Como utilizar (da melhor forma) o reembolso do IRS
Há famílias que contam com o reembolso do IRS para pagar despesas periódicas, como o IMI, o seguro do carro, os livros escolares ou as férias. Outras, utilizam este dinheiro extra para equilibrar o orçamento familiar ou acautelar o futuro. Independentemente do valor do reembolso, deve utilizá-lo a seu favor. O Ei sugere-lhe seis alternativas para aplicar bem o seu reembolso.
O que é o reembolso do IRS?
Ao longo do ano, uma parte dos rendimentos (como salários, pensões e recibos verdes) é retida mensalmente para antecipar o pagamento do IRS ao Estado. No ano seguinte, no momento da entrega da declaração do IRS, a Autoridade Tributária (AT) apura o imposto final a pagar, tendo em conta os rendimentos declarados, as deduções, os encargos e eventuais benefícios fiscais. Se o valor retido for superior ao imposto devido, o excedente é devolvido ao contribuinte sob a forma de reembolso.
Qual a data-limite para receber o reembolso do IRS?
O reembolso do IRS deve ser pago até 31 de agosto, desde que a declaração tenha sido entregue dentro do prazo legal, ou seja, entre 1 de abril e 30 de junho, e validada sem divergências.
No entanto, nos últimos anos, a AT tem demorado em média entre 10 e 20 dias a processar o reembolso, desde a data de entrega da declaração.
O que fazer ao reembolso do IRS?
Este dinheiro extra deve ser utilizado de forma racional e prudente. Eis algumas sugestões:
1. Saldar dívidas
Em primeiro lugar, aproveite para liquidar créditos, se os tiver. O seu orçamento familiar agradece. Se o valor do seu reembolso do IRS for insuficiente para saldar todas as dívidas, dê prioridade às que estão associadas a taxas de juro mais elevadas, como é o caso do cartão de crédito e do crédito pessoal.
2. Criar um fundo de emergência
Se ainda não tem um fundo de emergência, este pode ser um destino adequado para o seu reembolso do IRS – ou parte dele. O objetivo é estar preparado para fazer face a imprevistos. Por exemplo, uma situação de desemprego, uma despesa médica avultada, uma reparação grave no carro ou em casa, entre outros cenários.
Que quantia deve colocar de parte? De acordo com os especialistas em finanças pessoais, o fundo de emergência deve ser equivalente a pelo menos seis salários e permitir cobrir as suas despesas habituais durante um semestre num cenário de perda inesperada da sua fonte de rendimentos.
Onde colocar o dinheiro? Não basta ter de lado uma quantia para enfrentar momentos de aperto financeiro. Se guardar o dinheiro em casa – num cofre, por exemplo – dentro de algum tempo valerá menos. Porquê? Devido ao efeito da inflação (subida generalizada dos preços). Para evitar a delapidação do seu fundo de emergência, deve aplicá-lo num produto de poupança com risco reduzido e que tenha uma taxa de juro superior à inflação. Além da rentabilidade, há outro aspeto importante a considerar. A aplicação que escolher deve ter uma elevada liquidez, ou seja, deve ser fácil de resgatar.
3. Começar ou fortalecer uma poupança
Se não tem dívidas, deve canalizar o reembolso do IRS para a poupança, quer seja para começar a constituir um pé-de-meia ou reforçar um aforro já existente. Os motivos são muitos: assegurar o futuro dos filhos, preparar a reforma, fazer uma viagem, comprar um carro novo, etc. Eis algumas propostas de poupança:
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Depósito a prazo, solução mutualista e produto para a reforma
Se privilegia a segurança do seu dinheiro, pode escolher um depósito a prazo. Este é, sem dúvida, o instrumento financeiro que comporta menos risco. Se o banco falir, o pior cenário, os depósitos até 100 000 euros por titular estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Tem, no entanto, a desvantagem de proporcionar uma remuneração pouco atrativa. A maioria dos depósitos paga uma taxa muito abaixo da inflação. Há que contar ainda com as comissões de manutenção de conta, que lhe podem “comer” o já parco retorno.
Caso pretenda valorizar mais a sua poupança, as soluções mutualistas podem ser uma boa opção. Estes produtos estão garantidos pelo ativo da Associação Mutualista Montepio. No Plano Montepio Poupança Complementar, o rendimento tem como base a taxa mínima garantida, fixada até 31 de dezembro de cada ano pelo Conselho de Administração, e que pode variar entre 0% a 3%, podendo ser revista trimestralmente, multiplicada pelo saldo médio do capital acumulado não reembolsado no ano civil, desde que igual ou superior a 100 euros. Tem ainda outra possibilidade: subscrever soluções para a reforma e beneficiar das vantagens fiscais associadas.
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Fundos de investimento
Se está disposto a subir o risco para ganhar mais, pode apostar em fundos de investimento – de ações, obrigações, mistos, flexíveis, entre outros. Nesse caso, esteja atento aos relatórios da APFIPP – Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios, nomeadamente os que apresentam os Fundos de Investimento Mobiliário Nacionais com as melhores rentabilidades.
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Ações
Assume-se como um investidor com um perfil de risco audaz e tem tempo para deixar o dinheiro crescer? Nesse caso, pode aplicar uma parte do reembolso do IRS em ações. Mas atenção, investir diretamente no mercado acionista é uma solução arriscada: não há garantia de capital nem de rentabilidade. Em contrapartida, tem associado um maior potencial de ganhos.
Se quiser investir na bolsa não se esqueça da regra da diversificação. Inclua na sua carteira títulos de setores e países diferentes. Desta forma, minimizará o risco.
4. Reforçar o orçamento para as férias
Se não tem dívidas, já possui um fundo de emergência e a poupança está bem encaminhada, aproveite o reembolso d0 IRS para as férias. Desfrutar de uns dias numa praia paradisíaca com a família, por exemplo, poderá ser um bom destino a dar à devolução do seu imposto.
5. Investir na casa
A sua casa é amiga do ambiente e da sua carteira? A pensar em poupanças futuras, aplique algum dinheiro do reembolso do IRS na compra de eletrodomésticos energeticamente mais eficientes, por exemplo.
Pensa vender a sua casa? Faça-lhe um upgrade antes de colocá-la à venda. Encaminhe o valor que recebeu do Estado para alguma reparação ou obra que possa valorizar o imóvel e facilitar a sua transação.
6. Aumentar competências e conhecimentos
Utilize o reembolso do IRS para pagar uma pós-graduação, um mestrado ou um doutoramento que o valorize profissionalmente. Em alternativa, pode fazer um curso de línguas. Falar bem um idioma estrangeiro ou vários é também uma mais-valia num curriculum.
Em síntese
Em primeiro lugar deve utilizar o reembolso do IRS para colocar as contas em ordem e reforçar a sua tranquilidade financeira: pague as dívidas mais elevadas, crie um fundo de emergência para estar preparado para dificuldades inesperadas, fortaleça a sua poupança e invista algum dinheiro. Só depois deve pensar nos tempos de lazer.
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