É freelancer? Este guia de poupança é para si

Ter hábitos de poupança rigorosos é uma das formas de contrariar a elevada incerteza e irregularidade dos rendimentos de um freelancer. Saiba como tirar o máximo partido das vantagens de ser o seu próprio patrão com a ajuda do guia que preparámos para si.
Artigo atualizado a 20-06-2022

Ser freelancer, ou seja, trabalhar por conta própria, confere um conjunto de vantagens. Trabalha ao seu próprio ritmo, ganha para si, pode ter oportunidade de fazer o que mais gosta, mas também recusar o que não lhe interessa. E caso tenha sucesso, pode aumentar os seus rendimentos de mês para mês. Mas a vida de um profissional independente também representa muitos desafios. Não terá um salário fixo no final do mês, a incerteza é maior, os rendimentos podem ser irregulares e existem muitas tarefas burocráticas a cumprir.

Ser freelancer obriga ainda a uma elevada disciplina e a rigorosos hábitos de poupança. Mesmo que seja bem-sucedido na sua atividade, uma situação financeira descontrolada colocará em risco o seu projeto e reduz a disponibilidade para se focar na sua especialidade. Neste guia encontrará várias recomendações para maximizar o potencial do seu negócio e, assim, garantir uma situação financeira mais desafogada.

Guia para freelancer: 8 conselhos a ter em conta

1. Orçamento para receitas e despesas

O planeamento é um fator-chave para ter sucesso como freelancer. É, por isso, essencial que se preocupe primeiro em ter um orçamento bem elaborado que, ao mesmo tempo, seja simples e não lhe retire muito tempo a preparar.

Ao contrário do salário de quem trabalha por contra de outrem, o rendimento de um profissional independente varia todos os meses. Haverá uns melhores e outros piores. Contudo, tente ser o mais realista possível, recorrendo a uma média dos valores reais dos meses anteriores e avaliando as suas perspetivas futuras (projetos já garantidos, novos clientes, etc).

Para elaborar o seu orçamento, identifique primeiro todas as despesas relacionadas com a sua atividade (fixas e variáveis), bem como as receitas. Deixe de fora, para já, as suas despesas pessoais, os impostos e outros itens não relacionados diretamente com a sua atividade. Aqui o objetivo passa por saber quanto dinheiro lhe sobra todos os meses. Será esse valor que vai ajudá-lo nos passos que detalharemos à frente.

Tome nota

O orçamento não é uma ferramenta estática. Deverá corrigi-lo à medida que evolui a sua atividade e, em função disso, ajustar as suas decisões.

2. Orçamento para o seu tempo e prazos

Tempo é dinheiro. Quando poupa horas, ou até minutos na sua atividade profissional, também está a ganhar. Para tal, é fundamental que tenha os seus projetos e tarefas planeados com o maior rigor possível.

Anote todos os projetos que está a desenvolver, com os prazos de entrega, o tempo que estima executá-los, as despesas que pode antecipar e outros itens relacionados. Depois de concluído o projeto ou tarefa, aponte o tempo que despendeu e os outros indicadores reais relacionados.

Vantagens

Este tipo de organização confere duas grandes vantagens para o freelancer. Pressiona a execução do projeto nos termos que acordou com o seu cliente e permite perceber se ele próprio cumpriu os prazos e custos (de tempo e outras despesas) a que se tinha proposto.

Se gastou mais tempo e dinheiro do que estimou, deve rever o seu custo nos próximos projetos comparáveis e alterar os prazos com que se compromete com os seus clientes. Se não necessitou de tanto tempo como previa, pode ajustar em baixa o preço ou aceitar mais projetos do que estava a pensar.

Ter este orçamento bem executado vai permitir-lhe uma visão mais clara da sua capacidade de produção. E, como consequência, dispor de um orçamento financeiro mais próximo da realidade.

3. Impostos e contribuições

Os impostos e contribuições para a Segurança Social são outras das dores de cabeça de um freelancer. Vai ter de dedicar tempo e atenção a estes temas, caso contrário arrisca dissabores no futuro. Os valores a pagar de impostos e contribuições vão depender essencialmente da sua faturação e das despesas associadas, como pode ler neste artigo.

É importante que tenha noção dos valores que terá de pagar e colocar esse dinheiro de parte. Se o seu orçamento for aproximado da realidade, facilmente perceberá qual a parcela regular dos rendimentos que terá de acautelar para fazer face ao pagamento de impostos e contribuições.

Como os prazos de pagamento dos impostos são habitualmente distantes do recebimento, avalie se compensa aplicar o dinheiro reservado para esse efeito, por exemplo, em produtos financeiros. Desde que sejam de risco muito reduzido (sem perda de capital) e liquidez elevada, garante algum rendimento extra.

4. Fundo de emergência para (pelo menos) seis meses

Na atividade de freelancer os rendimentos são irregulares, o que aumenta a incerteza financeira. Existe ainda o problema dos recebimentos. Em Portugal, os atrasos nos pagamentos são recorrentes e podem ameaçar as suas finanças. É, por isso, fundamental que constitua um fundo de emergência ao qual possa recorrer nos momentos mais difíceis para fazer face a imprevistos.

No mínimo, deverá ter um montante equivalente a seis meses de despesas profissionais e pessoais. Aproveite os meses com maiores rendimentos para reforçar o fundo de emergência e não o deixe “parado” no banco. Procure um produto financeiro que lhe permita obter algum rendimento com este fundo, mas não assuma riscos elevados que ameacem o capital. Tem igualmente de ser um produto com elevada liquidez, pois pode ter de recorrer a este dinheiro a qualquer altura, e flexibilidade de reembolso.

O ideal é nunca necessitar de recorrer a este dinheiro. Se for esse o caso, o fundo de emergência passará a um puro fundo de poupança. Uma boa notícia, desde que o dinheiro esteja bem aplicado.

Proteção 5 em 5: um produto financeiro para os ciclos de vida

Ser freelancer é estar no limbo entre a necessidade de poupança e a de proteção. Mas nem sempre é fácil, com um único produto financeiro, poupar regularmente e proteger a família. A modalidade Proteção 5 em 5, da Associação Mutualista Montepio, permite a constituição de uma poupança a ser paga de cinco em cinco anos ao Associado, se vivo, ou aos seus beneficiários, por morte. Assim, o Associado Montepio garante o recebimento de um capital de 5 em 5 anos, durante um prazo de 10, 15 ou 20 anos. A subscrição pode ser feita através de uma entrega única ou de quotas mensais, sendo que, neste último caso, pode diminuir o valor da quota ao longo do prazo.

Mas esta modalidade apresenta ainda uma outra componente. Falamos da componente de proteção, significando que caso ocorra algo ao Associado Montepio que resulte na sua morte, a Associação Mutualista Montepio assegura a manutenção das entregas mensais, substituindo, portanto, o Associado, e entregará aos beneficiários as frações vincendas nas datas respetivas.

5. Salário

Sabendo o dinheiro que tem de colocar de lado para pagar impostos e contribuições, tendo os orçamentos (financeiro e de tempo) tratados e o fundo de emergência pensado, é agora mais fácil avaliar a sua capacidade de poupar. Agora sim, tem uma ideia aproximada de quanto dinheiro pode sobrar em média por mês em resultado da sua atividade de freelancer.

Analisando esse valor, verifique que parte pode ficar para si. Encare este valor como o seu salário e analise se é suficiente para pagar as suas despesas pessoais (fixas e variáveis) e ter uma vida desafogada.

Nos primeiros tempos de freelancer é natural que o seu salário seja baixo. Não desanime e pense que pode sempre ajustar a sua remuneração quando o seu negócio atingir a velocidade cruzeiro. Agora, é o seu próprio patrão, pelo que será mais fácil aprovar um aumento, sem ameaçar a rentabilidade do seu negócio.

6. Reforma (e não só)

Não deixe que o salário que paga a si mesmo esgote o saldo positivo que obtém todos os meses entre receitas e despesas profissionais. Se quem trabalha por conta de outrem deve colocar uma parte do salário de parte para efeitos de poupança, o mesmo conselho também se aplica aos trabalhadores independentes.

O ideal será canalizar para a poupança todo o valor que sobra depois de pagar as despesas relacionadas com a sua atividade (custos, impostos, contribuições, fundo de emergência) e a sua vida pessoal (salário).

O destino a dar a esse dinheiro depende dos seus objetivos de vida, da idade e situação financeira. O importante é que tenha objetivos para o dinheiro que está a poupar, e que uma parte seja canalizada para a sua reforma.

Aforre já, descanse depois

É provável que os seus descontos para a Segurança Social sejam mais diminutos do que os de um trabalhador por conta de outrem, pelo que é indispensável que pense seriamente em aforrar para os anos em que deixará de trabalhar, constituindo um complemento de reforma. Se começar cedo, o esforço será menor e aproveitará mais o efeito de capitalização.

As suas poupanças podem ter muitos outros destinos. Desde comprar um carro, uma casa, fazer umas férias ou pagar a educação dos seus filhos (ou a sua). Tente sempre adequar o risco dos investimentos ao objetivo e ao prazo.

7. Contas bancárias separadas e transferências automáticas

Para uma melhor gestão do seu dinheiro, tenha várias contas bancárias, cada uma com um objetivo distinto.

  • Atividade

    Desde logo, é essencial ter uma conta separada para a sua atividade. Será através dela que pagará as suas despesas profissionais, os seus impostos e outros custos relacionados com a sua atividade. Será também para essa conta que os clientes deverão efetuar os pagamentos.

  • Pessoal

    Para a sua conta pessoal transfira todos os meses o seu salário. Faça-o de forma automática e ajuste o valor conforme a evolução da sua atividade e as suas necessidades pessoais, mas tente estabilizar o montante para que seja o mais semelhante possível a um salário normal.

  • Poupança

    É igualmente importante que tenha uma outra conta bancária para as suas aplicações: fundo de emergência, poupança para a reforma e outros investimentos com fins diferentes. Depois de calcular quanto pode guardar todos os meses para poupança, programe também uma transferência automática da conta da sua atividade para a conta da poupança.

O seu salário e poupanças devem ser encarados como despesas. É uma maneira eficiente de separar as águas entre a sua atividade profissional e a sua vida pessoal, permitindo também identificar facilmente onde deve atuar caso surjam problemas. Regressando ao seu orçamento, inclua também estas despesas, para ter uma visão geral da sua situação financeira. Só assim conseguirá avaliar se é necessário alterar alguma das rubricas que controla diretamente.

8. Outras dicas importantes para um freelancer

Há mais algumas dicas que podem ser seguidas por um freelancer e que representam poupanças significativas:

  • Contabilista

    A contratação dos serviços de um contabilista representa um custo adicional, mas pode ajudá-lo a poupar dinheiro e tempo. Libertando-se de faturas, prazos fiscais e outras burocracias, poderá conseguir aumentar as receitas com mais projetos e novos clientes. E até pagar menos impostos, através de uma gestão fiscal mais eficiente da sua atividade.

  • Reuniões online

    Esta é outra dica que deve seguir para poupar tempo e dinheiro. Se a sua atividade permitir, resista a reuniões presenciais regulares. A pandemia veio reforçar esta tendência e é uma boa forma de gastar menos dinheiro em transportes e canalizar o seu tempo para tarefas mais produtivas. Muitos assuntos podem ser tratados por videoconferência ou videochamada com a mesma eficácia, despendendo menos tempo e dinheiro.

  • Espaço de coworking

    O ideal será trabalhar em casa, mas se não tem condições para tal, ou a sua atividade não permitir, procure um espaço de coworking para o seu trabalho de freelancer. Tem a vantagem de contrariar a solidão que muitas vezes afeta a vida (e produtividade) dos freelancers. O custo destes espaços não é elevado e inclui telecomunicações, eletricidade e ar condicionado.

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