10 erros a evitar ao preparar a reforma

“Como me devo preparar a reforma?” De certeza que, em algum momento da vida, terá feito esta pergunta a si próprio. Para tentar descobrir a resposta, conversámos com dois reformados e um especialista em finanças pessoais. Conheça as respostas.
Artigo atualizado a 30-10-2020
preparar a reforma

Se para muitos a reforma é um horizonte longínquo, para outros está já ao ‘virar da esquina’. Quer esteja perto ou longe desta fase da vida, há um lugar-comum ao qual deverá ter atenção: quanto melhor preparar a reforma, mais qualidade de vida terá no futuro.

“Eu nunca pensei na reforma, nem fiz planos para esta altura”, contou-nos Maria Fernanda Tomás, atualmente com 80 anos e aposentada desde os 50. Apesar disso, a ex-empregada bancária assume que sempre poupou. “Nunca foi a pensar na reforma, mas antes na eventualidade de surgir algum imprevisto”.

Atualmente, já não é bem assim. Com o aumento de impostos, Maria Fernanda confessa que é difícil manter uma poupança regular. “Contudo, na altura em que trabalhava, o meu ordenado dava para poupar e para usufruir de tudo o que a vida teve para me dar”.

Já para Fernando Pinto, de 83 anos e aposentado desde os 57, a reforma foi bastante planeada. “Pensava poder viajar, visitar diversos países, aumentar os relacionamentos sociais, colaborar em atividades socioculturais, continuar os estudos e viver intensamente”, afirmou o ex-professor do ensino secundário ao Ei .

Para se preparar financeiramente para esta fase da vida, Fernando Pinto investiu, ao longo da sua carreira ativa, em cofres e caixas de previdência (instrumentos de poupança para funcionários públicos), ações e obrigações, assim como em modalidades mutualistas de poupança.

Está a preparar a reforma? Evite estes erros

Preparar a reforma não é uma ciência e os pressupostos variam de caso para caso. No entanto, há uma certeza: quando o momento chegar, a pensão de velhice será bastante inferior aos rendimentos auferidos ao longo da vida ativa. Por este motivo, pedimos a opinião de João Morais Barbosa, diretor da Reorganiza, empresa de consultoria financeira, para sabermos quais os erros que devem ser evitados ao preparar a reforma.

Pensar que vamos ter uma pensão de velhice

O tema não é novo. Há muitos anos que a sustentabilidade do sistema público de pensões nacional está em causa. “Por questões maioritariamente demográficas, o período de vida útil do fundo que é utilizado para pagar as pensões tem vindo a reduzir de forma significativa”, explica João Morais Barbosa. Apesar disso, “muitas pessoas ainda acreditam que irão ter uma pensão de reforma que permita fazer face às suas necessidades”, prossegue o especialista. Por este motivo, não preparam esta fase da vida com o devido cuidado.

Não dar prioridade à poupança para a reforma

Para uma grande fatia da população que ainda está no ativo, a reforma é um cenário longínquo e nem sempre agradável de projetar. Como consequência, a tendência de adiar a poupança para a reforma ou estabelecer outros objetivos como prioritários prevalece. “Isto é um erro demasiado grande porque não teremos as pensões que gostaríamos”. Por isso, o especialista adverte que a poupança para a reforma deve ser considerada uma despesa prioritária, tal como a prestação da casa, do carro ou da alimentação.

Começar a poupar tardiamente

É importante iniciar a poupança para a reforma assim que começa a trabalhar, quando ainda está na casa dos 20. Desta forma, o esforço de poupança exigido é menor. “Se começar aos 20 anos, pode poupar entre 20 a 30 euros por mês. Mas se começar aos 50, precisará poupar entre 100 ou 150 euros por mês”, exemplifica João Morais Barbosa.

Dica simples para começar a poupar

Para muitas pessoas, o exercício da poupança é difícil. Um conselho simples e eficaz é a automatização da poupança. Isto é, assim que recebe o salário realiza uma transferência automática para uma solução de poupança para a reforma. O objetivo é encarar a poupança como uma despesa fixa e conseguir poupar sem se dar conta.

Evitar o risco nos investimentos

“O investidor típico português gosta de produtos com capital garantido”, diz o especialista. Esta tendência é, na sua opinião, um erro, pois significa que a taxa de retorno será muito baixa. “Atualmente, as taxas de juro pagas em produtos de capital garantido andam entre os 0% e os 1%. Isto significa que, no futuro, vou perder poder de compra devido à inflação, que é superior ao retorno”.

Pensar a curto prazo

Idealmente, deve pensar nos investimentos a longo prazo. “Ao investir a trinta, vinte ou dez anos, um horizonte temporal relativamente largo, é possível assumir algum risco, na expectativa de ter um retorno melhor”, explica João Morais Barbosa. Isto acontece por duas razões: o capital investido produz rendimentos durante mais tempo, ao mesmo tempo que é possível assumir mais riscos, uma vez que os investimentos estão menos expostos a ciclos ou fatores externos.

Não investir em produtos para a reforma

Sejam produtos de capital garantido ou outros de maior risco é importante investir em soluções pensadas para a reforma. Na opinião deste especialista em finanças pessoais, estas soluções são boas ferramentas de poupança porque são “fiscalmente muito mais vantajosos do que outras, pois existe um benefício à entrada e uma taxa mais reduzida sobre as mais-valias”.

Resgatar o PPR para outras finalidades

Desde 2013 que pode utilizar o valor investido em Planos de Poupança Reforma (PPR) para pagar as prestações do crédito à habitação. “Há cada vez mais pessoas a fazerem isto”, admite. No entanto, “é um erro porque transferem a poupança a longo prazo para imobiliário, o que desvirtua este processo”. Na opinião de João Morais Barbosa, ao permitir que as soluções de poupança sirvam para amortizar a prestação da casa, o Estado está a desencorajar a poupança a longo prazo e não cria um incentivo para que a população ajuste as suas despesas aos seus rendimentos.

Desconhecer quanto tem de poupar para a reforma

Por outras palavras: qual o valor que necessita para manter o estilo de vida durante os anos dourados? “Já existem simuladores que permitem ter uma ideia deste valor, tendo em conta as entregas à Segurança Social e a evolução expectável do rendimento”. No entanto, se as pessoas não fazem este cálculo, “não conseguem definir uma estratégia pensada, com pés e cabeça”.

Desconsiderar despesas extra na reforma

É comum pensar que, quando a reforma chegar, as despesas fixas reduzem. No entanto, há despesas “surpresa” que têm mais peso nesta fase da vida e que são frequentemente descuradas. “Por um lado, as despesas com saúde vão ficando mais elevadas e se as pessoas não querem ficar dependentes do SNS, devem acautelar estes gastos extra. Por outro lado, há cada vez mais pessoas confrontadas com a necessidade de apoiar os seus filhos ou netos e isso afeta a sua qualidade de vida”. O especialista adverte, assim, para a necessidade de, ao delinear uma estratégia de poupança a longo prazo, estas despesas serem consideradas e reforçadas.

Resgatar a totalidade do produto de poupança quando chegam à reforma

Segundo João Morais Barbosa, este é um cenário bastante comum: ao atingir a idade da reforma, as pessoas resgatam a totalidade do valor que conseguiram poupar em soluções de reforma e colocam-no numa conta à ordem. “Ao fazeê-lo estão a perder dinheiro”, explica João Morais Barbosa. “O ideal que mantenha o dinheiro investido e retire à medida das necessidades”.

 

 

 

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