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5 perguntas sobre dinheiro para fazer antes de casar

Se iniciou uma relação, procure debater o tema do dinheiro sem tabus. Só assim saberá se os seus objetivos estão alinhados com os da sua cara-metade.

O início de um relacionamento é um momento de grandes emoções. Partilham-se sonhos, projetos de vida e até inseguranças. Mas falar de dinheiro é quase sempre tabu. Para evitar problemas futuros, este é um tema que tem de ser debatido abertamente pelo casal desde cedo. Conheça cinco questões que deve fazer ao seu companheiro para estimular uma relação saudável e sem mal-entendidos.

1.“Tens alguma dívida?”

Cláudia Almeida e Luís David não tiveram grandes problemas em alinhar objetivos. E falar de dinheiro sempre foi algo natural. “É importante saber como é que a outra pessoa gere financeiramente a sua vida para percebermos se temos as mesmas preocupações e prioridades”, explica Cláudia.

Iniciar um relacionamento com alguém exige sempre um compromisso. Por mais desconfortável que seja falar de dinheiro, é importante conhecer as finanças da cara-metade. Por isso, uma das primeiras perguntas a fazer é se a outra pessoa tem alguma dívida e, se a resposta for positiva, qual o valor a pagar. Só assim o casal poderá planear gastos futuros e perceber que folga financeira sobra para os sonhos. Esta foi, aliás, uma das preocupações de Cláudia Almeida desde os tempos de namoro. “Para evitar surpresas desagradáveis, para mim foi muito importante saber se existiam créditos e poupanças”, realça. Estar a par da situação financeira do outro é, de acordo com o especialista em finanças pessoais João Morais Barbosa, essencial para que o futuro do casal seja risonho. “Sugiro sempre que exista um controlo dos mapas de créditos do Banco de Portugal por ambos os membros e de um modo regular. Muitas vezes, alguém pede um crédito e não diz ao cônjuge”, aconselha o gestor de finanças pessoais, que já acumula seis livros sobre o tema.

2.“Chegas ao fim do mês sem dinheiro?”

Perceber como a outra pessoa gere o seu dinheiro é fundamental para confirmar se terão de fazer alguns ajustes. Se um dos membros do casal gasta o ordenado todo e o outro tem a preocupação de poupar algum dinheiro, isto mostra que há objetivos diferentes. Mas, com diálogo e algumas cedências de parte a parte, tudo pode ser superado. “A discórdia pode existir quando há falta de planeamento, não tanto por existirem divergências quanto ao destino a dar ao dinheiro”, explica João Bastos.

É normal que, num casal, um dos membros seja mais consumista. Para contornar esta questão, explica João Morais Barbosa, têm de existir regras claras de gestão financeira, como “limites às despesas ou mesmo, em último caso, limites à movimentação do dinheiro por essa pessoa específica”. É essa também a opinião de Cláudia Almeida. “Se o casal tem uma conta conjunta, ambos têm de perceber a importância de gerir bem o dinheiro que é dos dois e se uma determinada despesa não entra em conflito com os objetivos traçados anteriormente”, refere.

3.“Tens alguma poupança?”

É importante saber se a outra pessoa tem dívidas, mas também perceber se existem poupanças e o que pretende fazer com elas. Fazer um pé-de-meia mostra capacidade de organizar as finanças com uma finalidade: comprar casa, ter filhos ou viajar pelo mundo são alguns dos objetivos que o casal pode partilhar. Para João Morais Barbosa, há várias questões que é preciso clarificar no início da relação. Saber as prioridades financeiras de cada um é uma das mais importantes. “Perceber o papel que o dinheiro e os bens materiais têm na vida do outro ou o número de filhos que gostariam de ter. Isso diz mais que as despesas, fala-nos de generosidade.”

Cláudia e Luís começaram a poupar juntos desde cedo, bem antes de se casarem ou planearem o nascimento de dois filhos. “Quando namorávamos cada um tinha a sua conta e abrimos uma em conjunto para, todos os meses, lá depositarmos uma quantia fixa. Em seis anos de namoro conseguimos juntar um bom pé-de-meia. E não mexíamos nesse dinheiro, era como se não existisse”, conta a psicóloga da Guarda.

Como explica, por sua vez, João Bastos, alinhar prioridades em casal também tem sido fácil, sobretudo desde que são pais. “Com filhos, os objetivos são fáceis de identificar: pagar as despesas e guardar algum para poder ir de férias e para alguma necessidade que possa surgir.”

4.“Costumas esgotar o plafond do cartão de crédito?”

Conciliar perfis consumistas com outros mais poupados pode dar azo a discórdias. Se está do lado dos poupados e gosta de manter as contas em dia, procure perceber se o seu parceiro partilha a mesma ideia. E mesmo que não tenha créditos por pagar, há outras formas de driblar o orçamento mensal e gastar mais do que se deve. Os cartões de crédito são uma forma de fazê-lo.

Pergunte ao seu parceiro se tem um cartão de crédito e como o usa. “Algumas estratégias também podem ser úteis, como evitar descobertos autorizados na conta ordenado ou a movimentação do cartão de crédito por uma pessoa mais consumista”, recomenda João Morais Barbosa.

5.“Como é que vamos dividir as contas?”

Outro tema sensível entre casais é a divisão das despesas. Há as faturas da água, luz, telecomunicações. Depois é a casa, o carro e a escola das crianças. E nem sempre os casais se entendem em relação ao que cada um paga. Há várias estratégias, mas não existe uma fórmula perfeita. Depende de casal para casal.

No caso de Cláudia e Luís, após anos com uma conta-conjunta e duas separadas, o casal decidiu que não fazia sentido manter as contas à parte. “Neste momento só temos conta num banco. Encerrámos as contas de solteiros e só temos uma em conjunto. A única explicação é esta: não temos muito dinheiro e, portanto, também não havia necessidade de estar a pagar despesas de manutenção aqui e ali”, justifica.

Para João e Teresa, o cenário é oposto. Cada um tem a sua conta e depois existe uma conjunta, a partir da qual são pagas as contas comuns. “Temos uma conta conjunta, associada ao crédito à habitação, que usamos para pagar as despesas habituais (luz, água ou gás). Esta conta é ‘alimentada’ pelos dois”, conta o advogado de Santa Maria da Feira, que acrescenta que “cada um tem a sua conta pessoal, para as suas despesas pessoais”.

Independentemente do número de contas do casal, devem definir-se regras de utilização do dinheiro. “O que fazer aos reembolsos de IRS, por exemplo, e de quem é esse dinheiro. Regras para se pedir crédito e para usar o cartão de crédito. E nunca esquecer que a dignidade de cada membro do casal não depende de quanto ganham, mas daquilo que são”, explica João Morais Barbosa. Assim, devem evitar-se “as posturas de estar sempre a dividir, a controlar o que cada um gasta e saber quem gastou mais”.

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