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Como poupar para a entrada da casa

Poupar para a entrada da casa pode parecer difícil, mas com a estratégia certa é possível saber quanto precisa e como chegar lá mais depressa
Artigo atualizado a 11-05-2026
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Comprar casa é um dos maiores objetivos financeiros dos portugueses, mas também um dos mais difíceis de alcançar. Num estudo da Escolha do Consumidor de julho de 2025, 19% dos inquiridos apontou a falta de dinheiro para a entrada como o segundo maior entrave à compra de habitação, logo a seguir aos preços elevados. Neste guia, explicamos quanto precisa de poupar, quanto tempo pode demorar e as estratégias mais eficazes para chegar lá. Pode fazer aqui as contas, usando a nossa calculadora de poupança para a entrada de casa.

Quanto dinheiro precisa para comprar casa?

Para comprar casa em Portugal, precisa de ter entre 15% e 25% do valor do imóvel disponível: 10% para a entrada (o banco financia até 90%) e mais 5% a 15% para impostos e custos. Segundo um estudo recente, 31% dos portugueses demorou mais de três anos a juntar este valor. A boa notícia: se tem menos de 35 anos, pode, em alguns casos, comprar com financiamento até 100%, dependendo do banco e dos requisitos da garantia pública.

O valor divide-se em duas partes: a entrada e os custos associados à compra.

A entrada: o que o banco não financia

Em Portugal, os bancos financiam até 90% do valor do imóvel para habitação própria e permanente, segundo as recomendações do Banco de Portugal. Isto significa que precisa de ter, pelo menos, 10% do valor da casa como entrada.

Se o imóvel se destina a segunda habitação ou arrendamento, o financiamento máximo desce para 80%, o que obriga a uma entrada de 20%.

Os custos que muitos esquecem

Além da entrada, há custos que surgem no momento da compra e que representam entre 5% e 15% do valor do imóvel:

  • Imposto Municipal sobre Transmissões (IMT): varia conforme o valor e finalidade do imóvel
  • Imposto do Selo: 0,8% do valor da escritura, mais 0,6% sobre o valor do crédito
  • Comissões bancárias: abertura de processo, avaliação, formalização
  • Escritura e registo: entre 700 e 1 500 euros, dependendo do valor

Na prática: quanto precisa para uma casa de 200 000 euros?

ComponenteValor estimado
Entrada (10%)20 000 euros
IMT (habitação própria permanente)3 542 euros
Imposto do Selo (escritura)1 600 euros
Imposto do Selo (crédito)1 080 euros
Comissões bancárias1 000 a 1 500 euros
Escritura e registo
1 000 euros
Total estimado~28 000 euros

Para uma casa de 200 000 euros, precisa de ter cerca de 28 000 euros disponíveis. Isto representa aproximadamente 14% a 15% do valor do imóvel.

Se a casa custar 150 000 euros, ronda os 22 000 euros. Se custar 300 000 euros, o valor sobe para cerca de 45 000 euros.

Quanto tempo demora a poupar para a entrada?

A resposta depende de quanto consegue poupar por mês e do valor da casa que pretende comprar.

Quanto preciso de poupar para a entrada da casa? | Montepio

Quanto preciso de poupar para a entrada da casa?

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Qual é a sua idade?

A idade determina se pode aceder à Garantia Pública do Estado (até 35 anos) e à isenção de IMT para jovens.

anos

O que dizem os dados

Segundo o estudo recente da Escolha do Consumidor (citado pelo Idealista), entre os portugueses que já compraram casa:

  • 31% demorou mais de três anos a juntar a entrada
  • 18% demorou entre um e três anos
  • 9% conseguiu em menos de um ano
  • 21% contou com ajuda de familiares ou amigos
  • 9% comprou a pronto pagamento, sem precisar de poupar
  • 11% recorreu a outras soluções (heranças, financiamento a 100%, empréstimos)

Simulação: quanto poupar por mês

Para uma casa de 200 000 euros, precisa de cerca de 28 000 euros. Eis quanto tempo demora conforme o valor que consegue poupar mensalmente:

Poupança mensalTempo necessário
200 euros11 anos e 8 meses
300 euros7 anos e 9 meses
400 euros5 anos e 10 meses
500 euros4 anos e 8 meses
750 euros3 anos e 1 mês
1 000 euros2 anos e 4 meses

Estes valores não incluem o rendimento gerado pela poupança. Se aplicar o dinheiro em produtos com rentabilidade, o tempo reduz-se.

Estratégias práticas para poupar

Poupar para a entrada da casa exige consistência. Estas são as estratégias que funcionam:

1. Automatize a poupança

A forma mais eficaz de poupar é retirar o dinheiro antes de o ver. Configure uma transferência automática para uma conta dedicada, no dia em que recebe o ordenado.

Mesmo que comece com 100 ou 150 euros por mês, o importante é criar o hábito. Pode aumentar o valor gradualmente, se conseguir.

2. Crie uma conta separada

Guarde o dinheiro para a entrada da casa numa conta diferente da conta do dia a dia. Assim, evita a tentação de gastar e consegue acompanhar o progresso.

3. Identifique despesas a cortar

Analise os seus extratos bancários dos últimos três meses. Procure:

  • Subscrições que já não usa (streaming, ginásio, apps);
  • Refeições fora que podiam ser em casa;
  • Compras por impulso;
  • Seguros duplicados ou com coberturas que não precisa.

Pequenos cortes somam-se. Um café e bolo diários a 3 euros representam 90 euros por mês, ou mais de 1 000 euros por ano. Não resolvem o problema rapidamente, mas ajudam a mudar a mentalidade.

4. Procure rendimento extra

Se o seu salário não permite poupar muito, considere fontes de rendimento adicional:

  • Trabalhos pontuais ou freelancing;
  • Vender artigos que já não usa;
  • Arrendar um quarto (se tiver espaço);
  • Explicações ou aulas particulares.

5. Aproveite rendimentos extraordinários

Subsídios de férias e natal, reembolsos do IRS, prémios ou aumentos salariais: canalize uma parte significativa para a poupança para a entrada da casa. Não os trate como dinheiro “extra” para gastar.

Onde guardar o dinheiro para a entrada de casa?

O dinheiro para a entrada de casa deve estar acessível, mas também deve render alguma coisa enquanto espera.

O Montepio Associação Mutualista disponibiliza a modalidade Poupança Mutualista Vida, que inclui o Plano Montepio Poupança Reforma, equiparado a PPR para efeitos fiscais. Tal como outros PPR do mercado, permite deduções no IRS até 400 euros (para menores de 35 anos), 350 euros (entre 35 e 50 anos) ou 300 euros (a partir de 51 anos).

Outras opções são contas poupança dedicadas, Certificados de Aforro, depósitos a prazo ou um PPR (Plano Poupança Reforma)

Alternativas: comprar casa sem entrada ou com menos

Se não consegue juntar a entrada tradicional, existem alternativas.

Garantia Pública do Estado (jovens até 35 anos)

O Estado disponibiliza uma garantia que permite aos jovens até 35 anos obter, em certos casos, financiamento até 100% do valor da casa. O Estado funciona como fiador de até 15% do valor. A medida aplica-se a contratos formalizados até 31 de dezembro de 2026, sujeita a adesão do banco e avaliação de risco.

Requisitos:

  • Ter entre 18 e 35 anos (ambos os elementos do casal, se aplicável);
  • Rendimentos até ao 8.º escalão do IRS;
  • Não ser proprietário de outra casa;
  • Imóvel para primeira habitação própria e permanente;
  • Valor máximo: 450 000 euros;
  • Sem dívidas às Finanças ou Segurança Social.

Isenção de IMT e Imposto do Selo para jovens

Jovens até 35 anos que comprem a primeira habitação própria e permanente beneficiam, em 2026, de isenção total de IMT e Imposto do Selo para imóveis até 330 539 euros. Para valores superiores, a isenção é parcial, segundo o artigo 17.º do Código do IMT.

Numa casa de 200 000 euros, isto representa uma poupança de mais de 5 000 euros.

Imóveis de retoma bancária

Em alguns casos, os bancos podem oferecer condições de financiamento mais favoráveis para imóveis que pertencem à sua própria carteira (recuperados por incumprimento), podendo incluir financiamento superior ao habitual. As condições variam entre instituições e devem ser analisadas caso a caso.

Ajuda de familiares

O estudo da Escolha do Consumidor revela que 21% dos portugueses contou com ajuda de familiares ou amigos para a entrada. Se esta opção estiver disponível, formalize o acordo por escrito para evitar mal-entendidos.

O que não fazer: crédito pessoal para a entrada

Usar um crédito pessoal para cobrir a entrada pode parecer uma solução, mas tem riscos sérios.

Por que os bancos recusam: se o banco detetar que a entrada provém de um crédito pessoal, pode recusar o crédito habitação. A entrada deve ter origem em capitais próprios, ou seja, poupança.

Impacto na taxa de esforço: ao adicionar uma prestação de crédito pessoal à prestação do crédito habitação, a taxa de esforço aumenta significativamente. Se ultrapassar os limites recomendados pelo Banco de Portugal (50%), o crédito pode ser recusado.

Risco de sobre-endividamento: mesmo que o crédito seja aprovado, pagar duas prestações ao mesmo tempo reduz a margem financeira para imprevistos. Em caso de subida das taxas de juro ou perda de rendimento, o risco de incumprimento aumenta.

Taxa de esforço: o indicador que decide tudo

A taxa de esforço mede o peso das prestações de crédito no rendimento mensal. É um dos principais critérios que os bancos avaliam.

Como calcular

Taxa de esforço = (soma das prestações mensais / rendimento líquido mensal) x 100

Exemplo: se ganha 1 800 euros líquidos e paga 400 euros de crédito habitação mais 100 euros de crédito automóvel, a sua taxa de esforço é 27,8%.

Limites recomendados

  • Banco de Portugal: máximo de 50% (com exceções limitadas);
  • Prática bancária: os bancos preferem taxas até 33% ou 35%;
  • Recomendação: manter abaixo de 30% para ter margem de segurança.

Como melhorar a taxa de esforço

  • Liquidar créditos existentes antes de pedir o crédito habitação;
  • Aumentar os rendimentos do agregado familiar;
  • Escolher uma casa com valor mais baixo;
  • Alargar o prazo do empréstimo (reduz a prestação, mas aumenta os juros totais).

Em resumo

Quanto preciso de dar de entrada para comprar casa?

Os bancos financiam até 90% do valor do imóvel para habitação própria permanente. Precisa de ter, pelo menos, 10% do valor como entrada, mais cerca de 5% a 15% para impostos e custos associados.

Posso comprar casa sem entrada?

Se tiver menos de 35 anos e cumprir os requisitos da Garantia Pública do Estado, pode em alguns casos obter financiamento até 100% do valor do imóvel, com o Estado a garantir até 15% do valor. A aprovação depende do banco e da avaliação de risco.

Quanto tempo demora a poupar para a entrada?

Depende do valor da casa e da capacidade de poupança. Para uma entrada de 28 000 euros, poupando 500 euros por mês, demora cerca de 4 anos e 8 meses.

Posso usar o PPR para a entrada da casa?

O PPR pode, em certos casos legais, ser mobilizado para pagar prestações de crédito à habitação, mas não para a entrada. O regime excepcional de mobilização sem penalização e sem prazo mínimo foi temporário. Ainda assim, o PPR pode servir como poupança de médio prazo enquanto junta o valor necessário, com benefícios fiscais.

O que é a taxa de esforço?

É a percentagem do rendimento mensal destinada a pagar prestações de crédito. O Banco de Portugal recomenda que não ultrapasse 50%. Na prática, os bancos preferem taxas até 33% ou 35%.

O caminho mutualista

Poupar para a casa é um esforço individual, mas os grandes riscos da vida são mais fáceis de enfrentar em conjunto. O Montepio Associação Mutualista oferece modalidades de poupança e proteção que podem complementar o seu planeamento para a compra de casa, incluindo soluções equiparadas a PPR com benefícios fiscais. Explore as opções disponíveis em montepio.org.

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