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8 vantagens da avaliação de impacto social

Os benefícios das intervenções sociais podem medir-se? E devem ser quantificados em euros?

Um conjunto de especialistas e personalidades da economia social partilharam as suas opiniões sobre a avaliação de impacto social, as suas mais valias e as problemáticas que envolve. Tudo aconteceu na 3.ª Conferência Impacto Social. O evento decorre anualmente no âmbito do Programa Impacto Social, uma iniciativa promovida pela Fundação Montepio, CASES e 4Change.

8 vantagens da avaliação de impacto social

Os prós da avaliação de impacto social

1. Melhorar a eficiência, a sustentabilidade e a eficácia

Carla Pinto, vice-presidente da CASES
“A avaliação de impacto veio para ficar. E não sendo uma exigência, assume-se como uma necessidade do nosso dia a dia, seja no setor público, social ou económico. A avaliação é uma pedra basilar da democracia. Avalia-se para melhorar a eficiência, a sustentabilidade e a eficácia. Avalia-se para obter informações credíveis e úteis, para promover uma cultura de rigor e transparência. A avaliação de impacto deve ser um instrumento de melhoria contínua e permanente, em prol das pessoas. Fazer avaliação de impacto é um ato de coragem, na procura de uma sociedade mais justa e igualitária.”

2. Trazer maior objetividade aos resultados

Joaquina Madeira, Conselho de Curadores da Fundação Montepio
“A avaliação de impacto social é um fator determinante na qualificação. Esta metodologia de intervenção vem trazer maior objetividade aos resultados. Com este sistema, os projetos tornam-se mais transparentes, o que permite comunicar para o exterior dados concretos e assegurar um maior reconhecimento social. Com esta metodologia estamos a trazer para o social uma gramática do económico, que, neste momento, é mais valorizado. Mas não deveríamos antes recriar e imaginar uma linguagem própria do social?”

3. Gerar mais valor

Miguel Muñoz Duarte, diretor da iMatch e professor na Nova SBE
“A medição é importante para aprendermos, validarmos, gerirmos e para ganhar escala. Mas não devemos medir apenas para criar rankings. É importante perceber como podem os projetos gerar mais valor e, assim, conseguirem mais financiamento, para criarem novamente mais valor. Cada vez mais o ‘económico’ que não pense no ‘social’ vai morrer. Hoje, os alunos já não querem ir trabalhar para uma empresa que não pense na dimensão social.”

4. Melhorar as políticas públicas

Edmundo Martinho, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
“A metodologia SROI é muito exigente. A avaliação de impacto social sobre o investimento tem imensos benefícios, mas também acarreta muitos riscos. E até que ponto uma avaliação deste tipo não descentra as organizações da sua atividade central? Por outro lado, também no domínio das políticas públicas deveria haver uma avaliação prévia dos projetos. Nesse sentido, como é que a metodologia SROI, testada numa escala micro, pode ser adaptada para o domínio da avaliação das próprias políticas públicas? Qualquer medida política tem um impacto na pobreza, mas todas deveriam ter uma avaliação do impacto na vida das pessoas, relativamente às expectativas existentes. O momento de desenho de uma política é o momento ideal para analisar o seu impacto.”

5. Perceber o impacto de cada projeto

Patrícia Antunes, manager da Accenture
“A metodologia SROI permite olhar para dentro das organizações e obriga a que seja efetuada uma avaliação do setor. Esta avaliação permite perceber o impacto efetivo que cada projeto tem. Ao quantificarmos, humanizamos o beneficiário, e este sai a ganhar porque estamos a avaliar o que tem maior impacto nele.”

6. Dar credibilidade

José Carlos Mateus, Direção Financeira Internacional da Caixa Económica Montepio Geral
“Nem tudo o que conta pode ser contabilizado, e nem sempre o que pode ser contabilizado conta. É fundamental termos rigor e uma grande disciplina na avaliação dos projetos, além de ter em atenção indicadores como o SROI. É uma ferramenta transparente, importante para a mudança externa e interna das organizações, e um fator de credibilidade.”

7. Quantificar a realidade

Filipe Almeida, presidente do Portugal Inovação Social
“Há entidades que são criadas com objetivos morais, por oposição a outras entidades criadas com objetivos comerciais. O SROI é um instrumento muito interessante para quantificar a realidade, com duas vantagens: permite dar a grandeza do impacto e estabelecer uma comparação entre os projetos.”

8. Traduzir em euros o que não é mensurável

Maria de Belém, Conselho de Curadores da Fundação Montepio
“O SROI tem subjacente uma escala que pretende traduzir em euros coisas que não são mensuráveis. É uma ferramenta de apoio, mas não pode ser uma metodologia à qual tudo se reduza.”

Sobre o Programa Impacto Social

O Programa Impacto Social utiliza a metodologia SROI – Social Return on Investiment ou Retorno Social do Investimento. Esta metodologia permite compreender, medir e reportar o valor social, ambiental e económico gerado pela intervenção de uma organização. É feita a comparação entre o valor gerado (benefício) e a despesa (investimento) necessária para o obter.

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