Qual a melhor estratégia para fazer render o dinheiro em cada idade?

Saiba como fazer render o dinheiro das suas poupanças nas diferentes fases da vida: desde a entrada no mercado de trabalho até à reforma.
Artigo atualizado a 04-02-2022

Como fazer render o dinheiro que conseguimos amealhar, através das poupanças, ao longo da vida? A questão é colocada por muitos portugueses que têm dificuldades em escolher entre as variadas opções à sua disposição. Neste artigo, vamos ajudá-lo a tomar as melhores decisões, com a estratégia mais adequada consoante a sua idade.

Antes de avaliar como aplicar as poupanças, é importante saber qual a melhor forma de as obter. São muitas as dicas disponíveis. Primeiro deve avaliar que parte do seu salário consegue deixar de lado depois de pagar todas as despesas. Os especialistas aconselham um valor entre 10% a 20% da sua remuneração mensal.

Aponte ao meio e tente guardar 15% do salário todos os meses. Para atingir este objetivo, tem de ser disciplinado. Uma das melhores formas passa pela regra conhecida por pague-se a si primeiro. Em vez de poupar no final do mês depois de pagar as despesas, inverta o processo e logo que recebe o salário desconte uma parte para si. Esta regra deve ser complementada por outra importante dica.

Faça um movimento automático da conta bancária onde recebe o salário, transferindo, todos os meses, uma fatia da remuneração para outra conta onde agrupa as poupanças.

As instituições financeiras têm produtos que o ajudam neste método de poupar e fazer render o dinheiro. Através da modalidade mutualista Poupança Complementar, pode efetuar entregas livres ou periódicas com garantia de flexibilidade no reembolso. Permite aplicar as suas poupanças regulares para apoiar os seus projetos ao longo da sua vida. Ou reunir o valor pretendido para fazer uma aplicação diferente.

Até aos 30 anos. Melhor altura para ser agressivo

O hábito de poupar parte do salário e colocar o dinheiro a render deve ser adotado logo no início da carreira. Habitualmente, é a altura da vida em que as despesas regulares são mais baixas e os objetivos mais ambiciosos (casa, carro, etc). Mesmo que com quantias reduzidas, quanto mais cedo começar, maior será o seu rendimento potencial. Se seguir a dica de poupar 15% do salário, chegará aos 30 anos com mais de um salário anual (1,2 caso comece a trabalhar aos 23).

É também a altura de ser agressivo, sobretudo se pretende investir numa lógica de longo prazo. As ações são dos ativos mais voláteis (e por isso dos mais arriscados), mas os dados históricos mostram que uma carteira de ações diversificada, num período longo de tempo, apresenta habitualmente rendibilidades positivas.

Ajustado ao seu perfil de risco, existem várias hipóteses de investimento com exposição a ações. Os fundos de investimento são sempre a melhor opção, pois deixa a estratégia para os profissionais, ficando a seu cargo a escolha da categoria que mais se adequa ao seu objetivo. Existem muitas opções, com diferentes tipos de risco, mas sempre com exposição a ações, que lhe aumentam a hipótese de obter retornos mais elevados. O horizonte temporal dos fundos com maior risco não deverá ser inferior a 5 anos.

  • Fundos de Ações. Têm um elevado nível de risco, pois aplicam pelo menos dois terços da carteira no mercado acionista. Existem fundos de ações nacionais, ações europeias, norte-americanas e globais. E também os fundos que investem apenas num setor de atividade.
  • Fundos Mistos e Fundos de Fundos. O nível de risco também é elevado, mas mais reduzido do que os fundos de ações. O investimento é dividido entre ações e obrigações, consoante a estratégia seja mais ou menos agressiva. Mas nunca supera uma exposição de dois terços da carteira ao mercado acionista.
  • Fundos Flexíveis e Fundos de Investimento Alternativo. Estes são fundos com uma estratégia de investimento mais abrangente, pelo que o risco é habitualmente mais elevado, tal como o potencial de retorno. Devem ser analisados caso a caso e com cuidado redobrado.
    A escolha da melhor opção depende sempre do objetivo do investimento. Por exemplo, se é jovem e pretende começar desde já a poupar para a reforma, faz bem em escolher um fundo com risco elevado. Se a meta passa por chegar aos 30 anos com dinheiro para dar entrada para a compra de uma habitação, convém ser mais moderado, para garantir que o seu dinheiro está a render, mas com probabilidade mais reduzida de perder capital.

Dos 30 aos 45 – Modere os riscos, mas não seja conservador

É a altura da vida em que as despesas regulares aumentam, mas os rendimentos também tendem a ser mais elevados. Pode poupar para educação dos filhos, para mudar de casa e começar já a pensar em poupar para a reforma (se é que já não o fez). Se seguir a dica de poupar 15% do salário desde o início da carreira, chegará aos 45 anos com mais de três salários anuais de poupança (3,4 caso comece a trabalhar aos 23).

Se a sua estratégia de fazer render o dinheiro visa o longo prazo, ainda está na idade de assumir riscos para procurar retornos acima do aumento do custo de vida. Tem várias opções à disposição e uma boa decisão poderá passar por aplicar em vários fundos, de modo a equilibrar o risco, consoante os seus objetivos. Se tem um filho pequeno e quer definir uma poupança para quando for para a universidade, mobilize uma pequena parcela da poupança, mas coloque num fundo de risco alto. A probabilidade de conseguir uma rendibilidade favorável é elevada, embora deva ter sempre em mente que todos os investimentos de risco não têm capital garantido, qualquer que seja o horizonte temporal.

  • Fundos Multi-Ativos. Como o próprio nome indica, são fundos em que o investimento da carteira é diversificado por um leque alargado de ativos. Com a vantagem de serem desenhados à medida do nível de risco pretendido. Existem fundos multi-ativos defensivos, moderados, equilibrados e agressivos.
  • Fundos Imobiliários. O imobiliário é sempre uma opção atrativa para aplicar as suas poupanças e diversificar a carteira. Pode ganhar exposição a este mercado através dos fundos de investimento imobiliário, que investem a carteira em imóveis. Não garantem o capital, mas o nível de risco não é muito elevado.

Para fazer face a imprevistos, é sempre importante que deixe uma parte das suas poupanças num fundo de emergência que deve estar numa aplicação sem risco (ou muito reduzido) e que possa ser rapidamente mobilizada. Este conselho é adequado a qualquer idade, mas nesta faixa etária é importante ter esta questão em atenção quando escolhe como vai aplicar as suas poupanças.

Saiba ainda, neste simulador exclusivo do Ei, quanto tempo consegue viver com o seu fundo de emergência.

Dos 45 aos 60 – Fazer render o dinheiro na reforma

A poupança para a reforma deve ser feita assim que se começa a carreira, mesmo que com pequenas quantias. Mas depois dos 45 deve pensar no assunto a sério, escolhendo uma opção de investimento que lhe possibilite um nível de vida mais confortável. Ainda vai a tempo de escolher uma opção com algum risco, mas deve ser algo conservador para reduzir a probabilidade de perder dinheiro.

Se seguir a dica de poupar 15% do salário desde o início da carreira, chegará aos 60 anos com perto de seis salários anuais de poupança (5,7 caso comece a trabalhar aos 23).

  • Fundos Poupança Reforma. São o destino mais clássico das poupanças para a reforma, com a vantagem de estarem também divididos por quatro categorias, que variam consoante o risco associado. Vão desde a categoria A (investimento médio em ações inferior a 5% da carteira), até categoria D (investimento médio em ações superior a 35% da carteira). Quanto mais baixa for a sua idade, mais alta a letra que deve escolher.

A diversificação das aplicações pelos fundos com diferentes níveis de risco volta a ser recomendada.
Mais de 60 anos – Investir com tranquilidade

Se tem mais de 60 anos já não é a altura de correr riscos. O objetivo deve passar por garantir que o dinheiro que amealhou não perde poder de compra. Se cumpriu a regra de poupar 15% do salário e definiu uma boa estratégia de aplicação das poupanças, tem garantida uma vida tranquila ao nível financeiro.

  • Fundos de obrigações. Fundos que investem direta ou indiretamente pelo menos dois terços da carteira em obrigações e outros ativos representativos de dívida, sem exposição ao mercado acionista. Não garantem capital, mas o risco é reduzido, tal como o retorno potencial.

Apesar de não ser recomendável assumir um risco elevado, pode sempre “apimentar” a sua carteira aplicando uma fatia num fundo mais arriscado.

5 conselhos finais para fazer render o dinheiro

Em cada fase da vida deve escolher os diferentes tipos de aplicações que se adequam ao seu perfil de risco e ao destino que pretende dar às suas poupanças. Não deixe, contudo, de seguir estes conselhos extra:

  • Privilegie sempre o longo prazo. O prazo do seu investimento deve ser o mais alargado possível. É a melhor forma de baixar o risco e obter rendibilidades positivas. Investir em ativos de risco, com o objetivo de ganhar dinheiro rápido, habitualmente dá mau resultado.
  • Cuidado com as promessas. Fuja das aplicações que oferecem retornos muito elevados. Nunca invista num produto ou ativo que não conheça.
  • Não invista diretamente. Entregar a gestão das suas poupanças aos profissionais é sempre a melhor opção. Se investir diretamente no mercado acionista, terá sempre mais dificuldade em avaliar as melhores ações e seguir a atualidade.
  • Não invista com risco o dinheiro que vai precisar. Se sabe que, dentro de um ou dois anos, necessita de parte do dinheiro que poupou para um fim específico, então coloque-o de parte numa aplicação sem risco (ou risco muito baixo). Cair na tentação de fazer crescer esse valor pode trazer dissabores.
  • Siga os resultados, mas não desespere. É importante que acompanhe os resultados do(s) seu(s) investimento(s). Mas não o faça constantemente. E sobretudo não desespere se a aplicação de longo prazo apresentar um retorno negativo. Tente perceber o que está a acontecer, mas não entre em pânico nem adote decisões drásticas.
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