Euribor em 2026: o que está a acontecer à prestação da sua casa
A Euribor não é só um termo técnico: é o número que decide, todos os meses, quanto paga pela sua casa. Em junho de 2026, o BCE subiu as taxas diretoras pela primeira vez desde 2023. Perceba o que mudou, como isso afeta a sua prestação e o que pode fazer agora.
Em 2022 e 2023, muitas famílias portuguesas viram a prestação da casa subir a um ritmo nunca visto em mais de uma década. A culpa foi, em grande parte, da Euribor: a taxa de referência do crédito habitação disparou de valores negativos para mais de 4% em menos de dois anos.
Desde então, a situação acalmou. O ciclo de subidas terminou, vieram cortes e as Euribor desceram. Mas 2026 trouxe uma inversão: as médias mensais têm subido desde abril, e na reunião de 12 de junho o BCE decidiu subir as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais. Esta é a primeira subida desde setembro de 2023.
Neste artigo explicamos o que é a Euribor, onde estão as taxas agora, como calcular o impacto na sua prestação e o que esperar nos próximos meses.
O que é a Euribor (e porque é que importa para si)
Euribor significa Euro Interbank Offered Rate. Reflete as taxas às quais um painel de bancos da zona euro estima financiar-se no mercado monetário. Não é definida pelo BCE, mas sofre a sua influência direta: quando o BCE sobe ou desce as suas taxas diretoras, as Euribor tendem a seguir o mesmo caminho.
Existem cinco prazos de Euribor (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses). Para os créditos à habitação em Portugal, os mais relevantes são os de três, seis e 12 meses.
Se tem um crédito habitação com taxa variável, a sua prestação mensal calcula-se assim:
Taxa de juro = Euribor + spread
O spread é fixo e foi acordado quando contratou o crédito. A Euribor oscila. Portanto, sempre que a Euribor sobe, a sua prestação sobe. Sempre que desce, a prestação desce.
A Euribor a seis meses é atualmente a mais utilizada em Portugal: segundo o Banco de Portugal, em abril de 2026 representava cerca de 39,56% do total de créditos habitação com taxa variável. A de 12 meses cobria 31,53% e a de três meses, 24,55%.
| Prazo | Taxa (15 junho 2026) | Média de maio 2026 | Média de abril 2026 |
|---|---|---|---|
| Euribor 3 meses | 2,407% | 2,226% | 2,175% |
| Euribor 6 meses | 2,606% | 2,536% | 2,454% |
| Euribor 12 meses | 2,796% | 2,804% | 2,747% |
Estes valores já desceram bastante face ao pico de 2023, quando a Euribor a 12 meses ultrapassou os 4%. As médias mensais têm subido pelo segundo mês consecutivo (abril e maio) e os valores diários de junho refletem o impacto imediato da decisão do BCE. Quem rever o contrato nos próximos meses vai sentir prestações mais altas do que no início do ano.
O que está por trás desta subida
Na reunião de 12 de junho de 2026, o BCE subiu as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais. Foi a primeira subida desde setembro de 2023, depois de oito cortes consecutivos entre junho de 2024 e início de 2026, e de uma pausa de sete reuniões seguidas.
Esta decisão já estava a ser antecipada pelas Euribor desde abril: os mercados ajustaram os valores dos prazos mais longos à expectativa de uma subida, e essa pressão confirmou-se agora com a decisão efetiva. Os valores diários de 15 de junho refletem o impacto imediato.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se a 22 e 23 de julho em Frankfurt. O que aí for decidido vai determinar a direção das Euribor no segundo semestre.
Como fica a sua prestação: um exemplo prático
Vamos usar um exemplo concreto para perceber o impacto real.
A Catarina tem um crédito habitação de 150 000 euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses, com um spread de 1%.
Taxa de juro atual: Euribor 6M (~2,61%) + spread (1%) = TAN ~3,61%
Com esta taxa, a prestação mensal fica em torno de 681 euros.
No pico de 2023, com a Euribor a seis meses perto de 4,1%, a mesma prestação chegava a cerca de 808 euros. A descida das taxas representou uma poupança de mais de 100 euros por mês face a esse pico. Mas a subida do BCE em junho inverteu parte desse alívio.
As médias de maio subiram 0,082 pontos face a abril na Euribor 6M (de 2,454% para 2,536%). Para um crédito nestas condições, essa variação representa uma diferença de cerca de 10 a 15 euros por mês na prestação revista.
Para calcular o impacto exato no seu caso, use o nosso simulador de crédito habitação
Taxa fixa, variável ou mista: o que faz sentido agora
Esta é a pergunta que mais famílias portuguesas estão a fazer em 2026. A resposta depende do perfil de cada pessoa, mas há alguns factos que ajudam a decidir.
Taxa variável
É a opção que a maioria dos contratos mais antigos ainda tem. Beneficia quando as Euribor descem, mas expõe quem tem crédito às subidas. Com as taxas atuais entre 2,2% e 2,8%, já não estamos no “choque” de 2023, mas a volatilidade continua.
Taxa fixa
Garante prestações estáveis durante toda a vida do empréstimo (ou durante o período fixo acordado). Em 2026, muitas propostas de taxa fixa nos bancos portugueses situavam-se acima da Euribor atual acrescida do spread típico, dependendo do prazo e do perfil do cliente. Para quem valoriza a previsibilidade acima de tudo, pode ser uma boa opção.
O ponto a ter em conta: se a Euribor vier a descer no futuro, quem está em taxa fixa não beneficia dessa descida.
Taxa mista
Combina um período inicial de taxa fixa (geralmente cinco a dez anos) com taxa variável a partir daí. Tem ganho procura em Portugal porque oferece estabilidade de curto prazo sem bloquear totalmente a possibilidade de beneficiar de taxas mais baixas no futuro.
Não existe uma resposta certa para todos. A escolha depende do valor do crédito, do prazo restante, da taxa fixa disponível no seu banco e da sua tolerância à incerteza. Para uma análise personalizada, vale a pena falar com um especialista.
O que esperar no resto de 2026
Com a subida de junho confirmada, a questão passa a ser o que o BCE vai decidir em julho e no segundo semestre. Sublinha-se que qualquer previsão é uma estimativa, não uma garantia.
O BCE subiu as taxas 0,25 pontos percentuais em junho, depois de oito cortes e sete reuniões sem alteração. Não foi uma mudança de ciclo agressiva, mas representa um sinal de que a instituição está atenta à evolução da inflação. A próxima reunião é a 22 e 23 de julho: o que aí for decidido vai clarificar se esta subida foi pontual ou o início de um novo movimento.
As Euribor deverão manter-se na faixa dos 2,5% a 3% durante o segundo semestre, dependendo das próximas decisões. Não se antecipam subidas ao ritmo de 2022 a 2023, mas o cenário de taxas muito baixas que existiu entre 2016 e 2021 está longe do horizonte.
Para quem tem crédito habitação com taxa variável, o cenário mais provável é de prestações estáveis ou ligeiramente mais altas, sem os choques dos anos anteriores. Quem rever o contrato com base nas médias de maio ou junho vai sentir uma prestação superior à de há seis meses.
A perspetiva mutualista
Pagar a prestação da casa é, para a maioria das famílias, o maior compromisso financeiro do mês. Quando as taxas sobem, esse esforço não acontece sozinho: afeta o orçamento de ponta a ponta.
É aqui que a perspetiva mutualista faz sentido. O Montepio Associação Mutualista oferece modalidades de proteção do crédito à habitação que garantem que a família continua a conseguir pagar a casa mesmo em caso de morte ou invalidez (invalidez absoluta e definitiva ou invalidez total e permanente).
Saiba mais sobre o Plano Montepio Proteção Crédito Habitação.
Perguntas frequentes
O que é a Euribor? A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) reflete as taxas às quais um painel de bancos da zona euro estima financiar-se no mercado monetário. É calculada diariamente e existe em cinco prazos: uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses. Em Portugal, serve de referência para a maioria dos créditos habitação com taxa variável.
Qual é a Euribor hoje? Os valores mudam diariamente. As médias de maio de 2026 foram: Euribor 3M 2,226%, Euribor 6M 2,536%, Euribor 12M 2,804% (BCE, data.ecb.europa.eu). Para os valores mais atualizados, consulte o BPstat do Banco de Portugal (bpstat.bportugal.pt) ou o portal do BCE.
Porque é que a minha prestação vai subir? As médias mensais da Euribor subiram em abril e maio de 2026, pelo segundo mês consecutivo. Em junho, o BCE subiu as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais, a primeira subida desde setembro de 2023. Quem tiver o contrato indexado às médias de maio ou a valores de junho vai sentir essa subida na próxima revisão da prestação.
Compensa mudar para taxa fixa agora? Depende do seu contrato e das condições oferecidas pelo banco. A taxa fixa dá estabilidade, mas bloqueia a possibilidade de beneficiar de futuras descidas das Euribor. Para uma decisão informada, compare a taxa fixa disponível com a Euribor atual mais o seu spread, e considere a diferença ao longo do prazo restante do crédito.
O BCE vai continuar a subir taxas em 2026? O BCE subiu as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais na reunião de 12 de junho de 2026, a primeira subida desde setembro de 2023. A próxima reunião é a 22 e 23 de julho em Frankfurt. Não há indicação clara de novos movimentos: qualquer previsão sobre a trajetória futura das taxas é uma estimativa, não uma garantia.
Em resumo
Em junho de 2026, a Euribor a seis meses está em torno de 2,6%. O BCE subiu as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais na reunião de 12 de junho, a primeira subida desde setembro de 2023. As médias mensais têm subido pelo segundo mês consecutivo.
A Euribor a seis meses é a mais usada nos créditos habitação em Portugal. Para saber a taxa de juro do seu crédito, some a Euribor do prazo do seu contrato ao spread acordado com o banco.
A próxima reunião do BCE é a 22 e 23 de julho em Frankfurt. O que aí for decidido vai clarificar a direção das taxas no segundo semestre. Qualquer previsão é uma estimativa, não uma certeza.
Taxa fixa, variável ou mista: a escolha certa depende do seu perfil. A taxa variável beneficia de descidas mas está exposta a subidas. A taxa fixa dá estabilidade mas sem acesso a futuros cortes. A taxa mista combina ambas durante períodos diferentes.
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