o confinamento impediu-nos de prosseguir com este projeto, mas ainda estamos a tentar fazê-lo a tempo da cerimónia da entrega dos prémios.

Esta é a quarta edição do Prémio Voluntariado Jovem Montepio que segue a mesma estrutura testada no bairro da Serafina, em Lisboa – ainda que este ano com as condicionantes da pandemia. É a confirmação de que este é um modelo de sucesso?

Pensamos que é um modelo de sucesso, mas não é um modelo fechado. Se assim fosse, criaria estagnação. Este é um modelo de trabalho que procuramos reajustar, pegar em situações do modelo existente, pensar em novas e criar um modelo híbrido.

Que palavras de incentivo gostaria de deixar às instituições e aos jovens que gostariam de participar nesta 10.ª edição?

Queremos que estes jovens parem um pouco para pensar e percebam o que pode ser feito nas suas escolas e comunidades. Dou um exemplo: gostava que os jovens recuperassem o hábito da escrita, que se está a perder. Que as escolas criassem um curso para escrita criativa, seja online ou presencial. Isto poderia ser um projeto, convidar um criativo, um ator ou um produtor para explicar como se escreve um livro ou uma peça de teatro. Isto seria um projeto fantástico e estávamos a contribuir para o futuro da escola e da comunidade. Há três palavras que gostava de deixar como incentivo para os jovens que vão concorrer: responsabilidade social, sustentabilidade e voluntariado. E desejar boa sorte a todos.

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