Junho 29, 2026
Associação Montepio e Mundu Nôbu apoiam jovens criadores de música urbana
No princípio era o beat, um conjunto de bases musicais que os produtores Spock, Maze e Buda XL cederam gratuitamente à Mundu Nôbu, associação criada pelo músico Dino d’Santiago para ajudar jovens de comunidades menos representadas a atingirem todo o seu potencial. Com o apoio do Montepio Associação Mutualista, esse gesto transformou-se no projeto “Novos Artistas”, que dá a cerca de 20 jovens as ferramentas, a formação e o espaço para criarem um álbum de música urbana.
A iniciativa, que decorre ao longo do segundo semestre de 2026, tem o seu epílogo com um concerto que reúne todos os participantes, em data a anunciar.
Criação, formação e visibilidade num só projeto
No “Novos Artistas”, cada jovem participante tem um papel diferente. Uns criam as letras e interpretam-nas em estúdio — em rap, poesia ou canto; outros trabalham o design do álbum, a capa, o plano de comunicação e marketing, e o contacto com editoras. É uma experiência que replica, de forma prática, o ciclo completo da indústria musical: da criação à distribuição e amplificação.
Antes de entrarem em estúdio, todos passam por sessões de formação com os próprios produtores e com profissionais convidados de áreas como gestão de digressões, direitos de autor e marketing musical. “Queremos prepará-los para que estejam na sua melhor versão na produção deste álbum”, explica Liliana Valpaços, responsável da Mundu Nôbu pelo projeto.
No final do processo, os jovens ficam registados na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) como titulares dos direitos das obras que criaram, enquanto o álbum fica disponível nas principais plataformas de streaming. Assim, todos os royalties e rendimentos referentes ao projeto musical reverterão diretamente para os participantes.
Cultura como veículo de inclusão
Para o Montepio Associação Mutualista, este projeto materializa a convergência entre duas áreas de atuação com longa tradição na instituição: o apoio à cultura e o compromisso com a inclusão social.
“Ao promover a criação artística junto de jovens em contextos vulneráveis, o projeto materializa o propósito mutualista — a economia ao serviço das pessoas — e torna-o tangível através de uma experiência concreta de capacitação, expressão e criação”, afirma Rita Pinho Branco, diretora de Comunicação do Montepio Associação Mutualista.
A música urbana, e em particular o rap, é aqui entendida como linguagem natural de expressão e pertença entre os jovens. Uma linguagem que, nas palavras de Rita Pinho Branco, “permite dar voz a experiências muitas vezes invisíveis, contribuindo para o reconhecimento e o envolvimento ativo na sociedade.”
O impacto esperado vai além dos resultados artísticos. “A avaliação combina a produção artística com indicadores qualitativos como o desenvolvimento de competências, o reforço da autoestima e a integração social. Dar ferramentas é essencial, mas não suficiente. O impacto surge quando essas ferramentas encontram espaço de visibilidade e reconhecimento”, sublinha Rita Pinho Branco.
Um projeto que pertence aos jovens
O apoio do Montepio Associação Mutualista foi determinante para viabilizar o projeto. “Só temos condições para avançar porque o Montepio Associação Mutualista nos vai ajudar”, reconhece Liliana Valpaços. “Dissemos logo aos jovens: queremos muito fazer isto convosco, mas só podemos avançar se arranjarmos alguém que nos apoie. Felizmente não demorou muito.”
A parceria é entendida por ambas as partes como um compromisso que vai além do financiamento. O envolvimento do Montepio Associação Mutualista estende-se ao acompanhamento do processo e à disponibilização de espaços, incluindo as salas de formação e o palco do Atmosfera m para a atuação final.
Para a Mundu Nôbu, o essencial é que o projeto pertença verdadeiramente aos jovens. As obras criadas são deles, os direitos são deles, e é a partir da sua própria voz — das suas experiências, referências e histórias — que o álbum toma forma. “Não falamos de uma iniciativa cultural”, resume Rita Pinho Branco. “Falamos de uma plataforma de transformação social.”