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Conheça 7 métodos de ensino alternativo para o seu filho

Montessori, Velaverde e Escola da Ponte são alguns métodos de ensino alternativo.

Todos os pais se preocupam em oferecer o melhor ensino aos filhos. Atualmente, o recurso a métodos pedagógicos de ensino alternativo é uma via para uma educação mais holística, focada na criança e no processo cognitivo. Conheça os atores da “outra” educação.

Métodos de ensino alternativo

1. Cartilha Maternal

Um dos métodos hoje considerados uma alternativa ao sistema de ensino geral é a Cartilha Maternal. Publicada pela primeira vez em 1876 pelo poeta e pedagogo João de Deus, é uma metodologia para o ensino da leitura e uma das obras mais vezes reimpressas em Portugal. O método assume como primeira condição para ensinar o estudo da fala. Como? Concebendo a aprendizagem da leitura na sequência da aprendizagem da linguagem oral e recorrendo a grafismos que permitem a decomposição das palavras sem quebrar a unidade gráfica e sonora das mesmas.

Durante mais de meio século foi usada, por decreto parlamentar, em grande parte das escolas portuguesas, mantendo até hoje seguidores. Depois de 1903, o método tornou-se facultativo nas escolas. O criador da Cartilha Maternal fundou o seu espaço de ensino – a Associação de Jardins-Escolas João de Deus, que se mantém até hoje. Atualmente, os jardins-escolas estão espalhados por todo o país, num total de 55, e ensinam quase 9 mil crianças.

Ensino alternativo ou “escolas de génios”

Disciplina rigorosa e conteúdos exigentes são a base deste método. Mas o certo é que as crianças com 5 anos já conseguem ler sem hesitar. “É falando e ouvindo que as crianças conseguem segmentar as palavras que lhes interessam. E isto muito antes de serem capazes de as empregar em frases”, explica António Ponces de Carvalho, administrador e bisneto do fundador.

Muitos apelidam estas instituições de “Escolas  de  Génios” devido aos bons resultados atingidos pelos seus alunos. Por exemplo, e como conta o administrador, nos últimos exames do 4.° ano, realizados por  759  crianças, houve  96% de positivas a Português e 90% de positivas a Matemática. No 6.° ano houve 100% de positivas a Português e 95% de positivas a Matemática. Os resultados são ainda mais interessantes se tivermos em conta que muitos dos jardins-escolas ficam em pequenas aldeias e que algumas dessas crianças vivem em condições desfavoráveis.

“As nossas escolas são frequentadas por crianças de todos os estratos sociais”, reforça Ponces de Carvalho. Nos Jardins-Escolas João de Deus o ensino é para todas as bolsas, uma vez que, sendo IPSS, as escolas estabelecem o valor das mensalidades consoante os rendimentos dos pais. Destas escolas saíram já nomes conhecidos da nossa sociedade, nomeadamente Mário Soares, ex-presidente da República, Marçal Grilo ou Nuno Crato, ex-ministros da Educação.

2. Pestalozzi

Considerado inovador e revolucionário no pós-25 de Abril, o Jardim Infantil Pestalozzi, em Lisboa, foi criado há 60 anos por Lucinda Atalaya. A educadora de infância defende a pedagogia ativa, assente no reconhecimento e no respeito pela individualidade e expressão livre da criança, inovando, também, através da coeducação quando, em 1958, esta não era ainda uma prática consentida em Portugal. Neste método de ensino dá-se primazia à vivência das crianças, em contacto direto com o meio ambiente, e à relação com os pais baseada no diálogo e reflexão conjunta sobre as questões do desenvolvimento.

Relação privilegiada com a criança

“A pedagogia Pestalozzi assenta numa relação privilegiada com a criança tendo em conta as suas características, interesses e saberes”, explicam os membros da direção da escola, constituída por Manuela Cruz, Paula Lobo e Sónia Casimiro de Almeida. “Assenta, também, nas aprendizagens significativas. Ou seja, naquilo que tem sentido para a criança, que promova a autonomia, a importância das expressões e o contacto com o exterior”, acrescentam. “É uma escola aberta à vida, que estimula a criatividade, curiosidade e cooperação.” A metodologia Pestalozzi é aplicada a partir dos 3 anos. E procura não formatar as crianças, retirando-lhes o peso da competição mas preparando-as para a vida e para o mundo.

Teresa Campos, 45 anos, jornalista, estudou no Colégio Pestalozzi até aos 10 anos. Isto numa altura em que a pedagogia ainda era “algo revolucionária”. Da experiência retirou aprendizagens que guarda até hoje. “Era uma forma de aprender com mais harmonia, ao ritmo de cada um”, recorda. “A descoberta da aprendizagem e do gosto pelo estudo surge e desenvolve-se naturalmente”, acrescenta.

Para Teresa, o facto de naquela escola os alunos serem motivados a pensarem é uma enorme mais-valia, que lhes confere autonomia e liberdade, mas também responsabilidade. “Só mais tarde, já noutra escola, percebi as diferenças, e quão livres éramos ali.” Quando foi mãe, Teresa não hesitou na escolha da escola. A filha mais velha, hoje com 14 anos, passou pela mesma experiência. E, segundo a mãe, a autonomia que adquiriu é notória e diferenciadora em relação a outras jovens da mesma idade. O filho mais novo, de 6 anos, iniciou agora o mesmo percurso e, espera a progenitora, aprenderá também a criar e desbravar o seu caminho.

3. Waldorf

“Mais do que pedagogia, um modo de vida e uma forma de estar.” É desta forma que Paula Martinez, diretora do Jardim de Infância S. Jorge, em Alfragide, resume o método Waldorf. Esta pedagogia procura integrar de modo holístico o desenvolvimento físico, espiritual, intelectual e artístico dos alunos. O objetivo é desenvolver indivíduos livres, integrados, socialmente competentes e moralmente responsáveis.

Este é um método de ensino que começa desde o berçário. Nesta fase, e durante os sete primeiros anos de vida, a criança desenvolve, sobretudo, a vertente física. “O que faz é imitar o que vê e absorver tudo o que vem do meio ambiente”, explica a diretora. “Estas são as bases da pedagogia Waldorf: a imitação e a criação de um meio ambiente que seja ideal para a criança absorver”, acrescenta.

É também nestes anos que a criança é motivada a brincar livremente e sem pressões. No Jardim de Infância S. Jorge há tempo para as atividades de aprendizagem. Mas ainda mais para brincar e explorar no exterior. Faça chuva ou faça sol, as crianças têm árvores para trepar, pedras para fazer equilíbrio, caixa de areia para fazerem bolos, baloiços, escorregas, degraus e rampas. “É desta forma que se descobrem a si próprias, se libertam, descobrem o mundo e os outros”, explica uma das educadoras.

Alimentação biológica

A alimentação é outro fator que distingue as escolas inspiradas no método criado por Rudolf Steiner. Os alimentos são biológicos, procurando oferecer uma dieta equilibrada, variada e que respeite os ciclos da natureza. “As crianças aprendem a comer com qualidade e equilíbrio desde pequenas, criando hábitos saudáveis”, explica a diretora.

Autonomia

Exigente também para os professores, o método Waldorf obriga a “um permanente trabalho de autoeducação e uma grande capacidade de presença”, refere Paula Martinez. Apesar disso, escolas e professores têm grande autonomia para determinar o currículo e a metodologia. Esse foi um dos aspetos que mais atraiu Susana Alves, professora num colégio Waldorf nos arredores de Lisboa. Isto e, como refere, “o respeito pelo desenvolvimento da criança, a ligação ao ciclo da terra e a liberdade que, enquanto  professora, tenho para decidir como explorar os conteúdos com a minha turma”.

Susana tomou contacto mais profundo com esta pedagogia numa escola no Algarve, em 2012. “Fiquei lá colocada durante dois anos e aí pude aprofundar o meu conhecimento sobre a pedagogia Waldorf”, conta. Hoje tem a certeza de que o método seria uma mais-valia nas escolas públicas. “As crianças aprendem a desenvolver as suas capacidades para que possam ser ativas, autónomas e responsáveis”, justifica. E acrescenta: “Com esta pedagogia, a criança cria um vínculo muito especial com a natureza, que acaba por se traduzir em respeito e compreensão.”

4. High-tech

Muitas linhas se escreveram já sobre as vantagens e as desvantagens da utilização de tecnologia nas salas de aulas. Pedro Louçano, professor de Matemática no Colégio João Paulo II, em Braga, é um entusiasta da educação high-tech que, acredita, motiva os alunos para a aprendizagem. Contudo, também defende que “há idades para tudo e nem sempre a inclusão de dispositivos tecnológicos nas aulas é benéfico”. Na escola onde leciona, Pedro Louçano é o responsável pela introdução de um projeto-piloto que visa a utilização de tablets nas aulas que, numa situação ideal, poderão substituir livros e cadernos diários.

Tablets

A ideia surgiu no ano letivo de 2013/2014 e partiu de um projeto nacional, responsabilidade de um consórcio das empresas. “O objetivo era perceber se os tablets podiam funcionar numa sala de aula”, explica Pedro Louçano. Inicialmente foi introduzida a utilização de tablets em turmas do 10.°, 11.° e 12.° anos. “A experiência foi positiva mas não tanto quanto gostaria”, assume o professor. O dispositivo usado não apresentava as funcionalidades pretendidas para tarefas consideradas essenciais. A escola associou-se então a outra entidade e Pedro Louçano conseguiu o que pretendia:  fazer o acompanhamento contínuo dos cadernos diários dos alunos, com a possibilidade de sincronização  automática, controlo dos TPC e esclarecimento de dúvidas permanente e em tempo real. Os resultados não tardaram a aparecer: “Os alunos tornaram-se mais organizados e estão mais atentos nas aulas”, conta o professor.

Atualmente, o Colégio João Paulo II tem três turmas a funcionar com este sistema e espera alargar em breve a mais alunos. “No futuro o tablet poderá substituir os livros, evitando que os alunos carreguem peso desnecessário”, salienta Pedro Louçano. O professor reforça ainda a responsabilização dos alunos que se consegue a partir deste sistema. “Tem que haver muita confiança entre professores e alunos”, diz. “No princípio alguns abriam as redes sociais enquanto se dava a matéria, mas rapidamente perceberam que não fazia sentido distraírem-se com isso”, acrescenta. “Conseguimos promover uma motivação extra nos alunos, que os professores têm que saber aproveitar”, conclui.

5. Montessori

O desenvolvimento da educação com base no desenvolvimento de cada criança é a premissa na base do método Montessori, criado pela médica e educadora Maria Montessori. Ou seja, cada indivíduo deve aprender ao seu ritmo, sem imposições ou pressões.

Este modelo de ensino atribui uma ênfase especial na independência, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança. Para tal, a sua criadora desenvolveu um conjunto de materiais didáticos (peças sólidas, de diferente tamanhos, formas e espessuras, distintas texturas e campainhas com diferentes sons) que ajudam a compreender as coisas a partir delas mesmas. Personalidades reconhecidas internacionalmente, como os fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin, foram educadas com esta pedagogia.

6. Velaverde

Outra das correntes modernas da educação passa pelo método Velaverde, criado no início dos anos 80 em Itália por Stefano Cavagna e Sónia Cian. Suportado por uma abordagem holística, semelhante às raízes da pedagogia Waldorf, este método apresenta um grande enfoque ecológico e sustentável. A reciclagem está presente na vida das crianças e a alimentação é biológica e vegetariana. Já a aprendizagem das matérias escolares é feita consoante a vontade das crianças, motivadas a pensar por si. Não há, por isso, respostas certas ou erradas, mas sim a partilha da visão de cada um sobre as coisas. Cabe, claro, aos professores darem forma e conteúdo às matérias.

7. Escola da Ponte

A Escola da Ponte, em Santo Tirso, fundada pelo professor José Pacheco, coloca em prática uma filosofia inclusiva. Ou seja, a escola parte da premissa de que todos temos que aprender e todos podemos fazê-lo uns com os outros, à maneira de cada um e garantindo a igualdade de oportunidades educacionais e de realização pessoal a todos os cidadãos. Os planos curriculares são, nesta escola, organizados por equipas e por projetos. E as atividades privilegiam o debate de ideias e a troca de experiências entre alunos, professores e encarregados de educação.

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