Preços das rendas em Portugal: quanto custa arrendar casa em 2026?
Os preços das rendas em Portugal continuam próximos de máximos históricos. O Instituto Nacional de Estatística (INE) retomou a publicação de dados sobre novos contratos, depois de uma longa pausa, e o retrato mais recente já é do primeiro trimestre de 2026. Este artigo mostra esses valores, explica o que mudou na fonte oficial e ajuda a perceber quanto pesa a renda no rendimento. A calculadora da taxa de esforço ajuda a tangibilizar para o seu caso.
Para muitas famílias, a renda da casa é a maior despesa do mês. Perceber os preços das rendas em Portugal e saber quanto custa arrendar casa é, por isso, o primeiro passo para planear o orçamento.
Depois de anos de subidas, as rendas de novos contratos mantêm-se em níveis máximos. O dado oficial mais recente mostra uma renda mediana nacional de 9,46 euros por metro quadrado no primeiro trimestre de 2026, mais 9,1% do que no mesmo período de 2025.
Há uma novidade importante em 2026: depois de meses sem dados oficiais sobre novos contratos, o INE retomou a publicação com uma série revista e mais abrangente (veja aqui as Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local). Neste artigo, mostramos os valores reais mais recentes, explicamos o que mudou na fonte e ajudamos a distinguir os vários números que circulam.
Dados oficiais: preços das rendas em Portugal
A referência são as rendas de novos contratos apuradas pelo INE. Medem o valor de renda a que os contratos são efetivamente assinados, e não o que é anunciado pelas imobiliárias.
No primeiro trimestre de 2026, foram assinados 39 395 novos contratos, mais 0,7% do que um ano antes e a renda mediana foi de 9,46 euros por metro quadrado, mais 9,1% em termos homólogos. Face ao trimestre anterior, o último de 2025, porém, a renda mediana recuou 3,3%, o que sugere um abrandamento no muito curto prazo.
Convém distinguir três números que costumam aparecer trocados:
Rendas de novos contratos (INE). Medem contratos reais acabados de assinar. É a referência deste artigo. Último valor: 9,46 euros por metro quadrado, no primeiro trimestre de 2026.
Variação de todas as rendas em vigor (INE). Inclui contratos antigos, com rendas mais baixas. Subiu 5,1% em março de 2026, em termos homólogos. (INE, índice de preços no consumidor, componente de rendas, março de 2026.)
Preços pedidos nos anúncios (portais imobiliários, como o Idealista). Indicam o que os senhorios pedem, não o que fica no contrato. Ficam acima dos contratos reais e devem ler-se apenas como sinal de procura, nunca como valor de referência.
Esta distinção é importante: o preço indicado num anúncio pode ser bastante mais alto do que a renda a que o contrato é, depois, assinado.
Sabia que?
Preço pedido nos anúncios não é renda no contrato. Em maio de 2026, os anúncios pediam cerca de 16 euros por metro quadrado, cerca de 70% acima dos 9,46 euros do valor oficial de contratos assinados no início de 2026. A diferença mede a distância entre o que se anuncia e o que se contrata, e os dois indicadores medem coisas diferentes. (Índice de Preços do idealista, maio de 2026; INE, 1.º trimestre de 2026.)
Quanto custa arrendar por região
Os preços do arrendamento em Portugal não são homogéneos. As diferenças entre regiões são grandes. Os valores seguintes são as rendas medianas de novos contratos no primeiro trimestre de 2026. (INE, 1.º trimestre de 2026.)
| Região | Renda mediana de novos contratos (euros/m2) |
|---|---|
| Lisboa (município) | 17,42 |
| Grande Lisboa | 14,38 |
| Região Autónoma da Madeira | 11,97 |
| Península de Setúbal | 11,35 |
| Algarve | 10,71 |
| Área Metropolitana do Porto | 10,13 |
| Portugal (mediana) | 9,46 |
O município de Lisboa tem as rendas mais caras de Portugal, com uma renda mediana quase igual ao dobro da nacional. A renda mediana aumentou em todas as sub-regiões face ao ano anterior, com a maior subida na Madeira (mais 16,0%).
Para pesar estes valores no orçamento, convém traduzi-los em renda mensal. A conta é simples: multiplica-se o preço por metro quadrado pela área da casa.
Vamos ver três exemplos, usando como referência um T1 de 50 metros quadrados, um T2 de 80 e um T3 de 100:
| Tipologia | Portugal (9,46 euros/m2) | Lisboa (17,42 euros/m2) |
|---|---|---|
| T1 (50 m2) | ~473 euros | ~871 euros |
| T2 (80 m2) | ~757 euros | ~1 394 euros |
| T3 (100 m2) | ~946 euros | ~1 742 euros |
Estes valores são aproximados e servem para dar ordem de grandeza. As casas mais pequenas tendem a custar mais por metro quadrado, por isso, a conta real pode subir um pouco nas tipologias mais baixas.
Sabia que?
O preço das rendas pedidas varia conforme a região, descendo nas grandes cidades e no norte e centro, mas subindo no interior e ilhas.
A descer, em termos homólogos, em maio de 2026: Viseu (-8,4%), Porto (-7,7%), Lisboa (-2,7%) e Braga (-0,9%).
A subir: Viana do Castelo (17,5%), Castelo Branco (14,8%), Faro (11,2%) e Funchal (10,8%).
Nota: Índice de Preços do idealista, maio de 2026
Dados oficiais de volta: o que mudou na fonte
A fonte oficial de referência sobre rendas de novos contratos é o INE, com as Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local. Esta publicação esteve suspensa durante meses e foi retomada a 26 de junho de 2026, com uma série revista.
A razão da pausa foi técnica. O INE passou a receber novos fluxos de dados da Autoridade Tributária, que agora incluem mais contratos comunicados. Integrar essa informação obrigou a rever a metodologia, o que deixou o país vários meses sem dados oficiais sobre novos contratos.
Com a série nova, o universo de contratos considerados cresceu cerca de 50%, mas o valor mediano da renda quase não muda face à série anterior, o que dá conforto na leitura da evolução. A publicação passou ainda a ser trimestral e ganhou novo detalhe: rendas por tipologia da casa, por setor de senhorios e inquilinos e por freguesia em Lisboa e no Porto. O próximo conjunto de dados está previsto para 29 de setembro de 2026.
Quanto pesa a renda no rendimento
Costuma dizer-se que a renda não deve passar de cerca de um terço do rendimento líquido mensal. Trata-se de uma orientação prática, não uma regra legal. Acima desse limite, sobra pouco para as restantes despesas.
A realidade portuguesa está, em muitos casos, longe dessa referência. Uma renda de cerca de 1 394 euros por mês, próxima do valor de um T2 no município de Lisboa, ultrapassa por completo o salário mínimo de 2026, que é de 920 euros brutos.
Sabia que?
Numa comparação europeia, Lisboa é a segunda capital da União Europeia onde a renda mais pesa em comparação com o salário mínimo. Arrendar um apartamento de dois quartos na cidade custa, em média, cerca de 1 798 euros por mês, o equivalente a 167,5% do salário mínimo nacional, atrás apenas de Praga. À escala do país, a renda média desce para cerca de 45,2% dessa referência. (European Trade Union Confederation, com base em dados do Eurostat, maio de 2026)
Por outras palavras, nas grandes cidades o salário mínimo não chega para a renda de uma casa de tipologia familiar. Fora dos grandes centros, a pressão é menor, mas continua acima da média europeia.
Para onde vão as rendas em 2026
Os dados oficiais já permitem ler a tendência. As rendas de novos contratos subiram 9,1% em termos homólogos no início de 2026, mas recuaram 3,3% face ao trimestre anterior. Ou seja, continuam muito acima de há um ano, ainda que o ritmo mais recente mostre algum travão.
A variação das rendas de todos os contratos em vigor, medida pelo índice de preços no consumidor, subiu 5,1% em março de 2026. Este indicador inclui contratos antigos, por isso o nível é mais baixo, mas confirma que as rendas continuam a subir. (INE, índice de preços no consumidor, março de 2026)
Sabia que?
As rendas pedidas nos anúncios estão a descer há quatro meses, indica a plataforma imobiliária Idealista. Em maio de 2026, o valor mediano de oferta era de 16,3 euros por metro quadrado, menos 2,9% do que um ano antes, e o mais baixo desde o máximo de cerca de 16,3 euros (outubro de 2025). Lisboa continua a ser a cidade mais cara, com 21,8 euros por metro quadrado. Atenção que são preços pedidos, não o valor a que os contratos são assinados.
Quem já tem contrato deve ter em conta a atualização anual. Em 2026, as rendas em vigor podem subir até 2,24%, de acordo com o coeficiente fixado pelo INE.
Do lado das políticas, o Governo aprovou um pacote fiscal para a habitação, em vigor desde maio de 2026. Baixa para 10% a taxa de IRS dos senhorios com rendas moderadas, até 2 300 euros por mês, em contratos de pelo menos três anos. Aumenta também a dedução das rendas no IRS dos inquilinos, para 900 euros em 2026 e 1 000 euros em 2027. O objetivo declarado é trazer mais casas para o arrendamento.
A visão mutualista
Arrendar casa não tem de ser um esforço enfrentado a sós. A pressão da habitação sente-se de forma mais leve quando há uma rede que protege e que ajuda a planear. Essa é, desde a origem, a ideia do mutualismo: poupar e proteger em conjunto, ao longo das gerações.
Construir uma poupança dedicada à habitação é uma forma concreta de ganhar margem, seja para uma futura entrada, seja para aliviar meses mais difíceis. A modalidade Poupança Complementar do Montepio Associação Mutualista é um exemplo de como reforçar essa almofada de forma gradual. A associação disponibiliza ainda aos associados benefícios de apoio à habitação, que pode conhecer em detalhe no site.
Perguntas frequentes
Qual é a região mais cara para arrendar casa em Portugal? O município de Lisboa. No primeiro trimestre de 2026, a renda mediana de novos contratos foi de 17,42 euros por metro quadrado, quase o dobro da mediana nacional. Seguiam-se Cascais e Oeiras, e, entre as sub-regiões, a Grande Lisboa, com 14,38 euros. (INE, 1.º trimestre de 2026)
O INE voltou a publicar os dados das rendas? Sim. Depois de meses sem divulgar as estatísticas de rendas de novos contratos, por estar a integrar novos dados da Autoridade Tributária, o INE retomou a publicação em junho de 2026, com uma série revista. O dado mais recente é do primeiro trimestre de 2026.
Porque é que os preços dos portais imobiliários são mais altos? Os portais mostram os preços pedidos nos anúncios, não o valor a que os contratos são assinados. Por isso, ficam acima dos dados do INE e servem apenas como sinal de procura, nunca como referência de valores.
As rendas estão a subir ou a descer em 2026? As rendas de novos contratos subiram 9,1% em termos homólogos no início de 2026, mas desceram 3,3% face ao trimestre anterior. Em contratos antigos, a renda pode ainda subir em 2026, pela atualização anual de até 2,24%.
Quanto posso deduzir das rendas no IRS em 2026? Até 900 euros em 2026, valor que sobe para 1 000 euros a partir de 2027, ao abrigo do novo pacote fiscal da habitação.
Em resumo
- A renda mediana de novos contratos em Portugal foi de 9,46 euros por metro quadrado no primeiro trimestre de 2026, mais 9,1% do que um ano antes.
- O município de Lisboa é o mais caro, com 17,42 euros por metro quadrado, quase o dobro da mediana nacional.
- Os preços dos portais imobiliários medem o que se pede, não o negócio, e não devem servir de referência.
- Em contratos antigos, a renda pode subir até 2,24% em 2026, por atualização anual.
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