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A inflação e a deflação trocada em miúdos

O que é a deflação e a inflação? O que as distingue? Se é professor ou educador e quer explicar estes conceitos, o Ei ajuda-o nesta tarefa e propõe-lhe atividades.

Inflação

O que é?

Numa economia de mercado, em que o Estado não intervém, os preços dos bens e dos serviços variam por diferentes razões. Alguns podem subir, outros descer. Fala-se em inflação quando se verifica um aumento generalizado dos preços dos bens e dos serviços durante um período prolongado, de acordo com o Banco Central Europeu (BCE).

Os preços dos bens e dos serviços podem aumentar por diferentes razões, nomeadamente:

  • Procura superior à oferta (há mais compradores do que bens e serviços disponíveis para comprar);
  • Acesso mais difícil ao crédito;
  • Aumento do dinheiro em circulação;
  • Diminuição da eficiência na produção;
  • Diminuição da produção;
  • Aumento dos preços das matérias-primas.

Quais os seus efeitos?

Uma inflação baixa e estável estimula o crescimento económico, permitindo o acesso ao crédito a juros mais baixos. Já uma inflação elevada – acima de 2%, na zona euro – representa um problema para a economia. Nessa situação, a moeda desvaloriza e as pessoas perdem poder de compra, isto é, com o mesmo dinheiro passam a comprar menos que antes. Este cenário pode ainda ser mais grave se os preços subirem descontroladamente – um fenómeno conhecido como hiperinflação. Um dos piores casos de inflação galopante na história ocorreu na Alemanha, depois da I Guerra Mundial. Entre 1921 e 1924, o marco alemão perdeu quase 100% do seu valor, o que fez um pão custar milhões de marcos.

Como é que se mede?

O que permite medir a inflação é o índice de Preços no Consumidor (IPC). Este indicador avalia a evolução dos preços de um cabaz de bens e serviços representativo do padrão de consumo das famílias de um país ou de um conjunto de países. Esse cabaz de compras contém uma ampla variedade de bens e serviços, como produtos alimentares, vestuário e calçado, automóveis, computadores, rendas de habitação, água, energia e combustíveis. Mas nem todos os componentes desse cabaz de compras têm o mesmo peso no cálculo da inflação: os que têm mais importância no orçamento familiar pesam mais.

O IPC é calculado uma vez por mês pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Para isso, todos os meses, um grupo de “auditores de preços” visita vários estabelecimentos por todo o país e verifica os preços dos bens e serviços incluídos no cabaz de compras.

Para se calcular o IPC, divide-se o custo do cabaz de compras em dado período pelo custo do cabaz no período-base e multiplica-se o resultado por 100.

Exemplo:

Suponha-se que um cabaz de compras representativo da despesa anual dos adolescentes corresponde a: 100 sandes, 50 sumos, dez bebidas energéticas e uma bicicleta de montanha. Presuma-se ainda que, no período-base (ano 0), o custo deste cabaz foi de 300 euros, aumentando para 330 euros, um ano depois (ano 1), e para 360 euros, dois anos depois (ano 3).

O IPC para o ano 1 é:

IPC = (Custo do cabaz no ano 2 – Custo do cabaz no ano 0) x 100 = (330€ : 300€) x 100 = 110

O IPC para o ano 2 é:

IPC = (Custo do cabaz no ano 2 – Custo do cabaz no ano 0) x 100 = (360€ – 300€) x 100 = 120

Deflação

O que é?

A deflação é o oposto da inflação, isto é, consiste numa descida geral dos preços dos bens e dos serviços ao longo de um período prolongado.

Este fenómeno económico, raro nas economias desenvolvidas, pode ser causado por vários fatores, designadamente:

  • Oferta superior à procura (há mais bens e serviços disponíveis para comprar do que compradores);
  • Acesso mais fácil ao crédito;
  • Diminuição do dinheiro em circulação;
  • Aumento da eficiência na produção;
  • Aumento da produtividade
  • Descida dos preços das matérias-primas

Quais os seus efeitos?

No imediato, a deflação traduz-se num aumento do poder de compra das famílias, uma vez que com o mesmo dinheiro passam a poder comprar mais bens e serviços, o que é benéfico.

No entanto, se a deflação persistir no tempo (por vários anos), pode afetar negativamente as famílias e a economia. Como? Num cenário de deflação, as decisões de consumo são adiadas na expectativa de que os preços desçam ainda mais no futuro. Em consequência, as empresas vendem menos, mesmo a preços inferiores, e, por isso, reduzem o investimento, sendo ainda forçadas a cortar salários e a despedir, como forma de compensar a queda nas receitas. Com menos dinheiro no bolso em virtude dos cortes salariais ou do desemprego, as pessoas tendem a comprar ainda menos, preferindo poupar perante a incerteza quanto ao futuro. Ora para convencer os consumidores mais prudentes, as empresas baixam ainda mais os preços, gerando um círculo vicioso difícil de quebrar, a chamada espiral deflacionista.

Com dois dos seus principais motores “gripados” (consumo e investimento), a economia pode estagnar, correndo o risco de resvalar para uma recessão ou até mesmo uma depressão. O caso do Japão na década de 90 do século XX exemplifica bem esta situação: todo o sistema económico ficou comprometido pela deflação persistente. Recuando 60 anos, temos mais um exemplo clássico de deflação associado a estagnação económica. Mas desta vez nos Estados Unidos. Trata-se da Grande Depressão de 1929, considerada a maior catástrofe económica do último século.

Como é que se mede?

A deflação determina-se da mesma forma que a inflação. O resultado é um IPC negativo.

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