Comete estes erros na gestão das suas finanças?

Conheça três falhas que o estão a fazer perder dinheiro e que pode corrigir sem muito esforço.

“Não tem de ser perfeito para ser rico, nem a pessoa mais inteligente da sala, e nem tem de ser uma pessoa sortuda”. Quem o diz é Ramit Sethi, autor do best-seller do New York Times “I Will Teach You To Be Rich”. No guia “Money Management Made Simple” (“Gerir o dinheiro de forma simples”), o especialista em finanças pessoais adianta que qualquer pessoa pode colocar-se no caminho da riqueza, tendo como ponto de partida qualquer quantia de dinheiro, desde que aplique o sistema “invista-o e esqueça-o”.

Dar demasiada importância aos pormenores, pensar que pode esperar e depender (apenas) da força de vontade. Estes são os principais erros que podem afetar as suas finanças.

Ramit Sethi discorda da ideia de que para poupar dinheiro devem reduzir-se as despesas com “férias, cafés e compras de coisas que adoramos”. Isto porque, “depois de 60 anos de cortes poderá ter apenas poupanças suficientes para (talvez) algum dia as aproveitar”. Viver uma vida rica e estar no controlo do dinheiro não depende de reduzir as despesas em tudo, sustenta. “De que serve termos dinheiro se não o podemos gastar? Queremos sair com os nossos amigos, desfrutar de férias divertidas, comprar presentes aos nossos familiares e visitar locais bonitos”.

Finanças em forma, sem abdicar do prazer?

Sim, é possível. Para uma boa gestão financeira, deve gastar dinheiro nas coisas de que realmente gosta e cortar no resto.

Qual o segredo, então, para uma boa gestão das finanças? Ramit Sethi defende que a solução passa por despender dinheiro nas coisas de que verdadeiramente se gosta, sem sentimentos de culpa, enquanto se corta “impiedosamente” no resto. “Se evitar cometer erros financeiros, pode poupar centenas de milhares – se não milhões – de euros”, assegura. Conheça três grandes erros financeiros apontados pelo especialista em finanças pessoais.

Dar demasiada importância aos pormenores

“Passamos anos obcecados com cada pequeno, mínimo detalhe financeiro e nunca partimos para a ação”, alerta Ramit Sethi. “Antes de nos apercebermos, podemos encontrar-nos numa má situação financeira, da qual pode parecer quase impossível sair. Pior do que isso é ignorar por completo o tema do dinheiro porque nos faz sentir culpados”, acrescenta.

O consultor estabelece uma analogia entre a forma como muitas pessoas gerem a sua alimentação e o dinheiro. “Já alguma vez pensou porque é que tantas pessoas engordam na idade adulta, nomeadamente aqueles que diziam, na juventude, que nunca iriam ficar gordos?”, questiona. O autor explica que o processo decorre gradualmente e, quando nos apercebemos, a balança pode já indicar mais 10 quilos. “E então o que fazemos? Preocupamo-nos com pequenas escolhas: marca de barras proteicas que devemos comprar, os melhores ténis para correr, etc.). Quando o foco devia estar nas verdadeiras vantagens de comer menos e fazer mais exercício. Se pensar sobre isto, o dinheiro funciona da mesma maneira”, afirma.

De acordo com Ramit Sethi, no que à comida diz respeito, muitas pessoas não controlam a ingestão de calorias, comem mais do que têm consciência, discutem pormenores sobre calorias, dietas e exercícios que depois não aplicam no dia-a-dia, dão mais valor a conselhos fugazes do que a pesquisas científicas. De modo semelhante, na área das finanças pessoais, muitas pessoas não supervisionam as suas despesas, gastam mais do que pensam e admitem e dão ouvidos aos conselhos dos pais, amigos e “especialistas que vão a programas de entretenimento na televisão, em vez de lerem bons livros de finanças pessoais”, por exemplo.

Pensar que pode esperar

“O adiamento é um assassino lento e silencioso do seu dinheiro. Esperar até ao último minuto” para tomar decisões mais inteligentes em relação ao dinheiro “é das piores coisas que se pode fazer. Cada ano que esperamos para começar a investir e a poupar coloca enormes entraves aos nossos planos financeiros”, alerta.

As contas são simples de fazer. Por exemplo, alguém que comece a poupar aos 25 anos, colocando de parte 100 euros por mês, chegará aos 65 anos com 48 000 euros, sem contar com os juros das aplicações escolhidas para construir a poupança. Outra pessoa que só comece a poupar aos 35 anos e adote a mesmo estratégia, chegará aos 65 anos com 36 000 euros economizados. Assim, quanto mais cedo melhor.

Depender (apenas) da força de vontade

Para Ramit Sethi, alguns conselhos de finanças pessoais, como reduzir ao máximo o número de cafés consumidos na rua, tomar duches rápidos de água fria ou aparar o cabelo dos filhos, dificilmente serão aplicáveis no dia-a-dia e farão grande diferença no final do mês. E explica porquê, dando como exemplo a “proibição” de beber café na rua. “Independentemente de fatores como o facto de adorarmos cafés, estarmos em stress matinal ou passarmos por várias pastelarias a caminho do trabalho, temos de recorrer à nossa limitada força de vontade logo pela manhã, todos os dias, para sempre. Cada decisão que tomamos de não beber um café na rua vai consumindo a nossa força de vontade”, aponta.

Para o sucesso financeiro…

O autor defende um sistema de gestão do dinheiro automatizado, que não dependa constantemente da nossa força de vontade. Pode ser composto por uma conta poupança com reforços mensais automáticos (a pensar numa situação de emergência financeira e/ou no futuro) e uma conta corrente (para gestão das despesas do dia-a-dia).

Além disso, Ramit Sethi propõe um sistema de gestão do orçamento mensal em que:

  • 50% a 60% do rendimento deve destinar-se a custear despesas fixas;
  • 10% do rendimento deve ser alocado a investimentos;
  • 10% do rendimento deve servir para criar ou reforçar uma poupança;
  • 20% a 30% do rendimento deve destinar-se a despesas “livres de sentimentos de culpa”.
Ler mais

Saiba mais sobre

Orçamento familiar

0

Comentários

Comentários

Os comentários podem ser editados por questões de clareza e para permitir respostas mais gerais.