A Euribor não é só um termo técnico: é o número que decide, todos os meses, quanto paga pela sua casa. Entre junho e setembro de 2026, o BCE subiu as taxas diretoras duas vezes, as primeiras subidas desde 2023. Veja o que mudou, como isso afeta a sua prestação e o que pode fazer agora.

Em 2022 e 2023, muitas famílias portuguesas viram a prestação da casa subir a um ritmo nunca visto em mais de uma década. A culpa foi, em grande parte, da Euribor: a taxa de referência do crédito habitação disparou de valores negativos para mais de 4% em menos de dois anos.

Desde então, a situação acalmou. O ciclo de subidas terminou, vieram cortes e as Euribor desceram. Mas 2026 trouxe uma inversão: as médias mensais voltaram a subir a partir de abril e, na reunião de 11 de junho, o BCE aumentou as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais, a primeira subida desde setembro de 2023. Depois de uma pausa em julho, repetiu a decisão a 10 de setembro.

Neste artigo explicamos o que é a Euribor, onde estão as taxas agora, como calcular o impacto na sua prestação e o que esperar nos próximos meses.

O que é a Euribor (e porque é que importa para si)

Euribor significa Euro Interbank Offered Rate. Reflete as taxas às quais um painel de bancos da zona euro estima financiar-se no mercado monetário. Não é definida pelo BCE, mas sofre a sua influência direta: quando o BCE sobe ou desce as suas taxas diretoras, as Euribor tendem a seguir o mesmo caminho.

Existem cinco prazos de Euribor (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses). Para os créditos à habitação em Portugal, os mais relevantes são os de três, seis e 12 meses.

Se tem um crédito habitação com taxa variável, a sua prestação mensal calcula-se assim:

Taxa de juro = Euribor + spread

O spread é fixo e foi acordado quando contratou o crédito. A Euribor oscila. Portanto, sempre que a Euribor sobe, a sua prestação sobe. Sempre que desce, a prestação desce.

A Euribor a seis meses é atualmente a mais utilizada em Portugal: segundo o Banco de Portugal, em julho de 2026 representava cerca de 39,87% do total de créditos habitação com taxa variável. A de 12 meses cobria 31,26% e a de três meses, 24,40%.

PrazoTaxa (22 setembro 2026)Média de agosto 2026Média de julho 2026
Euribor 3 meses2,608%2,513%2,425%
Euribor 6 meses2,999%2,713%2,647%
Euribor 12 meses3,332%2,954%2,855%

Estes valores continuam abaixo do pico de 2023, quando a Euribor a 12 meses ultrapassou os 4%. Ainda assim, a 22 de setembro a Euribor a seis meses fixou-se no valor mais alto desde outubro de 2024. As médias mensais subiram nos três prazos em julho e em agosto, e os valores diários de setembro refletem a segunda subida do BCE. Quem tiver a revisão do contrato marcada para os próximos meses vai pagar uma prestação superior à do início do ano.

O que está por trás desta subida

Na reunião de 11 de junho de 2026, o BCE subiu as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais. Foi a primeira subida desde setembro de 2023, depois de oito cortes entre junho de 2024 e junho de 2025 e de uma pausa de sete reuniões seguidas. O BCE justificou a decisão com o aumento dos preços globais provocado pelo conflito no Médio Oriente.

Em julho, o Conselho do BCE manteve as taxas. A 10 de setembro, voltou a subi-las em 0,25 pontos percentuais: a taxa da facilidade de depósito passou para 2,50%, a das operações principais de refinanciamento para 2,65% e a da facilidade de cedência de liquidez para 2,90%, com efeitos a partir de 16 de setembro. O comunicado refere que o conflito continua a pressionar os preços e que a inflação deverá manter-se muito acima do objetivo de 2% durante um período alargado.

As Euribor anteciparam este movimento: desde abril, os mercados ajustaram os prazos mais longos à expectativa de subidas, e as duas decisões do BCE confirmaram essa leitura.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se a 28 e 29 de outubro, em Frankfurt.. O que aí for decidido vai determinar a direção das Euribor até ao fim do ano.

Euribor 6M (média mensal) Decisão do BCE

Mínimo do período

-0,53%

jan 2022

Pico do período

4,12%

out 2023

Valor atual

3,01%

23 set 2026


Passe o rato ou toque no gráfico para ver a média de cada mês. Clique num marcador laranja para ler a decisão do BCE nessa data.

Fonte: médias mensais publicadas pela euriborrates.com, com dados da EMMI; decisões do BCE. Os cartões do mínimo e do pico usam médias mensais. Setembro de 2026 corresponde a uma média parcial, até dia 23.

Como fica a sua prestação: um exemplo prático

Vamos usar um exemplo concreto para perceber o impacto real.

A Catarina tem um crédito habitação de 150 000 euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses, com um spread de 1%.

Taxa de juro atual: Euribor 6M (~2,713%) + spread (1%) = TAN ~3,713%

Com esta taxa, a prestação mensal fica em torno de 692 euros.

No pico de 2023, com a Euribor a seis meses perto de 4,1%, a mesma prestação chegava a cerca de 814 euros. A descida das taxas representou uma poupança de cerca de 122 euros por mês face a esse pico. Mas as duas subida do BCE inverteram parte desse alívio.

Entre a média de maio (2,536%) e a de agosto (2,713%), a Euribor a seis meses subiu 0,177 pontos. Neste crédito, a prestação passa de cerca de 677 para 692 euros, mais 15 euros por mês. Se a próxima revisão refletir um valor próximo do registado a 22 de setembro (2,999%), a prestação sobe para cerca de 716 euros, mais 39 euros do que com a média de maio.

Os cálculos consideram o capital inicial e o prazo total. Num contrato em curso, o capital em dívida e o prazo restante são menores, e a variação em euros também.

Para calcular o impacto exato no seu caso, use o nosso simulador de crédito habitação

Taxa fixa, variável ou mista: o que faz sentido agora

Esta é a pergunta que mais famílias portuguesas estão a fazer em 2026. A resposta depende do perfil de cada pessoa, mas há alguns factos que ajudam a decidir.

Taxa variável

É a opção que a maioria dos contratos mais antigos ainda tem. Beneficia quando as Euribor descem, mas expõe quem tem crédito às subidas. Com as taxas atuais entre 2,6% e 3,3%, os valores continuam longe do “choque” de 2023, mas a tendência dos últimos meses é de subida.

Taxa fixa

Garante prestações estáveis durante toda a vida do empréstimo (ou durante o período fixo acordado). As propostas de taxa fixa variam de banco para banco e dependem do prazo e do perfil do cliente. Antes de decidir, compare a taxa fixa proposta com a Euribor do seu contrato somada ao spread. Para quem valoriza a previsibilidade acima de tudo, pode ser uma boa opção.

O ponto a ter em conta: se a Euribor vier a descer no futuro, quem está em taxa fixa não beneficia dessa descida.

Taxa mista

Combina um período inicial de taxa fixa (geralmente cinco a dez anos) com taxa variável a partir daí. Oferece estabilidade de curto prazo sem bloquear totalmente a possibilidade de beneficiar de taxas mais baixas no futuro.

Não existe uma resposta certa para todos. A escolha depende do valor do crédito, do prazo restante, da taxa fixa disponível no seu banco e da sua tolerância à incerteza. Para uma análise personalizada, vale a pena falar com um especialista.

O que esperar no resto de 2026

Depois de duas subidas, a questão passa a ser se o BCE volta a mexer nas taxas até dezembro. Qualquer previsão é uma estimativa, não uma garantia.

O BCE subiu as taxas em junho e em setembro, 0,25 pontos percentuais de cada vez, e manteve-as em julho. No comunicado de 10 de setembro, recusou comprometer-se com uma trajetória e indicou que vai decidir reunião a reunião, com base nos dados disponíveis. As novas projeções apontam para uma inflação média de 3,0% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028.

Para quem tem crédito habitação com taxa variável, as revisões calculadas com as médias de agosto ou de setembro vão resultar em prestações superiores às de há seis meses.

A perspetiva mutualista

Pagar a prestação da casa é, para a maioria das famílias, o maior compromisso financeiro do mês. Quando as taxas sobem, esse esforço não acontece sozinho: afeta o orçamento de ponta a ponta.

É aqui que a perspetiva mutualista faz sentido. O Montepio Associação Mutualista oferece modalidades de proteção do crédito à habitação que garantem que a família continua a conseguir pagar a casa mesmo em caso de morte ou invalidez (invalidez absoluta e definitiva ou invalidez total e permanente).

Saiba mais sobre o Plano Montepio Proteção Crédito Habitação.

Perguntas frequentes

O que é a Euribor? A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) reflete as taxas às quais um painel de bancos da zona euro estima financiar-se no mercado monetário. É calculada diariamente e existe em cinco prazos: uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses. Em Portugal, serve de referência para a maioria dos créditos habitação com taxa variável.

Qual é a Euribor hoje? Os valores mudam diariamente. As médias de agosto de 2026 foram: Euribor 3M 2,513%, Euribor 6M 2,713%, Euribor 12M 2,954% (BCE, data.ecb.europa.eu). Para os valores mais atualizados, consulte o BPstat do Banco de Portugal (bpstat.bportugal.pt) ou o portal do BCE.

Porque é que a minha prestação vai subir? As médias mensais da Euribor subiram nos três prazos em julho e em agosto de 2026. O BCE aumentou as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais em junho e novamente em setembro. Quem tiver a próxima revisão calculada com base nestes valores vai notar a subida na prestação.

Compensa mudar para taxa fixa agora? Depende do seu contrato e das condições oferecidas pelo banco. A taxa fixa dá estabilidade, mas bloqueia a possibilidade de beneficiar de futuras descidas das Euribor. Para uma decisão informada, compare a taxa fixa disponível com a Euribor atual mais o seu spread, e considere a diferença ao longo do prazo restante do crédito.

O BCE vai continuar a subir taxas em 2026? O BCE subiu as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais a 11 de junho e a 10 de setembro de 2026, e a taxa da facilidade de depósito está em 2,50%. A próxima reunião é a 28 e 29 de outubro, em Frankfurt. O BCE não se compromete com uma trajetória: qualquer previsão sobre as próximas decisões é uma estimativa, não uma garantia.

Em resumo

Em setembro de 2026, a Euribor a seis meses está perto de 3%, o valor mais alto desde outubro de 2024. O BCE subiu as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais em junho e em setembro, e as médias mensais subiram nos três prazos em julho e em agosto.

A Euribor a seis meses é a mais usada nos créditos habitação em Portugal. Para saber a taxa de juro do seu crédito, some a Euribor do prazo do seu contrato ao spread acordado com o banco.

A próxima reunião do BCE é a 28 e 29 de outubro em Frankfurt. O que aí for decidido vai clarificar a direção das taxas até ao final do ano. Qualquer previsão é uma estimativa, não uma certeza.

Taxa fixa, variável ou mista: a escolha certa depende do seu perfil. A taxa variável beneficia de descidas mas está exposta a subidas. A taxa fixa dá estabilidade mas sem acesso a futuros cortes. A taxa mista combina ambas durante períodos diferentes.