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Reformas: O que vai acontecer nos próximos 30 anos?

O envelhecimento da população portuguesa é uma realidade que coloca uma pressão acrescida no sistema de pensões. Esta inevitabilidade causará a alteração de todo o mercado laboral. O que acontecerá, então, se ninguém se reformar?

Sessenta e seis anos e cinco meses. É com esta idade que os portugueses poderão reformar-se em 2019, mais um mês do que no ano anterior. No futuro, porém, a visão de uma aposentação descansada poderá ficar mais turva. Seja por necessidade de trabalhar até mais tarde devido à perda de rendimento, por escolha ou consequência da esperada falta de mão-de-obra, as reformas podem tornar-se uma miragem.

Reformas cada vez mais tarde

Como tem acontecido nos últimos anos, as pessoas continuarão a aceder à pensão cada vez mais tarde. Por um lado, é preciso ajustar a idade da reforma ao aumento da esperança média de vida. Por outro, há que precaver a sustentabilidade do sistema de pensões, perante uma balança cada vez mais desequilibrada entre a população ativa e a que está dependente de pensões do Estado.

Os números provam que Portugal será um dos países mais envelhecidos em 2050.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), de 34,5 pessoas idosas por cada 100 em idade ativa, Portugal vai passar para 73,2 em 2050, o que nos tornará no quarto país mais envelhecido da OCDE. Este quadro provocará mudanças que afetam a economia. “Uma vida mais longa vai significar uma reforma também mais longa e um aumento considerável do consumo, a não ser que as pessoas escolham trabalhar mais tempo”, reconhece António Fonseca, professor da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa e investigador do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH).

Esta tendência, porém, não é exclusiva de Portugal: “A entrada dos jovens no mercado de trabalho é hoje mais tardia devido ao alongamento da escolaridade e às dificuldades de inserção profissional.” Inevitavelmente, as consequências destas alterações demográficas “constituem uma ameaça à solidez de qualquer sistema de pensões”, acrescenta.

Futuro: e se ninguém se reformar?

A diminuição do número de pessoas em idade ativa vai implicar mudanças nas estruturas das empresas.

  • Empresas têm de contratar pessoas mais velhas

Embora muitos empregadores evitem contratar trabalhadores a partir de determinada idade, isso tenderá a mudar face à escassez de mão-de-obra e pessoas especializadas. “Provavelmente, pessoas experientes ficarão mais tempo no mercado de trabalho, com expectativas de uma vida na reforma – de preferência ativa, mesmo que já não no mercado – mais prolongada”, adianta o sociólogo Luís Capucha.

  • Menos pessoas serão reformadas antecipadamente

Mesmo que o tempo de trabalho se prolongue, os empresários terão um dilema em relação a um tema que “tende a ser ocultado”. “É comum, e não é penalizada, a prática de enviar trabalhadores mais experientes para reformas precoces, gerando problemas nos sistemas de pensões e dminuição severa dos rendimentos”, explica o sociólogo. A razão, diz Luís Capucha, é clara. “Estes trabalhadores são substituídos por jovens com contratos precários e menor remuneração”, acrescenta.

Também António Fonseca sublinha as vantagens de manter os trabalhadores mais experientes, argumentando que a sua presença numa equipa “pode trazer contributos significativos ao nível do conhecimento acumulado”. Ainda assim, o psicólogo refere que “mesmo que se contratem trabalhadores mais velhos, tal não significa, necessariamente, que estes tenham assim tanto entusiasmo para continuar a trabalhar numa idade que se habituaram a ver como a ‘idade da reforma’.”

  • Mais mobilidade de pessoas em idade ativa

Outra forma de driblar a ausência de jovens em idade ativa será a mobilidade de pessoas de outros países. “Tenderá a haver uma maior mobilidade profissional no espaço europeu”, reclama João Borges de Assunção, professor associado da Católica-Lisbon.

“A imigração e a promoção do emprego feminino são apenas dois exemplos de como podem suprir-se as necessidades que venham a surgir”, explica Luís Capucha.

O futuro começa hoje

Fixar a idade da reforma cada vez mais tarde não significa que as pessoas adiem o pedido de pensão. Essa será, sobretudo, uma decisão financeira. “Os atuais sistemas de pensões criam expectativas pouco animadoras”, realça António Fonseca. O docente lembra que, quando a reforma deixar de ser encarada como um direito, “compete ao Estado assegurar que a responsabilidade é transferida para os trabalhadores, forçando-os a capitalizarem poupanças para assegurarem alguma tranquilidade financeira no final do ciclo de vida”.

Existem hoje soluções complementares à Segurança Social pública que ajudam a preparar o futuro. As soluções disponibilizadas pela Associação Mutualista Montepio permitem poupar regularmente, apostando num benefício fiscal vantajoso (Montepio Poupança Reforma) ou no complemento da pensão do sistema público com entregas mensais (Montepio Pensões de Reforma).

Uma coisa é certa: começar cedo a poupar e a planear o futuro pode ser a diferença. “A dificuldade que muitas pessoas apresentam para poupar pode criar no futuro uma fração muito significativa de reformados pobres”, alerta António Fonseca.

No meio da incerteza que um futuro a 30 anos acarreta, existem certezas das quais não podemos fugir: o envelhecimento da população e o baixo número de nascimentos está a mudar a sociedade e a economia. E seja por necessidade ou vontade própria, cada vez mais pessoas vão adiar as reformas. Para os especialistas, isto não é necessariamente mau nem vai retirar empregos aos mais jovens. Faz, apenas, parte da nossa evolução.

Nota: Este artigo foi originalmente publicado na edição 30 da revista Montepio. Clique aqui para descarregar a revista.

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