Revenge Spending: como controlar a vontade de gastar?

Um período de grande contenção financeira, aliado à subida da taxa de poupança, resulta na maior disponibilidade e vontade de fazer compras. Conheça algumas estratégias para não exagerar no revenge spending.
Artigo atualizado a 05-07-2021
revenge spending

Já ouviu falar de revenge spending? Trata-se de uma expressão anglo-saxónica que significa, em português, algo como “consumo de vingança”. Este fenómeno é recente e simples de explicar: depois de um período de restrição financeira (neste caso, provocado pela pandemia da Covid-19 e confinamentos sucessivos), existe, nos consumidores, uma vontade mais exacerbada de gastar dinheiro.

7 dicas para controlar o revenge spending

 O facto de o consumo aumentar não é necessariamente mau. Tem, na verdade, um lado muito positivo. “A economia precisa disto”, consideram Inês Correia e Susana Rosa, a dupla que forma a Finanças no Feminino, academia de finanças pessoais. O importante é não cair em extremos. “As pessoas devem ter consciência que este fenómeno existe e pensar em estratégias para não exagerarem no revenge spending.”

Conheça as sete dicas de Inês Correia e Susana Rosa para controlar os gastos.

1. Evite associar o seu cartão a lojas online 

As compras online podem estimular o revenge spending. Afinal, está tudo à distância de um click. “O psicólogo Dan Ariely, que se foca na área comportamental financeira, fala da ‘dor do pagamento’. Ele diz que a dor do pagamento de uma compra presencial, quando é feita em dinheiro, é muito superior à dor do pagamento de uma compra online”, explica a dupla. “Numa compra online, não sentimos o dinheiro a sair da conta.”

Por isso, uma sugestão é não associar o cartão de crédito a sites e aplicações. “Dificultar a vida neste sentido é uma boa ajuda.” Quanto mais difícil for o processo de compra, maior a probabilidade de desistir a meio. Dá mais trabalho e há mais tempo para refletir.

2. Não se esqueça: a pandemia ainda não acabou 

A pandemia da Covid-19 trouxe vários sentimentos que, em termos financeiros, podem ter resultados contraditórios: se, por um lado, sentimos que é necessário aproveitar a vida, com receio de outro confinamento, por outro, sabemos que é importante possuir uma boa base financeira para a eventualidade de surgir um imprevisto.

“É importante pensar que o risco ainda não passou, que a pandemia ainda não acabou”, ressalvam. De acordo com as especialistas em finanças pessoais, o bom senso e a reflexão são fundamentais.“Devemos pensar no que realmente faz sentido para nós, no que queremos, de facto, gastar o nosso dinheiro”, dizem. “Não nos podemos esquecer dos ensinamentos desta crise: precisamos de uma poupança para o caso de acontecer alguma coisa.”

Poupe a longo prazo

Constituir uma poupança duradoura é a melhor receita para prevenir imprevistos na nossa vida. A modalidade mutualista Poupança Complementar permite-lhe poupar no longo prazo e ao seu ritmo, com entregas livres ou periódicas que acompanham as diferentes fases e necessidades da sua vida. Ainda não é Associado Montepio? Saiba como integrar a maior Associação de Portugal.

3. Antecipe os gastos futuros

Com ou sem pandemia, esta é a dica chave para uma boa gestão de dinheiro: todos os gastos devem ser planeados e pensados antecipadamente. “Devemos fazer sempre um orçamento com os nossos gastos. Tudo deve ser definido à partida.”

Tenha um plano e não ceda às compras por impulso. Analise todos os gastos mensais fixos e defina quanto quer alocar ao lazer e consumo. “Falamos muito do orçamento zero: agarrar no que se recebe mensalmente, dividir pelas várias rubricas de gastos e poupança e cumprir o plano ao longo do mês.”

4. Aproveite atividades gratuitas

Praia, montanha, serra, barragens e parques de merendas em cada localidade. Em Portugal existem várias opções para momentos de lazer gratuitos. “Podemos fazer muitas coisas que não implicam dinheiro”, lembram as consultoras. “Os eventos não precisam de ser algo caro. Ao invés de irmos a um restaurante, podemos fazer um piquenique ao ar livre.” Os associados da Associação Mutualista Montepio têm à disposição diversas opções de atividades, incluindo virtuais, que promovem o entretenimento em família. Conheça as Experiências Montepio.

5. Não seja extremista

É importante não cair em extremos. Os gastos devem ser planeados, mas também devemos aceitar a premissa de que vamos gastar. “Não acreditemos na ideia de que não devemos gastar. Vamos sempre gastar em alguma coisa. Mas façamo-lo com consciência.”

6. Continue a poupar

Poupar deve ser um hábito a manter. Mas quanto? “Não gostamos de regras muito fixas, mas a percentagem recomendada corresponde a, pelo menos, 10% do ordenado”, explica a dupla do Finanças no Feminino. “Se puder ser mais, melhor ainda. É pegar no valor definido como taxa de poupança e colocar logo de parte.”

No entanto, Inês e Susana ressalvam que este valor poderá não ser ideal para toda a gente: “10% de um ordenado mínimo é muito. Por isso, nesse caso, talvez 5% seja o ideal, conforme os gastos fixos que a pessoa tenha.”

7. Gastou demais? É tempo de recuperar este dinheiro 

Se já gastou mais do que devia, então o primeiro passo é aceitar este comportamento e procurar soluções: Perceber bem o quanto é que se recebe e gasta, para ser possível reequilibrar.” Além disso, é importante ter em mente que, num momento ou outro, “toda a gente começa do zero.”

Se tem dívidas pessoais em cartão de crédito, essa deve ser a prioridade: “É importante não ter medo de pagar antecipadamente e não cair no erro de consolidação de crédito, que pode servir como solução a curto prazo, mas em que acabamos por pagar mais por mês”, explicam. “O foco deve ser arranjar forma de pagar o mais rápido possível e não tentar a menor quantia por mês.”

Revenge Spending: o que está por detrás deste comportamento?

Fator psicológico

“É um padrão normal. Quando se retiram restrições, regras e pressão, o comportamento oposto é sempre intensificado. É automático e natural no ser humano”, explica Cécile Domingues, psicóloga e diretora da Clínica da Mente. Além disso, frisa a especialista, “a pandemia trouxe-nos incerteza em relação à vida e agora há a sensação de que é preciso aproveitar.”

Aumento da poupança

Em causa está a nossa ânsia de gastar mas também o facto de parte da população ter poupado mais dinheiro com o encerramento dos vários setores da economia. “Será parecido com o que ocorre em qualquer recessão, mas talvez um bocadinho mais exacerbado. Basta olharmos para o boom de consumo que aconteceu com o fim da Gripe Espanhola, há 100 anos.”

De acordo com Inês Correia e Susana Rosa, os setores da restauração, cultura e turismo serão os principais beneficiários do revenge spending. “Estes setores são os mais afetados por uma recessão. Mas quando a economia se volta a reequilibrar, também são os que mais crescem.”

Apesar de os sucessivos confinamentos para controlar a pandemia da Covid-19 terem afetado uma parte muito significativa da sociedade, há muito que os portugueses não poupavam tanto. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de poupança dos portugueses atingiu os 14,2% no primeiro trimestre de 2021, um número nunca visto nos 22 anos em que este instituto público mede a capacidade nacional para poupar. Haverá mais dinheiro para impulsionar a economia, mas também para robustecer a poupança dos portugueses. E o passado já nos deu provas que, ao poupar, estamos a garantir um futuro sem sobressaltos.

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